quinta-feira, janeiro 8, 2026

Master: Lula acorda, TCU pisca, e PF mira influenciadores – 08/01/2026 – Marcos Augusto Gonçalves


Lula acordou, e o TCU piscou. Depois de uma sequência de investidas, em flagrante tentativa de colocar em xeque a liquidação do Banco Master, o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, e o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, decidiram segurar a inspeção de documentos programada para ocorrer na sede do Banco Central. O plenário decidirá.

Descartou-se também a ideia de uma reversão do processo de liquidação –o que já se sabia, de resto, tecnicamente inviável, embora para muitos politicamente desejável.

O comportamento atípico dos dois personagens, marcado por muita pressa e avanços no mínimo controversos sobre o que seria aceitável no escopo de atribuições do tribunal, causou apreensões justificadas.

Uma espécie de complô orquestrado entre diversas instâncias configurou uma atuação facciosa em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e de interesses —para usar a expressão do economista Arminio Fraga— presentes nos “quatro cantos da República”.

Só os sabujos e os suspeitos de sempre poderiam afetar a inexistência de ameaças delinquenciais diante de um quadro que vem empilhando sinais clamorosos. Senão, vejamos.

Já tivemos, meses atrás, a tentativa da Câmara de votar um projeto que permitiria ao Congresso decidir sobre a demissão de diretores do BC.

Soube-se também que figuras como o governador do Rio, Cláudio Castro, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, favoreceram investimentos de fundos de previdência do estado fluminense e do Amapá no Master.

Em terreno esportivo, registrou-se uma viagem a Lima, em avião privado, do ministro Dias Toffoli com o advogado que se preparava para assumir a defesa de um dos diretores do banco. Foram torcer pelo Palmeiras na Libertadores.

Logo depois veio a decisão duvidosa do ministro de chamar o caso para o STF e impor total sigilo. Em sequência, o magistrado resolveu promover, no apagar do ano, uma acareação entre Vorcaro, Costa e o diretor de fiscalização do BC —em parte reformulada dada a indignação geral.

Apimentou esse roteiro a revelação da jornalista Malu Gaspar sobre um contrato entre o Master e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes, que renderia ao excelentíssimo clã a bagatela de R$ 129 milhões.

A entrada em cena do TCU foi a cerejinha vulgar no bolo indigesto que se levava ao forno, na expectativa do milagre de sua transmutação em pizza.

Agora temos a investigação de influenciadores, que teriam sido contratados para desgastar a imagem do BC.

Como escrevi anteriormente, não é difícil notar por detrás dessas escaramuças dos Amigos do Master a mão do centrão e vislumbrar aquela outra, já não tão invisível assim, do crime organizado. Não é desprezível que fraudes de Vorcaro tenham sido detectadas em conexão com fundos também instrumentalizados pelo PCC.

O TCU, sublinhe-se, não é uma “corte” ligada ao Judiciário. É um auxiliar (e um cabide) do Legislativo para fiscalizar gastos públicos.

Graças às reações, e agora finalmente com gestões do governo Lula, que se mantinha ausente, os descalabros promovidos pelos Amigos do Master vão sendo contrastados. Por ora a fervura está baixando. A crise, contudo, parece longe do fim.

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