A mamografia, quando realizada em mulheres sem sintomas, é capaz de detectar nódulos, distorções e deposição de sais de cálcio (microcalcificações) que não são palpáveis e aparecem anos antes dos sintomas. Esses achados podem indicar alterações pré-malignas ou câncer em fase inicial, quando o tumor é menor e menos provável de ter se espalhado, já que existe uma relação direta entre o tamanho do tumor e as chances de que células possam migrar para outros órgãos.
Isso aumenta as chances de cura, porque tumores detectados precocemente têm menos chance de causar metástases. Além disso, exigem tratamentos menos agressivos, têm maiores taxas de sucesso e menor mortalidade. A detecção precoce também permite opções cirúrgicas conservadoras e melhores resultados funcionais e estéticos, além de poupar pacientes de quimioterapia e, eventualmente, radioterapia.
Por isso, no Dia Nacional da Mamografia, vamos falar um pouco sobre a importância desse exame como ferramenta preventiva ao câncer de mama.
Quando e para quem a mamografia é indicada
A capacidade de detectar lesões pequenas por meio da mamografia varia conforme idade, densidade mamária e técnica. Em média, a mamografia é o método mais eficaz para avaliar grandes populações. Em uma pessoa específica, pode não ser capaz de detectar tudo – por isso, a combinação com exame clínico e outros exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, aumenta a eficácia do método.
Recomendações gerais (população média):
- A partir dos 40 anos: recomendamos iniciar a mamografia anualmente, mas a decisão pode ser individualizada. Algumas organizações sugerem iniciar a partir dos 40 em função da prevalência e da preferência individual; se não existirem fatores de risco, como história familiar, presença de alterações prévias de risco ou mama densa, os períodos podem ser alongados, com base nessa avaliação de risco individual.
- Mulheres de 35–39 anos: geralmente não se recomenda rastreamento de rotina, mas devem fazer exame clínico e investigar quaisquer alterações.
- Mulheres jovens (baixo risco): o rastreamento rotineiro não é recomendado antes dos 35 anos, exceto se houver sinais ou fatores de risco, considerando que, em qualquer idade, qualquer queixa ou sintoma mamário deve ser investigado para excluir a possibilidade de câncer.
Alto risco (deve seguir protocolos especiais):
- História familiar forte (mãe/irmã/filha com câncer de mama em idade jovem), mutações BRCA1/BRCA2/p53 ou outras síndromes genéticas, exposição à radioterapia torácica na infância/adolescência: iniciar rastreamento mais cedo (frequentemente a partir de 25–30 anos com ressonância magnética, ou 10 anos antes da idade de diagnóstico do parente afetado) e com intervalos menores, idealmente a cada 6 meses, considerando intercalar entre ressonância com ultrassom de mamas e mamografia com ultrassom de mamas.
- Fatores que influenciam a periodicidade: densidade mamária (mamas densas reduzem a sensibilidade da mamografia), histórico pessoal de câncer, resultados anteriores, comorbidades e expectativas do paciente. Sempre discutir de forma muito individualizada com seu médico para estabelecer um plano específico.
Mitos e verdades sobre a mamografia
Dói muito?
A compressão é muito importante porque melhora a nitidez da imagem. É necessária, pode causar desconforto por alguns segundos, mas não é geralmente dolorosa de forma prolongada. Técnicas adequadas, equipamentos modernos e a comunicação com a equipe reduzem o incômodo. Marcar o exame fora do período pré-menstrual pode melhorar a nitidez e diminuir a sensibilidade.
Há risco de radiação?
A dose de radiação na mamografia é baixa; o risco teórico é muito menor que o benefício da detecção precoce. Para mulheres em idade reprodutiva que estão grávidas ou suspeitam de gravidez, informe a equipe; o exame é evitado quando possível.
Existe falso positivo ou falso negativo?
Nem todo achado é câncer – isso leva a exames complementares e, ocasionalmente, biópsias que dão resultado benigno (falso positivo). Há também falsos negativos, especialmente em mamas densas. Por isso, é importante correlacionar clínica, imagem e, se indicado, outros exames, como a ressonância das mamas com contraste.
Mamas densas impedem o exame?
Mamas densas podem dificultar a visualização de tumores na mamografia. Nesses casos, o médico pode indicar ultrassonografia complementar ou ressonância magnética, e a mulher deve ser informada sobre a limitação da mamografia nesses casos.
Tenho prótese mamária, posso fazer mamografia?
Sim. Técnicas e posicionamentos especiais (imagens com deslocamento da prótese) permitem avaliação adequada. Informe sobre as próteses antes do exame.
Ainda estou amamentando, posso fazer?
A mamografia não é recomendada rotineiramente durante a amamentação; se necessária, pode ser feita com cuidados e informando a equipe. Muitas alterações benignas na lactação podem aparecer e devem ser avaliadas.
Se der algo errado, é melhor não saber?
Detectar problemas precocemente amplia as opções de tratamento e melhora o prognóstico. Mesmo que gere ansiedade, o diagnóstico precoce salva vidas.
Como se preparar e o que esperar
Para tener mais conforto, marque o exame, preferencialmente, fora do período de maior sensibilidade mamária (não no período pré-menstrual). Evite cremes, desodorantes, talcos ou perfumes na área das mamas/axilas no dia do exame, pois podem gerar artefatos.
É importante levar exames anteriores (mamografias, ultrassonografias) para comparação e informe sintomas e achados anteriores, se houver. O procedimento dura poucos minutos; a compressão é aplicada por poucos segundos para obter imagens nítidas.
O laudo com o resultado é entregue conforme a rotina da clínica; em caso de alteração, o médico orientará exames complementares (ultrassom, ressonância, biópsia) e condutas.
Seguimento após resultado alterado
É importante ter em mente que um achado suspeito não é diagnóstico definitivo: exige investigação complementar (ultrassom dirigido, biópsia percutânea guiada por imagem). Biópsia com resultado benigno pode implicar apenas acompanhamento; resultado maligno leva a aprofundar o diagnóstico e discutir tratamento multidisciplinar (cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia, conforme o caso).
A comunicação clara com a equipe de saúde e o acesso rápido ao seguimento diminuem a ansiedade e aceleram o tratamento, quando necessário.
Além da mamografia, adotar hábitos saudáveis (atividade física, controle de peso, evitar álcool em excesso, alimentação equilibrada) e fazer exame clínico mamário regularmente são partes importantes da prevenção. A mamografia é uma ferramenta comprovada para salvar vidas pela detecção precoce do câncer de mama. Converse com seu médico, esclareça dúvidas e mantenha o acompanhamento conforme seu risco e idade – o diagnóstico precoce amplia opções e melhora resultados.
*Texto escrito pelo mastologista Antônio Luiz Frasson (CRM 12620/RS e 111004/SP – RQE 6341 e 58979), head nacional da Brazil Health
Autor: CNN Brasil








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