quarta-feira, janeiro 14, 2026

Mais americanos estão sobrevivendo ao câncer – 14/01/2026 – Equilíbrio e Saúde

Mais americanos diagnosticados com câncer estão sobrevivendo à doença, marcando uma tendência positiva que, segundo especialistas, reflete a eficácia das estratégias de prevenção e detecção precoce e os avanços nos tratamentos e cuidados.

Dados do relatório anual da Sociedade Americana de Câncer, divulgado nesta terça-feira (13), mostram que pela primeira vez a taxa de sobrevida de cinco anos atingiu 70% para todos os tipos de câncer, com os ganhos mais notáveis de sobrevivência ocorrendo entre pessoas diagnosticadas com cânceres mais fatais como mieloma (um câncer do sangue), câncer de fígado e câncer de pulmão.

“Sete em cada 10 pessoas agora sobrevivem ao câncer por cinco anos ou mais, taxa que era de apenas metade em meados dos anos 1970”, afirma Rebecca Siegel, diretora científica de pesquisas de vigilância da Sociedade Americana de Câncer (ACS, na sigla em inglês) e autora principal do relatório, em nota à imprensa.

“Esta vitória impressionante é em grande parte resultado de décadas de pesquisa sobre o câncer, que forneceu aos médicos as ferramentas para tratar a doença de forma mais eficaz, transformando muitos cânceres de uma sentença de morte para uma doença crônica“, acrescenta.

Vivendo mais tempo

A taxa de mortalidade por câncer caiu e evitou 4,8 milhões de mortes de 1991 a 2023, segundo o relatório. Para 2026, a projeção é de que os Estados Unidos registrem mais de 2 milhões de novos casos de câncer e mais de 626 mil mortes relacionadas à doença.

A incidência e mortalidade por câncer geralmente parecem mais altas entre homens, constata o relatório.

As melhorias nas taxas de sobrevivência podem ser amplamente atribuídas ao menor consumo de tabaco, a melhores formas de detectar cânceres de forma precoce e ao desenvolvimento de tratamentos mais eficazes, diz William Dahut, diretor científico da ACS. Importante ressaltar, ele diz, que os avanços no tratamento e as novas terapias, que levaram as pessoas a viver por mais tempo, não teriam sido possíveis sem o financiamento de pesquisas.

No início de 2025, o governo Donald Trump cortou milhões em subsídios para pesquisas de saúde, incluindo dinheiro que havia sido destinado a estudos sobre o câncer.

“O foco deve ser realmente a importância do financiamento científico e da descoberta científica para impulsionar melhorias na sobrevida de cinco anos”, afirma Dahut, acrescentando que as tendências observadas em pacientes com câncer metastático, em que a doença se espalhou para outras partes do corpo, são “particularmente impressionantes”.

A taxa de sobrevivência para pessoas com câncer retal metastático aumentou de 8%, em meados da década de 1990, para 18%. Enquanto isso, a porcentagem de pacientes que sobrevivem a um diagnóstico de câncer de pulmão metastático subiu de 2% para 10%.

“No geral, os resultados deste relatório são altamente encorajadores e demonstram que progressos significativos foram feitos na luta contra o câncer”, afirma Sharon Giordano, chefe de oncologia de mama no Centro de Câncer MD Anderson da Universidade do Texas, que não esteve envolvida na pesquisa.

Especialistas enfatizam, contudo, que ainda há trabalho a ser feito para entender melhor os diferentes tipos de cânceres e como tratá-los.

“Décadas de pesquisa e trabalho nesta área levaram a vidas mais longas e melhores para milhões de americanos com câncer”, diz Cardinale Smith, diretora médica do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, que também não participou da pesquisa.

Apesar das reduções no tabagismo, o relatório constatou que o câncer de pulmão deverá causar o maior número de mortes pela doença em 2026. Embora o consumo de tabaco continue sendo o principal impulsionador dos casos de câncer de pulmão, mais pessoas que nunca fumaram também estão sendo diagnosticadas, e os cientistas estão trabalhando para entender o porquê. Alguns especialistas pediram mudanças nas diretrizes de triagem do câncer de pulmão de forma a aumentar o número de pessoas que podem ser examinadas.

O relatório também destacou que as disparidades raciais continuam a existir.

Os indígenas americanos têm a maior mortalidade por câncer e são duas vezes mais propensos que os brancos a morrer de cânceres de rim, fígado, estômago e colo do útero. Jovens que são nativos do Alasca são mais propensos a serem diagnosticados com câncer colorretal, diz Dahut, acrescentando que as taxas da doença nesta população são “as mais altas do mundo”.

A sobrevivência ao câncer é menor entre pessoas negras do que entre pessoas brancas para quase todos os tipos da doença, observa o relatório. Os pesquisadores atribuem isso em grande parte ao menor acesso a cuidados de alta qualidade, desde prevenção até diagnóstico e tratamento.

Apoio a sobreviventes

Embora maiores taxas de sobrevivência devam inspirar esperança, Dahut diz que há uma necessidade crítica de melhorar os cuidados para o número crescente de sobreviventes.

Segundo ele, muitos prestadores de cuidados primários não têm experiência em sobrevivência e recorrência de câncer. “Ter cada vez mais sobreviventes é ótimo”, diz ele. “Mas acho que vamos ter que desenvolver estratégias para garantir que eles sejam cuidados de maneira consistente em todo o país.”
Essa matéria foi originalmente publicada no The Washington Post.

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