Aliados do presidente Lula (PT) afirmam que ele não deverá intervir nem se manifestar sobre o escândalo que tem como pivô o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Esses colaboradores de Lula evocam a autonomia do Banco Central para argumentar que essa não é uma pauta do governo.
Apesar do apreço pessoal de Lula pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do apoio a medidas saneadoras da economia, a avaliação é ainda a de que o Executivo não deve se envolver diretamente, especialmente em um processo já em curso no STF (Supremo Tribunal Federal).
O banco contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição, de acordo com o jornal O Globo, o que gerou debates sobre potenciais conflitos de interesse. Essa seria também outra razão pela qual Lula tem sido aconselhado a não intervir no caso.
Essa avaliação de aliados de Lula destoa da opinião de integrantes da equipe econômica, que citam os valores vultuosos da fraude atribuída ao Master, para defender enfaticamente a liquidação do banco.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a afirmar, no dia da liquidação, que o ministério está pronto para colaborar com o Banco Central. Ele afirmou, porém, que não comentaria a decisão por se tratar de assunto delicado e da alçada da autoridade monetária.
“O Banco Central é o regulador do sistema financeiro e eu tenho certeza que, para ter chegado a esse ponto, todo o processo deve estar muito robusto”, afirmou o ministro.
“O que cabe à Fazenda é dar suporte para as consequências desse ato [e], se houver [necessidade], nós estamos aqui prontos para colaborar.”
Em mais um capítulo do processo que levou à liquidação da instituição financeira, a Polícia Federal tomará nesta terça-feira (30) depoimentos de Vorcaro e do ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa sobre a tentativa frustrada de venda do banco.
Embora não seja investigado no inquérito, a PF também ouvirá o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Após essa etapa inicial será decidido se haverá uma acareação entre os três. A audiência foi determinada pelo ministro Dias Toffoli, do STF.
A liquidação do Master foi decretada no dia 18 de novembro após Vorcaro falar ao BC que tinha um plano de reestruturação e que tinha encontrado um comprador para o banco: a Fictor, empresa pouco conhecida no setor, em conjunto com investidores dos Emirados Árabes cuja identidade nunca foi revelada.
O processo no qual ocorreria a acareação é sigiloso. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.
A investigação sobre a tentativa de venda do Master apontou que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB —R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus.
Além da liquidação do Master, o escândalo levou Vorcaro, seu controlador, à prisão. Após 12 dias na cadeira, ele foi liberado, mas segue monitorado por tornozeleira eletrônica.





