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As fitas cassete que Leonilson gravou nos últimos anos de vida chegam revisitadas às livrarias. “Leonilson: Diários de uma Voz” (Projeto Leonilson, R$ 100, 232 págs.) reúne trechos do diário falado do artista. São registros íntimos feitos pouco antes de sua morte, em 1993, em decorrência da Aids —doença que, naquela época, carregava o peso de uma sentença.
Editado por João Anzanello Carrascoza com o aval da família do narrador, o livro difere da versão informal que circulou nos anos 1990 (produzida por amigos e vetada por familiares). A nova edição é menos explícita em sua dimensão erótica e mais discreta quanto à homossexualidade do artista, o que altera significativamente o retrato que emerge das gravações.
“Fissurado em amores impossíveis, sem vida sexual, de repente ele aparece com Aids. O leitor fica sem entender, com a sensação de que faltam peças neste quebra-cabeça”, aponta o repórter João Perassolo.
A família de Leonilson ainda ressalta que o livro não pretende funcionar como uma autobiografia nem como relato definitivo de sua trajetória. As fitas registram apenas o trecho final de sua vida e oferecem um ponto de vista. Em alguns casos, pessoas citadas afirmam guardar memórias diferentes dos episódios narrados.
Acabou de Chegar
“Voltar a Quando” (Biblioteca Azul, R$ 69,90, 232 págs.) é um romance polifônico que narra os efeitos da ditadura venezuelana sobre uma família. A autora María Elena Morán articula cinco vozes e estilos narrativos distintos para compor um caleidoscópio de personagens imperfeitos e narrar o desastre que tomou seu país de origem. Segundo a crítica Paula Sperb, Morán constrói uma narrativa que vai além do diagnóstico político, fortalecida pela empatia com que narra conflitos humanos atravessados pela história.
“Piscinas Russas” (Tusquets, R$ 69,90, 352 págs.), de Renata Belmonte, mistura diferentes personagens que recorrem a “experiências estéticas para dar sentido a tumultos interiores e traumas coletivos”, como escreve a crítica Stefania Chiarelli. A história tem como eixo a personagem Malena Matrice, fotógrafa marcada pelo suicídio da mãe cuja trajetória entre Nova York e o Brasil se cruza com diferentes linguagens —da fotografia à literatura, do documentário à crítica cultural.
“Revolução” (Companhia das Letras, R$ 99,90, 432 págs.) é mais uma narrativa sobre família. O livro de Hugo Gonçalves acompanha três irmãos divididos politicamente no turbulento período após a Revolução dos Cravos em Portugal, em abril de 1974. Como observa o repórter João Gabriel de Lima, os personagens evocam figuras reais da época, com uma irmã conservadora, um jornalista e uma apoiadora do regime socialista.
E mais
Cinquenta anos após sua morte, Agatha Christie segue viva porque aperfeiçoou e popularizou como ninguém a fórmula do romance policial “whodunit” –em que o espetáculo é o enigma e não a morte. Com 80 livros publicados e personagens recorrentes como Hercule Poirot e Miss Marple, ela ambienta suas histórias entre a Primeira Guerra e a Guerra Fria, influenciada pelo que viu em suas andanças pelo mundo. A autora se baseia em arquétipos que ainda conversam com o mundo de hoje.
A escritora americana Colleen Hoover encerrou seu hiato na última semana com o lançamento de “Mulher em Queda” (trad. Priscila Catão, Galera Record, R$ 59,90, 378 págs.). A protagonista é uma escritora cancelada após polêmicas envolvendo a adaptação de seu livro mais famoso. Embora ela negue paralelos, o repórter Guilherme Luís aponta que a obra espelha a vida de Hoover, que diminuiu sua presença nas redes sociais depois das controvérsias do filme “É Assim que Acaba”, adaptação de seu livro homônimo lançada em 2024.
Em “Deixa pra Lá” (trad. Alessandra Bonrruquer e Ivanir Callado, BestSeller, R$ 49,90, 332 págs.), a autora Mel Robbins defende que tentar controlar os outros só leva à perda de controle sobre si mesmo e propõe focar nas próprias ações. A teoria, que virou best-seller e ganhou tração nas redes sociais, parte do reconhecimento da realidade e da responsabilidade que cabe a cada um. “Quanto mais você tenta controlar as pessoas, mais controle perde”, ela diz em entrevista a Giulia Peruzzo.
Além dos Livros
O TikTok anunciou as vencedoras de seu primeiro concurso literário no Brasil, o Livros do Futuro. Giulia Cavalcanti, Dani Vinci e Elisa B. foram as laureadas que terão seus livros publicados ainda neste semestre por HarperCollins, Globo Livros e Galera Record, respectivamente. A iniciativa, como aponta o editor Walter Porto, marca a primeira vez em que a plataforma influi diretamente na grade de publicação do mercado editorial brasileiro.
A editora Aleph vai passar a publicar, a partir do segundo semestre, romances de ficção científica escritos por autores brasileiros. Cinco títulos já estão contratados, com histórias que exploram temas como inteligência artificial, vigilância, alienígenas e avatares. A aposta, como diz a coluna Painel das Letras, atende a uma demanda antiga de leitores fãs do gênero.
A defesa de Jair Bolsonaro pediu ao STF a inclusão do ex-presidente no programa de remição de pena por leitura. A reportagem de Laura Intrieri explica que, caso autorizado, Bolsonaro poderá ler títulos de uma lista pré-selecionada que inclui autores como George Orwell, Frei Betto, Conceição Evaristo, Machado de Assis, Djamila Ribeiro, Chimamanda Adichie e Margaret Atwood.





