Ao longo da semana, Lula se manteve em evidência nas redes sociais por conta de suas falas. Lula admitiu ter chamado o filho Fábio Luís, o Lulinha, para discutir suspeitas de desvios no INSS afirmando que teria que pagar caso estivesse envolvido. No dia seguinte, no aniversário de 46 anos do PT em Salvador, anunciou que “acabou o Lulinha paz e amor” e convocou o partido para uma “guerra” contra as mentiras nas redes. Quando Lula expôs o caso de seu filho, a palavra Lulinha começou a repercutir de forma negativa e, apesar da segunda fala trazer novo significado, não foi suficiente para desviar a atenção.
Os dados da Palver, que analisa em tempo real mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram, mostram que cerca de 67% das mensagens que citam Fábio Luís são negativas, e quando seu nome aparece associado a Lula a rejeição sobe para quase 78%. A frase “acabou o Lulinha paz e amor” dominou as buscas e portais de notícias, mas nos grupos de mensageria persistiu a associação entre pai, filho e corrupção. A oposição torce para que o caso vire um escândalo capaz de reviver a narrativa de corrupção que recaiu sobre Lula durante a Lava Jato, e o contexto do INSS é ainda mais grave por envolver benefícios de aposentados.
Além disso, o caso do Banco Master deixa o tema da corrupção em destaque. 75% das mensagens associando o Banco Master a Lula são negativas; o banco isolado tem 53% de críticas. O Senado instalou uma subcomissão com poderes para quebrar sigilos bancários e telefônicos e apurar fraudes, o que pode trazer novos capítulos ao caso. Quase 43% das menções a Daniel Vorcaro são negativas, e as mensagens sobre ele têm alta taxa de reenvio, sinal de que possuem potencial de se espalhar rápido.
O tema da corrupção só saiu dos holofotes quando Donald Trump publicou um vídeo que retrata Barack e Michelle Obama como macacos. Nos grupos da Palver, 38% das menções a Obama são negativas, enquanto 42% criticam Trump e consideram a postagem como sendo racista. O episódio repercutiu nos grupos da direita seguido de montagens falsas ligando o ex-presidente ao caso Epstein. Assim, a extrema direita global sincroniza símbolos de ódio e teorias conspiratórias.
Um dos pontos de respiro para a esquerda veio do outro lado do Atlântico. O segundo turno da eleição presidencial em Portugal teve como vencedor o socialista António José Seguro, que bateu o líder da extrema direita André Ventura. A vitória do socialista devolveu a esquerda à presidência após duas décadas. Um dos pontos de atenção é o elevado índice de abstenção, que ultrapassou 40%. Nos grupos brasileiros, Ventura recebeu apoio, e é um dos personagens estrangeiros mais populares nos grupos analisados. Para parte da direita, a derrota do radical é prova de que “o sistema” persegue outsiders, reforçando a sensação de que a democracia está capturada.
A dura fala de Lula sobre as redes sociais e desinformação apontam a preocupação existente em torno do potencial de dano vindo do ambiente digital. O presidente tenta blindar o governo e disciplinar o partido para que seja enfático no que ele chama de uma campanha da “verdade derrotando a mentira”, mas a maré de desconfiança permanece alta. As notícias envolvendo o Lulinha e o contínuo destaque do escândalo envolvendo o Banco Master dominaram o debate ao longo da semana e colocam o governo em uma posição defensiva. As campanhas eleitorais vão focar energia em construir narrativas capazes de transformar escândalos e ressentimentos em votos, e por isso toda precaução se faz necessária.
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Autor: Folha




















