quinta-feira, janeiro 15, 2026

Master:PF responde Toffoli e diz que prazo era prejudicial – 14/01/2026 – Economia

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou ao ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), que o descumprimento do prazo determinado pelo magistrado se deu por questões operacionais, incluindo atualização de endereços de alguns dos alvos da operação realizada nesta quarta-feira (14) contra o Banco Master.

O chefe da corporação citou alto poder aquisitivo de investigados, impossibilidade de remanejamento de operações complexas e ainda afirmou ter comunicado essas questões anteriormente a Toffoli. Andrei também disse que impedir a PF de analisar material apreendido imediatamente após operação pode atrapalhar a investigação.

Nesta quarta, Toffoli criticou a PF em despacho dado nos autos do caso e exigiu explicações em 24 horas do diretor-geral da corporação.

Andrei Rodrigues disse ainda ao relator que alguns dos alvos estavam em deslocamento e ressaltou o fato de terem renda elevada, o que facilitaria a mobilidade interna ou ao exterior. Assim, o tempo tomado pela PF seria uma cautela para evitar diligências frustradas.

Na resposta, Andrei também afirmou que essas limitações já haviam sido informadas ao Supremo antes do prazo inicial fixado, incluindo comunicação feita pessoalmente por ele ao gabinete do ministro por ligação e mensagens.

O diretor-geral da PF disse ainda não ter tido acesso ao material completo da petição na qual tramita o caso, o que também teria impactado o andamento dos trabalhos.

Por fim, Andrei ressaltou que na terça-feira (13) a PF deflagrou outras sete operações policiais, somente no âmbito da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, além da nona fase da Operação Overclean, com mandados de busca e apreensão que incluem como alvo o deputado federal Félix Mendonça (PDT-BA).

Isso teria mobilizado muitos agentes ao mesmo tempo, além de meios logísticos para o cumprimento das medidas.

O chefe da PF também criticou a opção inicial de Toffoli de guardar o material apreendido na Corte. A decisão foi reconsiderada na noite desta quarta após pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo Andrei, a guarda das provas no gabinete do ministro inviabilizaria o andamento das investigações por impedir a análise imediata de alguns dos materiais apreendidos, especialmente dados de celulares e computadores.

Quanto a este ponto, Toffoli reviu a decisão anterior e acolheu o pedido de Gonet, determinando que o material apreendido na operação seja encaminhado à PGR. O ministro inclusive determinou envio de ofício a Andrei para dar andamento às providências necessárias nesse sentido.

Nesta quarta, Andrei se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O encontro na sede da corporação, em Brasília, ocorreu horas depois da operação de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A reunião não constava inicialmente na agenda pública do chefe do BC, divulgada na noite de terça (13), e foi incluída somente após a PF deflagrar a segunda fase da operação Compliance Zero, que mira a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.

Nas redes sociais, a PF afirmou que Galípolo e Andrei “reafirmaram a importância da cooperação e da integração entre as instituições, fortalecendo o diálogo e a atuação conjunta em temas estratégicos de interesse do Estado brasileiro”.

As críticas de Toffoli à PF constam da decisão de terça que determinou a busca e apreensão em endereços de Vorcaro, João Carlos Mansur —fundador da Reag, gestora investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado—, o investidor Nelson Tanure e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

As medidas foram requeridas pela PGR em 6 de janeiro e deferidas pelo ministro no dia seguinte. A decisão veio com a ordem para cumprimento das diligências no prazo de 24 horas, contadas a partir das 14h52 do dia 12 de janeiro.

“A falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, acrescentou.

A nova fase da Operação Compliance Zero teve como foco a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master. Como revelou a Folha, o BC (Banco Central) identificou seis fundos suspeitos de fazer parte do esquema de fraude capitaneado pelo ex-banqueiro.

A ação teve 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, parentes dele e donos de empresas, além de sequestrar e bloquear bens no valor de R$ 5,7 bilhões.

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