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Lia Paris explora a canção francesa em ‘Vive La Chanson’ – 09/06/2025 – Música em Letras

A cantora paulistana Lia Alain Galdino Busolin, 39, conhecida artisticamente como Lia Paris, fará uma apresentação do espetáculo “Vive La Chanson” nesta quinta-feira (12), Dia dos Namorados, no Baretto, em São Paulo, com repertório especial para a data comemorativa.

O espetáculo explora o lado intérprete da cantora dando novos ares para canções francesas que passam por variados estilos e décadas, acompanhada por músicos excelentes: o pianista Hanser Ferrer, sobrinho-neto de Ibrahim Ferrer do grupo Buena Vista Social Club, e pelo contrabaixista Liander Lobo.

No repertório do show, canções icônicas gravadas por Edith Piaf (1915-1963), Brigitte Bardot, Serge Gainsbourg (1928-1991) e Pink Martini, além de canções contemporâneas registradas por Zaz, Zaho de Sagazan, Carla Bruni e Bárbara Pravi, entre outros artistas.

Lia Paris, que amealha 10 anos de carreira com um trabalho inteiramente autoral, contempla três EPs, três álbuns de estúdio e vários singles e irá se apresentar também no dia 13 de junho, na casa de shows Blue Note de São Paulo, e no dia 20 de junho, na Blue Note do Rio de Janeiro. Nesses dois shows haverá a substituição do contrabaixista Liander Lobo por Zeli Silva.

O Música em Letras entrevistou a cantora Lia Paris que mora em Paris, mas está em São Paulo desde o mês de maio para divulgar seu trabalho até o dia 23 de junho, quando retorna à capital francesa.

Leia, a seguir, a entrevista exclusiva que a artista concedeu ao blog.

Há quanto tempo você mora em Paris?

Desde que conheci meu marido, que é francês. Moramos lá e cá, há seis anos, mais ou menos. Passamos seis meses em cada país para realizar shows e outros projetos artísticos. No final de 2023, decidimos experimentar a vida na França por um período mais longo.

Qual o benefício que morar em Paris traz para sua carreira?

Ainda é cedo para dizer ao certo. Mesmo dando continuidade a produções e realizando lançamentos e shows cá e lá, nestes últimos três anos estive muito dedicada à maternidade. Em Paris temos zero rede de apoio. Então, na realidade, tem sido mais um desafio do que o contrário. Acabo de chegar em uma cidade nova e portanto ainda construindo pontes e entendendo os caminhos e possibilidades para a minha carreira por lá. Porém, sem dúvida é uma cidade inspiradora, efervescente e cheia de conexões. Além do que, morando na Europa, realizar shows e trabalhos em outros países é muito mais possível do que quando estava aqui e o fiz algumas vezes. Paris é tão vibrante quanto solitária, tão alegre quanto melancólica. É cheia de contradições que se transformam a cada estação. Mas é uma cidade que sempre me acolheu, a mim e ao meu trabalho. Sinto que posso ser feliz por lá.

Quantos e quais estilos de canções francesas você aborda em “Vive La Chanson”?

No repertório do “Vive La Chanson” exploro vários estilos da canção francesa. Dá para dizer que são uns seis estilos diferentes, que mostram bem a diversidade da música da França, desde os clássicos até artistas mais atuais. Tem a chanson francesa tradicional, presente com músicas da Edith Piaf, como “La Vie en Rose”, “Milord”, “La Foule”, “Non, je ne regrette rien”, que são canções cheias de emoção, poesia e história.

O pop francês contemporâneo, com artistas como Zaz, com “Je veux, La Fée”, Carla Bruni, com “Tu Es Ma came, L’amour”, Claire Denamur, e mais recentemente Barbara Pravi com “Voilà Voilà”, são músicas mais modernas, mas ainda muito ligadas à emoção e à linguagem poética da chanson.

Tem ainda o estilo yé-yé, aquele pop francês dos anos 60, com “Tous les Garçons et les Filles”, de Françoise Hardy, que é leve, doce e nostálgico. Algumas músicas têm um lado mais burlesco ou teatral, como “Tu Veux ou Tu Veux Pas”, da Brigitte Bardot, ou “Ne Me Laisse Pas l’aimer”, que têm uma pegada mais divertida, provocante e performática.

Também trago influências de jazz e bossa à francesa, como em “Je Ne Veux Pas Travailler”, uma versão do Pink Martini chamada “Sympathique”. E tem ainda um toque de romantismo italiano-francês com “Come Prima”, que apesar de ser em italiano, tem aquele espírito dos crooners franceses da época, superapaixonado.

Costumo incluir músicas mais recentes, como “Ah Que La Vie Est Belle”, da Zaho de Sagazan, que representa essa nova geração de artistas que misturam chanson com música eletrônica e poesia contemporânea.

Eu diria que o repertório passeia por muitos caminhos, do vintage ao atual, mas sempre com a alma da canção francesa bem presente.

Este espetáculo existe há algum tempo. Quando e como este espetáculo foi criado?

Criei o “Vive La Chanson”, em 2014, como forma de estudar francês e explorar a minha voz e interpretação nessas músicas que tanto exigem técnica e intenção. E assim acabei me apaixonando pelas letras e melodias até que o projeto se tornou importante na minha vida. O mais importante projeto paralelo à minha carreira solo.

Quantas vezes “Vive La Chanson” já foi apresentado e por quais cidades, estados e países já passou?

Já perdi a conta de quantas vezes foi apresentado. Entre seus diferentes formatos e entre shows particulares e abertos, eu diria que mais de cem com certeza. Passamos por muitas cidades do Brasil: São Paulo, Curitiba, Salvador, Rio de Janeiro, Piracicaba, Vitória, Campinas, Recife. E fora do Brasil, já apresentei este show em Lisboa, Porto e Paris.

O que mudou do início do espetáculo para os dias atuais?

O “Vive La Chanson” começou como uma forma de estudo para mim, logo recebi muitos pedidos para eventos fechados e mantive este projeto quase que secretamente, só apresentando em eventos fechados, por muitos anos. Foi há três anos que resolvemos testar e logo estreando no Blue Note SP. Para a minha surpresa, foi um sucesso. Fiquei muito feliz e então resolvemos fazer novas edições.

Quem são os integrantes da banda que a acompanharão nos dias 12, 13 e 20 de junho?

Para o show do dia 12, no Baretto, estarei acompanhada do Hanser Ferrer no piano, e Liander Lobo, no contrabaixo acústico. Para as apresentações dos dias 13 e 20, estarei com o Hanser Ferrer, no piano, e Zeli Silva, no contrabaixo acústico.

Qual a particularidade musical mais latente de cada um deles?

Todos são excelentes músicos. A formação do projeto sempre foi com o Hanser e o Zeli. Hanser é cubano, sobrinho-neto do Hibraim Ferrer, do Buena Vista Social Club. Uma família de músicos espetaculares. Ele toca incrivelmente bem e com um sotaque cubano no som, quando quer. O Zeli também é maravilhoso, ele tem inúmeros projetos e discos e é mestre na faculdade Santa Marcelina de música. Me sinto muito honrada em tê-los nesse projeto, temos um entrosamento total, é uma delícia fazer show com eles. É como se pudesse saltar de um trapézio, faço o que quero com a voz, improviso, e eles vão atrás sem perder o chão por nem por um segundo.

De quem é a direção musical do espetáculo e quem escolheu o repertório?

A idealização do projeto e concepção, assim como a direção, são minhas. Eu quem faço a pesquisa e escolha de repertório de cada show. E eles [os músicos] me ajudam com algumas sugestões e escolha da ordem nos ensaios, o que faz muita diferença no resultado.

Qual a proposta de “Vive La Chanson” e quais períodos da canção francesa você contempla no espetáculo?

Nesse espetáculo eu faço uma verdadeira viagem por vários períodos da canção francesa. A ideia é mostrar como essa música evoluiu ao longo das décadas, mas sem perder a alma e a poesia que são tão características.

Começo com as canções mais clássicas, que representam o período da “chanson réaliste” e da era de ouro da canção francesa, principalmente das décadas de 40, 50 e 60. Músicas da Edith Piaf como “La Vie en Rose”, “Milord”, “Non Je Ne Regrette Rien” e “La Foule” trazem essa atmosfera intensa e emocional. Também incluo “Sous Le Ciel de Paris”, que é bem emblemática dessa época.

Depois passo por canções dos anos 60 e 70, como “Tous Les garçons et Les Filles”, da Françoise Hardy, que representa bem o movimento yé-yé, com uma linguagem jovem, mais simples, porém cheia de charme. É uma virada para uma França mais pop.

Já nos anos 2000 e 2010, entro numa fase mais contemporânea, com artistas como Carla Bruni, Zaz e Claire Denamur, que trazem uma nova roupagem para a canção francesa, misturando folk, pop e chanson. São músicas que falam de temas íntimos, amorosos, existenciais, mas com uma sonoridade mais leve e atual.

E, mais recentemente, trago também algo da nova geração dos anos 2020, com artistas como Barbara Pravi, com”Voilà Voilà”, e Zaho de Sagazan, com “Ah Que La Vie Est Belle”, que representam muito bem essa nova cena francesa, mais autoral, mais ousada, com elementos de música eletrônica e muita poesia contemporânea.

Então, no total, o espetáculo cobre cerca de oito décadas da canção francesa, dos anos 40 até hoje, passando por todos esses momentos importantes. É uma linha do tempo musical – e afetiva também – da França. Eu estou sempre adaptando e mudando o repertório, colocando sempre novas músicas que estou ouvindo no momento ou que me chamaram a atenção e senti que se encaixariam no repertório.

Qual desses períodos você considera o mais importante e por quê?

Eu acho que todos os períodos foram importantes e marcantes à sua maneira, porém é inegável que a época de ouro da música francesa, representada pela voz da Edith Piaf, ganhou o mundo e atravessou o tempo de maneira ímpar. Não à toa, são as músicas mais pedidas e também mais intensas e emocionantes do show. E sinto isso de dentro pra fora e de fora para dentro, é realmente tocante o que a música faz.

Há alguma composição de sua autoria no espetáculo?

Neste tour do “Vive La Chanson” não estou cantando músicas minhas, pois são estilos diferentes e quis deixar estes projetos separados até para valorizá-los, cada qual com a sua proposta.

Descreva três canções do espetáculo citando algumas particularidades musicais de cada uma delas .

“Je Ne Regrette Rien” é muito poderosa. Foi composta em 1960 por Charles Dumont e Michel Vaucaire e eternizada na voz de Édith Piaf. Ela fala de não se arrepender de nada – nem dos erros, nem dos amores – e foi adotada como hino simbólico por soldados da Legião Estrangeira Francesa.

Piaf, que teve uma vida cheia de altos e baixos, se identificou tanto com a letra que a chamou de “a música que estava esperando”. Um verdadeiro hino de recomeço. Eu a interpreto como uma canção otimista e que representa a sabedoria da vida ao não somente aceitar tudo o que foi, como valorizar, ter orgulho pois somos quem somos por tudo o que vivemos.

Já a irônica “L’amour”, da Carla Bruni, foi lançada em 2013 no álbum “Little French Songs”. Sou fã dela, em estilo de voz e pessoal, além de adorar o seu jeito de compor. Acho esta música genial, pois ela desdenha do amor com tanta ironia, que confessa ser uma apaixonada. Amo interpretar essa música, ainda mais porque uso a voz de forma quase que oposta a dela. Ela usa a voz rouca e sexy, e eu imprimo a voz mais potente e nítida. Então acaba sendo uma versão muito diferente da original.

A canção “Voilà” traz uma letra confessional. Essa música foi lançada em 2020 e ficou conhecida no mundo todo depois de representar a França no [festival] Eurovision. Ela apresentou ao mundo a voz poderosa de Barbara Pravi. A música é fortemente inspirada na tradição de Piaf, Brel e Aznavour [Charles], com uma entrega emocional intensa, letra autobiográfica e arranjos simples, centrados na interpretação. É o verdadeiro renascimento da chanson francesa na era moderna.

Qual dessas canções muito lhe emociona e por quê?

Atualmente, “Voilà”, pois é um desabafo poético de alguém que quer ser ouvida, reconhecida e amada pelo que é, sem filtros. Uma música sincera de uma “cantautora” ávida por ser ouvida, e por isso me identifico. Pela sinceridade e autenticidade. Ela diz o que todo artista um dia já sentiu ou sente.

Tecnicamente qual delas exige mais de sua voz e por quê?

O repertório tem muitas músicas “difíceis”, que exigem muito da voz em termos de extensão vocal e também interpretação. Mas acho que uma que me chama atenção é “Sur Le Ciel de Paris”, pois modula duas vezes e uma delas, no meio da frase. É uma música que exige entrega total. Muito linda de ser ouvida. Descreve as nuances e atmosfera da cidade como uma personificação de Paris, com humor e graça.

Durante suas apresentações o público pede que você cante uma determinada canção? Qual?

Sim, sempre tem alguém que pede alguma música. Mas como ao longo do tempo fui incorporando as mais pedidas no repertório, acaba que o show atende naturalmente a maioria delas.

Você atende a pedidos durante ou após suas apresentações?

Se eu sei cantar e os músicos tocarem, improvisamos numa boa. Inclusive adoro um: “Quem sabe faz ao vivo!”.

Qual sua opinião sobre pessoas fazendo pedidos de músicas durante ou após suas apresentações? Você é favorável que o público faça pedidos?

Eu acho que depende da ocasião. Tem que haver bom senso. Tem shows e momentos que não cabe, pois preparamos uma dinâmica especial. Mas tem horas, tipo no bis, que dependendo do artista e do show, é superlegal de acontecer. Traz uma humanidade e proximidade com o público. Eu particularmente gosto de realizar esses pedidos.

Quais são os comentários das pessoas que assistiram ultimamente ao espetáculo?

As pessoas vem falar comigo muito emocionadas e isso me surpreende, fico muito feliz e me emociono junto. Eu não achava que este projeto teria uma comoção tão intensa. Tem sido lindo de ver e sentir.

Com o que as pessoas se deparam ao assistir “Vive La Chanson”?

Com uma cantora apaixonada pelo que faz, acompanhada por excelentes instrumentistas também apaixonados. Nos divertimos no palco, é um show que é uma delícia de compartilhar, um mergulho emotivo mesmo.

Por que elas devem assistir ao espetáculo?

Porque tenho certeza de que viverão no mínimo algo inusitado, e muito provavelmente memorável, pois entregamos um lindo show. E como eu não moro no Brasil, são raros os shows por aqui. Venham nos ver nestas únicas datas em São Paulo e no Rio.

O que apresentar “Vive La Chanson”, por todos esses anos, lhe ensinou?

O “Vive La Chanson” foi um projeto que me surpreendeu muito. Aprendi demais. Aprendi francês, aprendi sobre a minha voz, meu timbre e sobre o meu estilo. As possibilidades de usar a voz como instrumento, além da conexão emocional que as canções proporcionam… são tantas coisas.. e continuo aprendendo.

SHOW ‘VIVE LA CHANSON’

ARTISTAS Lia Paris (voz), Hanser Ferrer (piano), Liander Lobo (contrabaixo), no dia 12, e Zeli Silva (contrabaixo), nos dias 13 e 20 de junho

QUANDO Quinta-feira (12), às 20h; sexta-feira (13), às 20h; e sexta-feira (20), às 20h

ONDE Quinta-feira (12), no Baretto, r. Vitório Fasano, 88, Jardins, São Paulo, tel. (11) 3896-4000; sexta-feira (13), na Blue Note SP, av. Paulista, 2073, Bela Vista, São Paulo, tel. (11) 97428-2548; e sexta-feira (20), às 20h, na Blue Note Rio, av. Atlântica, 1910, Copacabana, Rio de Janeiro

QUANTO No Baretto, de R$ 1.680, por casal (inclui couvert artístico, jantar com entrada, prato principal, sobremesa, bebidas não alcoólicas e uma taça Perrier-Jouët Grand Brut por pessoa) a R$ 2.865, por casal (inclui couvert artístico, jantar com entrada, prato principal, sobremesa, bebidas não alcoólicas e uma garrafa Perrier-Jouët Grand Brut por pessoa); na Blue Note SP, de R$ 60 a R$ 120; na Blue Note do Rio de Janeiro, de R$ 60 a R$ 120

Autor: Folha

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