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Maternidade: os dilemas que as mulheres enfrentam – 22/01/2026 – Equilíbrio

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Nesta semana, três textos publicados pela Folha refletem sobre a maternidade de ângulos profundamente distintos. A colunista Vera Iaconelli escreve sobre como a decisão de ter filhos precisa partir de uma reflexão cuidadosa do “rojão” que as aguarda na hora de criá-los.

Na China, a correspondente Victoria Damasceno conta que a taxa de natalidade registrou recorde de baixa, apesar do fim da política do filho único. Por fim, uma reportagem da BBC Brasil mostra o outro lado da moeda: o que fazer quando não há decisão possível? As mulheres ouvidas contam como se acostumaram à ideia de não conseguir engravidar.

Como mostram os dados chineses, cada vez mais mulheres estão dizendo não à maternidade —e as políticas públicas de incentivo ao aumento de filhos não parecem estar dando grande resultado. A resposta parece estar no problema que relata Iaconelli. Quantas estão dispostas a arcar com o ônus de criar filhos?

No Brasil, a louvável iniciativa de aumentar a licença-paternidade ainda não se concretizou e, ainda assim, é insuficiente. O texto que tramitará este ano no Senado sobe de cinco para 20 dias o tempo que os homens terão para dedicar integralmente ao cuidado de seus recém-nascidos. As mães atualmente têm direito a 120 dias, ou quatro meses, pelas regras da CLT.

A mudança da lei por aqui mantém a disparidade entre homens e mulheres na divisão do cuidado reprodutivo. Outros países, como a Alemanha e a Suécia, passaram a adotar um modelo de licença-parental, em que a família decide como distribuir o tempo. O modelo, além de tudo, é mais amigável com outros tipos de família, como a de casais homossexuais.

A reprodução, além disso, segue sem ser reconhecida como uma forma de trabalho produtiva. A atual obsessão de governos ao redor do mundo com a queda da taxa de natalidade demonstra o quanto a função de produzir novos cidadãos e, portanto, novos trabalhadores, é crucial para a economia global. Apesar disso, esses mesmos governos não atribuem ao cuidado doméstico o mesmo status do trabalho assalariado.

Na Argentina, onde um avanço importante havia sido dado ao reconhecer o tempo de cuidado com os filhos no cálculo da aposentadoria, o presidente Javier Milei deixou a medida caducar em 2025.

Ao mesmo tempo, a última dimensão mostra que quando há uma impossibilidade física de engravidar, mulheres que desejavam ser mães acabam lidando com expectativas sociais. O discurso de que é preciso “relaxar” para conseguir engravidar coloca a culpa nas tentantes —e não é embasado por evidências científicas.

Um estudo publicado em 2018 por pesquisadores da Universidade Stony Brook, dos Estados Unidos, mostrou que não há diferenças significativas de sucesso de tratamentos de fertilidade em mulheres que relataram estresse, ansiedade ou depressão durante o processo.

O que une essas histórias não é só a maternidade em si, mas as condições sob as quais ela é desejada, recusada ou negada. Seja pela sobrecarga do cuidado, pela ausência de políticas públicas ou pela culpabilização diante da infertilidade, a reprodução segue tratada como escolha privada, ainda que suas consequências sejam profundamente coletivas.


Uma mulher para conhecer

Narges Mohammadi (1971)
Na semana passada, a newsletter falou sobre o papel das mulheres nos protestos iranianos. A ativista Narges Mohammadi é uma das figuras centrais da luta pelos direitos humanos e pela igualdade de gênero no país.

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, ela foi presa novamente pelo regime em dezembro do ano passado, pouco antes de a nova onda de protestos eclodir. Mohammadi afirmou em março de 2025 que as mulheres derrubariam a teocracia iraniana, em vigor desde 1979.

A ativista já foi detida mais de dez vezes ao longo da vida, e, mesmo assim, foi uma vocal apoiadora do movimento “Mulheres, Vida, Liberdade”, nascido após a morte da jovem Mahsa Amini em 2022 (1971)
Na semana passada, a newsletter falou sobre o papel das mulheres nos protestos iranianos. A ativista Narges Mohammadi é uma das figuras centrais da luta pelos direitos humanos e pela igualdade de gênero no país.

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, ela foi presa novamente pelo regime em dezembro do ano passado, pouco antes de a nova onda de protestos eclodir. Mohammadi afirmou em março de 2025 que as mulheres derrubariam a teocracia iraniana, em vigor desde 1979.

A ativista já foi detida mais de dez vezes ao longo da vida, e, mesmo assim, foi uma vocal apoiadora do movimento “Mulheres, Vida, Liberdade”, nascido após a morte da jovem Mahsa Amini em 2022

Autor: Folha

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