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Lei de Newton: extremismo gera extremismo político

A Câmara Municipal de BH está discutindo a presença de crianças no Carnaval. O projeto proíbe crianças (mesmo se acompanhadas pelos pais) em eventos com atos, conteúdos, gestos, músicas, danças ou encenações de caráter sexual. Vale relembrar que, especialmente nos últimos anos, houve vários episódios polêmicos. Em 2019, até o então Presidente Bolsonaro trouxe à tona o caso de dois sujeitos fazendo “golden shower” em cima de uma parada de ônibus no meio da multidão. Se pode concordar ou não com a proibição, mas depois desses exageros, é normal e previsível: “para cada ação, uma reação”.

Há cerca de 22% do país que se diz de esquerda, essa é a turma que apoia Cuba, Venezuela, China e Rússia; que apoia 14 anos de prisão para uma mulher que vandalizou uma estatua com batom; que não se importa com o estado de exceção, com o desrespeito da Constituição, com a destruição do Estado de Direito. E por quê? Porque eles estão dispostos a tudo contra a direita, porque estão convencido que a direita seja “extrema” e “golpista”.

E, por outro lado, por que a direita cresceu? Exatamente em reação a tudo isso, foi o “efeito Dilma”.

E não é só aqui. Nos EUA, a chamada “alt-right” e Trump surgiram exatamente da radicalização da esquerda que começou a invadir a esfera privada do que as pessoas falam com o politicamente correto, depois teve os social justice warriors, safe space, trigger warning, woke, e o resto já sabem.

Pense, o que o torna mais radical? O radicalismo dos outros!

Extremismo de esquerda e de direita se retroalimentam, é a a Terceira Lei de Newton

Quando você tem partidos comunistas e socialistas de um lado…terá reacionários e obscurantistas do outro. Quando você tem um centro liberal, uma esquerda social-democrata e uma direita conservadora, você tem a normalidade democrática que (mais ou menos) imperou na guerra fria até agora.

O novo livro “O Brasil no Espelho” de Felipe Nunes, mostra que hoje há cerca de de 45% esquerda no país, cerca de 45% direita e 10% centro. Afinal, a chamada polarização é isso. O meio se encolheu! Há só 5% do que o autor chama de “liberais-sociais”, as pessoas que defendem estado de direito, menos burocracia, programas sociais básicos, livre iniciativa. O senso comum.

O debate sobre criminalidade é o emblema disso. Há um 21% de extremistas contra a prisão perpétua (no resto do mundo deve ser zero) e como não há prisão perpétua e a criminalidade é altissima, as pessoas cansam e, por isso, há um enorme 43% favor da pena de morte! Vamos de um lado que fala “coitadinho”, “vitima da sociedade”, para o outro do “bandido bom é bandido morto”. Um extremo gera o outro. O debate é infantil e rasteiro.

Extremismo de esquerda e de direita se retroalimentam, é a a Terceira Lei de Newton: para toda força exercida por um corpo A sobre um corpo B, este reage com igual intensidade, porém em sentido contrário. Na filosofia oriental, são o Yin e Yang: as duas forças opostas e complementares que se encontram em todas as coisas.

Os extremistas fazem parte de um ciclo, são marionetes da historia, estão criando e legitimando seu oposto. Cedem à raiva, ao desespero, ao cansaço e reagem. Cada lado quer aniquilar o outro, mas na verdade o fortalece.

Não se trata de “ficar em cima do muro”, “isentão” e “blá blá”. Trata-se de abandonar posições simplistas e erradas, de parar de retroalimentar o adversário. Trata-se de conversas difíceis que têm que ser feitas.

É normal, o Brasil é uma democracia recente e ainda está aprendendo a “cultura democrática”: fazer propostas racionais e viver em uma sociedade inevitavelmente diversa.

Dá para enfrentar o crime com prisão perpétua, dá para ser a favor, mesmo sendo de esquerda, dá para lutar contra o adversário político sem desrespeitar o Estado de Direito e a Constituição, dá para se divertir no carnaval sem incomodar demais os outros, etc. É assim que funciona nos países com democracias maduras.

Temos duas alternativas: Continuar assim em um loop infinito e autodestrutivo para todos ou o caminho da razão.

Autor: Gazeta do Povo

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