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Lucas Braathen só quer ser ele mesmo; por isso, é Brasil – 06/02/2026 – Esporte

Pesquise as entrevistas concedidas pelo esquiador Lucas Pinheiro Braathen, sejam elas publicadas em veículos brasileiros, na imprensa internacional ou nos canais de seu principal patrocinador. Será muito difícil terminar a leitura ou a audição sem se deparar com alguma versão da frase “eu só quero ser eu mesmo”.

Nascido em Oslo, na Noruega, o atleta de 25 anos é obcecado pela livre expressão de sua identidade. E esse é um dos motivos pelos quais disputará medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno defendendo a bandeira do Brasil, país de origem de sua mãe.

Seus pais se separaram quando ele tinha três anos. Ficou inicialmente com a mãe, em São Paulo, antes de acompanhar o pai, norueguês, que o apresentou ao esqui alpino e a uma vida nômade por estações da modalidade na Europa. Até os 22 anos, já havia se mudado 21 vezes.

“Não me sentia em casa em lugar nenhum. Eu adotava o sotaque local, imitava o comportamento. Eu mudava minha personalidade, meu sotaque, meus interesses, com tanta frequência, para depois perdê-los. Então, parei e aprendi a ser eu mesmo”, afirmou.

Inicialmente resistente ao esqui –fã de Ronaldinho Gaúcho, queria ser jogador de futebol–, acabou enxergando na neve um espaço para se expressar. Mas essa expressividade nem sempre foi bem-vista em um esporte no qual ainda existe um conceito um tanto rígido de elegância e disciplina.

“Meu jeito de esquiar é uma representação da minha personalidade, da minha história. Quero mostrar que não importa de onde você é, o seu sotaque, a sua roupa. Que o que importa são seus sonhos e que você pode fazer tudo o que quer”, disse.

À sua maneira, Lucas construiu um sólido início de carreira e chegou em 2023 ao título da Copa do Mundo de esqui alpino, na modalidade slalom, com as cores da Noruega. Em seguida, por divergências com a federação de seu país, “sem espaço para mostrar personalidade”, surpreendeu ao anunciar a aposentadoria, aos 23 anos.

A parada não durou muito. Em 2024, anunciou o retorno, arquitetado em parceria com a CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve). Autorizado a ter o próprio time de preparação e os próprios patrocinadores, ficou livre também para atuar como DJ e designer e à vontade para celebrar as vitórias com botas de caubói, unhas pintadas e sambadinha no pódio.

“Para recuperar quem eu sou, precisei arriscar perder o esporte que amo. E, nesse risco, encontrei algo muito maior: eu mesmo”, afirma, em trecho do documentário “Lucas Pinheiro Braathen – do Meu Jeito”, disponível no Globoplay.

Na entrevista coletiva em que declarou estar de volta, celebrou uma nova possibilidade. “Agora posso mesclar meu eu criativo e meu atleta”, disse o esquiador, que gosta de dividir nas redes sociais alguns de seus momentos com a namorada, a atriz brasileira Isadora Cruz, protagonista da novela “Coração Acelerado”, da TV Globo.

“Quero criar mais amplitude e aceitação para a diversidade na comunidade esportiva, mostrando que você pode realizar tudo o que quer, não importa quem seja ou de onde venha. O Brasil sempre teve uma grande influência na formação da pessoa e do atleta que eu sou. Ter a oportunidade de representar 200 milhões de brasileiros é um sonho que se tornou realidade”, sorriu.

Agora Lucas pode desfrutar o carinho da torcida brasileira, que já o abordou em competições com presentes como pães de queijo e brigadeiros. “Esse é um tipo de amor que só existe no Brasil.”

Será em verde e amarelo que ele brigará por medalhas nos Jogos de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália. Ele estará nas disputas do slalom e do slalom gigante –atualmente, é o segundo colocado em ambas as categorias na Copa do Mundo.

Disposto a mostrar quem é.

Autor: Folha

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