segunda-feira, abril 6, 2026
19.9 C
Pinhais

Luciano Hang usa imagem pessoal como estratégia na Havan

O que começou em 1986 como uma pequena loja de tecidos na cidade de Brusque (SC) transformou-se em uma rede de 190 espaços chamados de megalojas espalhados pelo Brasil. Por trás da expansão da Havan — marca presente em 23 estados e no Distrito Federal — está Luciano Hang.

Além de empresário, com o passar do tempo Hang se tornou o rosto das estratégias de marketing da marca. Com quase 15 milhões de seguidores nas redes sociais, ele transformou a Havan em um fenômeno de negócios.

Carinhosamente apelidado como “Véio da Havan”, por onde passa Hang reúne centenas de admiradores pela trajetória pessoal e da rede de lojas, conhecida pela Estátua da Liberdade e pela fachada que lembra a Casa Branca.

empresário dono da Havan, Luciano Hang, vestido com sobretudo preto, chapéu preto em uma campanha do velho oeste
Luciano Hang transformou sua imagem pessoal em um dos principais ativos de comunicação da Havan. (Foto: Divulgação/Havan)

Neste ano, a Havan completa 40 anos com inaugurações previstas para os estados de Ceará, Amapá e Roraima, únicos que ainda não possuem lojas da empresa. Com mais de 23 mil colaboradores em todo país, a Havan gera milhares de empregos diretos e indiretos, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social das regiões onde atua.

Os números demonstram o crescimento da Havan, principalmente nos últimos anos. De acordo com informações da rede de megalojas, em 2025 o faturamento chegou a R$ 18,5 bilhões, um crescimento de mais de 16% em relação ao ano anterior e a maior marca registrada pela empresa. O resultado reflete o aumento no número de clientes e o desempenho das vendas. O lucro líquido atingiu R$ 3,5 bilhões.

VEJA TAMBÉM:

  • fachada de um dos postos Havan de Luciano Hang

    O negócio pouco conhecido de Luciano Hang que amplia o império da Havan

Como Luciano Hang começou a usar sua imagem como estratégia para o crescimento da Havan

À reportagem da Gazeta do Povo, Hang contou que pensava na Havan de uma maneira que a empresa estivesse nos holofotes, o dono não. “Somente depois de 30 anos que resolvi aparecer para acabar com rumores e fofocas de que a Havan era do filho de um político, de chineses, americanos ou de outros estrangeiros”, disse ele.

Foi então que surgiu a primeira campanha com a presença de Luciano Hang, com o mote “de quem é a Havan?”. Com a boa receptividade, o empresário passou, em 2018, a ter visibilidade como um ativista político.

“Naquele ano tinha eleição para presidente, senador, deputados e governadores, e eu queria dar a minha opinião sobre os candidatos. Desde então continuo falando o que penso e também sigo à frente de muitas campanhas publicitárias da Havan, como protagonista”, afirmou Hang.

empresário dono da Havan, Luciano Hang, vestido com uma jaqueta de couro preta, segurando uma guitarra bege nas mãos com um cabelo moicanoCom forte posicionamento público, Luciano Hang ampliou a visibilidade da Havan em todo o país. (Foto: Divulgação/Havan)

Por acreditar que uma empresa “não é feita de concreto e aço, mas de corpo, alma e coração”, Hang salientou que a Havan preza pelo marketing humanizado. “E nada melhor do que a figura do proprietário para dizer o que pensa da empresa, como ela funciona e deve ser. Dessa forma conseguimos ganhar o coração dos nossos clientes”.

Para que a engrenagem do marketing da rede de lojas funcione, a empresa investe em uma agência de publicidade própria, com cerca de 80 colaboradores. “A Havan é a cara do dono e o dono é a cara da Havan”, cravou ele.

VEJA TAMBÉM:

  • Indústria de móveis de madeira maciça, em São Bento do Sul (SC).

    Polo centenário de móveis de SC quer selo internacional para distinguir madeira maciça de MDF e painéis

Estratégia antiga é reforçada pelas redes sociais

O especialista em marketing e branding da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Marcos Bedendo aponta que transformar o dono em símbolo da marca está longe de ser uma novidade, especialmente no varejo. Historicamente, empresas sempre estiveram associadas à figura de quem as comanda.

“Na época pré-industrial, a empresa tinha a cara do dono. Era essa pessoa que emprestava credibilidade e garantia ao consumidor que havia alguém por trás para honrar acordos”, assinalou.

Esse modelo é ainda mais comum no varejo, onde a confiança é um ativo central. “O varejo funciona como intermediário, então o dono aparece como uma referência de reputação e qualidade”, afirmou.

De acordo com Bedendo, essa personalização foi impulsionada, nos últimos anos, pelas redes sociais. “Você volta a humanizar quem está por trás da marca. As pessoas querem saber quem é o dono ou o CEO”, disse.

empresário dono da Havan, Luciano Hang, vestido com um pijama azul, com orelhas e maquiagem de coelho da Páscoa, segurando em uma das mãos um coelho de pelúcia e na outra um ovo de páscoaA estratégia de marketing da Havan aposta na figura do fundador, Luciano Hang, como símbolo da marca. (Foto: Divulgação/Havan)

Marca pode assumir diferentes rostos para se comunicar

Bedendo ressalta que não há diferença estrutural entre o branding centrado no dono e os modelos não personalistas. “O essencial é a marca conseguir transmitir seus significados. Para isso, ela recorre a símbolos, que podem ser uma pessoa, um mascote, um porta-voz contratado ou até elementos como cores e logotipo”, exemplificou.

Na avaliação do especialista, o perfil pessoal também pesa nessa escolha. De acordo com ele, algumas pessoas têm um carisma característico ou uma forma de comunicar que conecta mais com o público.

“A pessoa pode gostar ou desgostar do Luciano Hang, mas ele tem uma forma peculiar, ele se sente bem se expondo em público. Então ele é, naturalmente, um candidato a ser porta-voz que faz sentido para sua marca”, acrescentou o especialista.

VEJA TAMBÉM:

  • Ratinho Junior aparece em vídeos de campanha como protagonista do ‘Modelo Paraná’ e usa metáforas para abordar polarização política.

    O marqueteiro que faz Ratinho Junior virar jedi e compara política a refrigerante

Redes sociais ampliam conexão — mas não garantem vendas

Na avaliação de Bedendo, a presença do empresário nas redes sociais fortalece principalmente a conexão com o público. “Existe quase um mantra: pessoas se conectam com pessoas, não com marcas”, afirmou.

Entretando, essa visibilidade não é sinônimo automático de resultados financeiros. “Não necessariamente isso vai gerar vendas ou expansão. É uma forma de comunicação que pode ser mais efetiva em algumas situações”, pontuou.

empresário dono da Havan, Luciano Hang, vestido com sobretudo preto, chapéu preto ao lado do cantor Luan Pereira vestido de cowboy em uma campanha do velho oestePresença de Luciano Hang nas campanhas publicitárias ajudou a consolidar a identidade da Havan junto ao público. (Foto: Divulgação/Havan)

Ao se tornar o principal porta-voz, o empresário Luciano Hang assume o papel de influenciador da própria marca, o que proporciona oportunidades, mas não isenta de riscos. Segundo Bedendo, posicionamentos pessoais, especialmente políticos, podem impactar diretamente a percepção do público.

“Você pode aproximar alguns grupos e afastar outros.” Diferentemente de celebridades contratadas para campanhas, o dono não pode ser facilmente dissociado da empresa. “Não dá para mandar embora o fundador. Ele direciona a marca para um caminho”.

Autor: Gazeta do Povo

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas