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Maioria dos lusófonos quer viver em Portugal, diz pesquisa – 07/02/2026 – Mundo

A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) é formada por nove nações espalhadas por quatro continentes. Se tivessem que escolher um lugar para viver, grande parte de seus cerca de 300 milhões de habitantes elegeria Portugal. Se a nação lusa é o objeto de desejo de moradia, o Brasil se destaca como principal produtor e exportador de cultura.

Estas são algumas das conclusões do Barômetro da Lusofonia, pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) de São Paulo sob a coordenação de Antônio Lavareda, presidente do Conselho Científico da entidade.

“O diferencial da pesquisa reside sobretudo em investigar diretamente o interesse, a familiaridade e as trocas culturais entre as populações dos países pesquisados“, disse Lavareda no evento de lançamento, em Lisboa. “O estudo ilumina vínculos simbólicos, culturais e identitários que atravessam o mundo de língua portuguesa, frequentemente invisíveis nas análises tradicionais”, afirma.

Perguntados sobre em quais países de língua portuguesa gostariam de morar além do lugar onde vivem, 62% dos entrevistados apontaram Portugal como primeira escolha. O Brasil, com 32%, aparece num distante segundo lugar. Portugal, por sua vez, é o único dos países pesquisados com um ambiente desfavorável a estrangeiros, segundo seus próprios cidadãos.

O relatório que acompanha a pesquisa atribui este resultado, entre outras coisas, ao “contexto europeu marcado pela expansão de discursos políticos radicais, contrários à imigração“.

O Brasil é visto como o principal exportador de produtos culturais, de acordo com 68% dos que responderam à pesquisa —Portugal chegou em segundo lugar com 56%. O levantamento mostra que o mundo lusófono está interessado no Brasil, mas a recíproca não é necessariamente verdadeira. Somos o país que menos consome a produção cultural dos irmãos de idioma –34% contra 94% de Moçambique, o mais antenado na Comunidade.

No quesito democracia, o caso de Cabo Verde merece destaque. O país é um dos poucos países africanos a pontuar bem no V-Dem, o principal ranking do mundo sobre qualidade democrática –está na mesma categoria, “democracia eleitoral”, de Brasil e Portugal. O Barômetro informa também que se trata do país de língua portuguesa com maior percentagem de mulheres no parlamento, e o segundo melhor em índice de igualdade de gênero, atrás apenas de Portugal.

Quando perguntados sobre se estão satisfeitos com sua democracia, no entanto, apenas 27% dos cabo-verdianos deram uma resposta positiva, ficando à frente apenas de São Tomé e Príncipe (22%) na pesquisa.

“Esse número demonstra que ter eleições livres e justas não é suficiente”, diz a cientista política Edalina Rodrigues Sanches, professora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e conselheira do Ipespe. “Os cidadãos ficam insatisfeitos quando consideram que a democracia não consegue resolver os problemas do país”.

No campo da saúde democrática merece também destaque o capítulo sobre consumo de notícias e incidência de fake news. Em Portugal, a televisão lidera como principal meio de informação, de acordo com 74% dos que responderam a pesquisa. No Brasil, a liderança é das redes sociais (50%), seguida pelos sites e portais informativos (44%). A televisão ficou em terceiro, lembrada por 38% dos respondentes.

Portugal (83%) e Brasil (80%) lideram em número de cidadãos que declararam já ter recebido fake news. Entre os moradores dos países de língua portuguesa, os brasileiros (77%) são, de longe, os que mais se preocupam com os impactos da desinformação.

Na área do esporte, os brasileiros não são a principal referência em futebol, apesar do status de pentacampeões mundiais. 54% dos entrevistados preferem acompanhar os clubes portugueses, que disputam na Europa as principais ligas do mundo. O futebol brasileiro só é seguido por 31% dos respondentes.

Saúde, educação e desemprego aparecem no topo das preocupações de todos os países. Sociedades marcadas pelo tráfico de pessoas escravizadas, quase a totalidade dos cidadãos entrevistados reivindica que o estudo do tema deveria ser obrigatório nas escolas.

O conservadorismo de costumes é outro traço comum. A união afetiva entre pessoas de mesmo sexo é repudiada pela maioria dos cidadãos em seis dos oito países pesquisados –as exceções são Portugal e Brasil.

Contando com parcerias com várias universidades e organizações da sociedade civil, o Ipespe pretende tornar o Barômetro da Lusofonia bianual. A pesquisa entrevistou 5.688 pessoas em oito países –Portugal, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique e Timor Leste.

Autor: Folha

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