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Manobrista de academia não era qualificado para tratar piscina, diz polícia

O manobrista que fez a mistura de cloro na piscina da academia onde Juliana Bassetto, de 27 anos, sofreu uma intoxicação, não tinha qualificação para prestar o serviço. A informação foi confirmada nesta terça-feira (10) pelo delegado do 42º Distrito Policial, Alexandre Bento.

Ainda nesta terça, o rapaz — flagrado com um balde que teria sido usado na piscina — prestou depoimento no distrito policial. Segundo o delegado, o manobrista chegou a declarar que não era habilitado para realizar os serviços na piscina e que não teria feito nenhum tipo de curso de piscineiro.

Segundo relatos de alunos e do gerente da academia à polícia, o manobrista do local é o responsável pelo preparo da mistura química jogada na água.

“Ele fazia a preparação das misturas de acordo com instruções recebidas de um dos sócios proprietários da academia via WhatsApp […] Segundo o manobrista, quem colocava o produto na piscina era o professor do local. Então, ele deixava o produto preparado na borda da piscina e seriam os professores, no final do dia, que jogariam a mistura e deixariam a água descansando [durante a noite]”, destacou o delegado.

Leia também: “Irresponsabilidade dá nisso”: academia onde mulher morreu é pichada em SP

O que diz a defesa do manobrista

A defesa do homem afirmou que ele somente “obedeceu ordens”. Segundo Bárbara Bonvizini, advogada do suspeito, o investigado trabalha no estabelecimento há três anos e foi usado como uma “ferramenta” no caso que tem gerado grande repercussão.

Nós prestamos condolências à família da vítima. Nós só vamos nos pronunciar oficialmente ao final das investigações. Quero ressaltar que nós temos total interesse em esclrecer os fatos. Meu cliente é apenas um colaborador da academia, ele foi uma ferramenta e obedeceu a ordens. Ele trabalhava na academia há três anos.

Bárbara Bonvizini, advogada do piscineiro

Além disso, quando perguntada se o homem fez a mistura dos produtos químicos a mando de alguém, a advogada afirmou que “sim”.

Vídeo mostra homem fazendo mistura de cloro para piscina onde mulher morreu

Entenda o caso

Por conta da intoxicação na piscina da academia, Juliana morreu e outras cinco pessoas precisaram ser hospitalizadas. As vítimas participavam de uma aula de natação na academia. Segundo relatado por testemunhas, os alunos perceberam um forte odor químico, seguido de ardência nos olhos, no nariz e nos pulmões, além de episódios de vômito.

Juliana chegou a ser socorrida e levada a um hospital em Santo André, mas não resistiu após sofrer uma parada cardíaca. O marido da vítima e outros três alunos também foram encaminhados para atendimento médico, alguns deles em estado grave.

Uma das vítimas, um adolescente de 14 anos, foi hospitalizado com complicações nos pulmões e permanece sob cuidados médicos.

De acordo com o delegado Alexandre Bento, os responsáveis pela academia fecharam o estabelecimento e abandonaram o local sem comunicar a polícia. Para que o Instituto de Criminalística e o Corpo de Bombeiros pudessem realizar a perícia, foi necessário arrombar o imóvel.

Dor de cabeça e vômito: veja relato de vítima em piscina de academia em SP

Veja nota da academia:

“A direção da Academia C4 GYM lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade no último sábado (07/02), informa que prestou imediato atendimento a todos os envolvidos e que tem mantido contato direto com as pessoas a fim de oferecer todo o suporte.

Reforça, ainda, que está colaborando integralmente com as autoridades competentes, contribuindo com tudo aquilo que for necessário.”

Autor: CNN Brasil

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