Martin Wolf, comentarista-chefe de economia do jornal inglês Financial Times, seleciona as melhores leituras de economia de 2025.
- Economica: A Global History of Women, Wealth and Power [Economica: uma história global das mulheres, da riqueza e do poder], por Victoria Bateman
As mulheres sempre desempenharam um papel central na economia humana. Ainda assim, muitas sociedades —sendo o Afeganistão contemporâneo um exemplo hediondo— tentaram confiná-las e excluí-las. O resultado desses esforços sempre foi desastroso, argumenta Bateman, historiadora feminista, neste livro instigante.
Ela recoloca a história em seu devido lugar, da Idade da Pedra até os dias atuais. A liberdade econômica muito maior das mulheres no Ocidente contemporâneo é, ao que tudo indica, o avanço econômico e social mais importante que já alcançamos. Ainda assim, como alerta Bateman, “algumas das sociedades mais desiguais hoje são aquelas em que as mulheres já foram relativamente iguais, o que significa que oportunidades iguais jamais podem ser tomadas como garantidas”. De fato!
- Eclipsing the West: China, India and the Forging of a New World [O eclipse do Ocidente: China, Índia e a construção de um novo mundo], por Vince Cable
Cable foi economista do desenvolvimento, economista-chefe da Shell e ministro no governo de coalizão britânico sob David Cameron. Ele reúne todo esse conhecimento, experiência e bom senso neste livro, que trata da questão política e econômica definidora da nossa era: as relações entre o Ocidente e os gigantes asiáticos em ascensão, China e Índia.
Cable sugere três cenários futuros possíveis: um “Ocidente global” democrático enfrentando adversários autocráticos, liderados por uma China em declínio, com a Índia se juntando às democracias; um mundo multipolar, com China e Índia em ascensão e sem hegemonia; e um mundo multilateral, com uma ordem do pós-guerra reformada, mas funcional —novamente sem hegemonia.
- Fixed: Why Personal Finance Is Broken and How to Make It Work for Everyone [Consertado: por que as finanças pessoais estão quebradas e como fazê-las funcionar para todos], por John Y. Campbell e Tarun Ramadorai
Este livro seria o presente ideal para qualquer pessoa que precise de lições de finanças. Os autores, professores em Harvard e no Imperial College, respectivamente, são críticos bem informados de um sistema que engana seus usuários.
“Os problemas do sistema financeiro atual podem ser resumidos em complexidade e custo”, explicam. Esses dois defeitos estão relacionados, já que “a complexidade aumenta os custos para os consumidores”.
Um sistema financeiro melhor, argumentam, obedeceria a quatro princípios: ser simples, barato, seguro e fácil. Com a tecnologia da informação moderna, acrescentam, esses requisitos poderiam ser atendidos com relativa facilidade. Eles recomendam, em particular, a criação de um “kit inicial” para iniciantes.
- Money and Inflation at the Time of Covid [Dinheiro e inflação no tempo da Covid], por Tim Congdon
Eu admiro Congdon. Ele permaneceu fiel aos seus princípios monetaristas, por mais fora de moda que estivessem, nos bons e maus momentos. Em pelo menos duas ocasiões, isso o tornou espetacularmente correto quando o consenso convencional estava espetacularmente errado —o “boom Lawson” no Reino Unido no fim dos anos 1980 e a inflação pós-Covid.
Em ambas as ocasiões, felizmente, ele também me influenciou. Ele está certo ao afirmar que o dinheiro continua a importar. E também está certo ao dizer que o dinheiro relevante é o “dinheiro amplo”, ou seja, o dinheiro em mãos do público. Este excelente livro é o seu “eu avisei”. Infelizmente, a sabedoria convencional continua a ignorar o que ele sabe.
- Why Nothing Works: Who Killed Progress — and How to Bring It Back [Por que nada funciona: quem matou o progresso — e como trazê-lo de volta], por Marc J. Dunkelman
Os Estados Unidos já foram um país que construía coisas. Hoje, não conseguem mais. O mesmo vale para outros países de alta renda, incluindo o Reino Unido. Uma grande parte do problema é que, como Klein e Thompson também argumentam, os “progressistas” tornaram-se ultraconservadores, até mesmo reacionários.
Uma das explicações, sustenta Dunkelman, é a intensa desconfiança em relação ao poder e àqueles que o exercem. A profusão resultante de freios e contrapesos paralisa o governo. Como ele escreve: “Exaltar o governo e depois garantir que ele fracasse é, no fim das contas, uma das piores estratégias políticas possíveis”.
- Violent Saviours: The West, the Rest, and Capitalism Without Consent [Salvadores violentos: o Ocidente, o resto do mundo e o capitalismo sem consentimento], por William Easterly
Easterly se destaca entre quase todos os economistas do desenvolvimento por sua crença na agência humana. A alternativa, argumenta, é a coerção violenta. Embora frequentemente justificado como benéfico às suas vítimas, o colonialismo foi exatamente esse tipo de coerção.
Além disso, ele insiste que grande parte do pensamento contemporâneo sobre desenvolvimento econômico também se baseia numa crença semelhante no direito de exercer controle coercitivo. Se agência e desenvolvimento devem caminhar juntos, argumenta, a verdadeira resposta precisa ser a liberdade comercial —o direito das pessoas de trocar livremente entre si. O compromisso de Easterly com ideais liberais é poderoso.
- How Progress Ends: Technology, Innovation, and the Fate of Nations [Como o progresso termina: tecnologia, inovação e o destino das nações], por Carl Benedikt Frey
Frey, que leciona em Oxford, é um dos maiores especialistas mundiais nas fontes e consequências do progresso tecnológico. Neste livro importante, ele analisa o impacto —a seu ver superestimado— da inteligência artificial e, de forma mais ampla, as perspectivas para o crescimento econômico futuro.
Seu argumento central é que “a inovação exige quebrar regras, mas a execução eficiente depende de segui-las”. Equilibrar essas duas exigências —romper regras e segui-las— é muito difícil. Hoje, de fato, uma perda da capacidade inovadora ameaça tanto a China quanto os Estados Unidos, embora por razões um pouco diferentes.
- The World at Economic War: How to Rebuild Security in a Weaponized Global Economy [O mundo em guerra econômica: como reconstruir a segurança numa economia global armada], por Rebecca Harding
Harding é uma economista do comércio bastante conhecida e dirige o Centre for Economic Security. Este livro aborda uma questão fundamental para o Reino Unido: como definir e defender sua segurança econômica. Vivemos, argumenta ela, numa era de competição econômica estratégica, “que agora equivale a uma guerra econômica”.
Os principais atores, China e Estados Unidos, são capazes de empregar armamentos econômicos formidáveis, como demonstraram as guerras comerciais de 2025. Nenhum dos dois é evidentemente confiável ou amigável. Enquanto isso, o Reino Unido e seus aliados europeus dispõem, em grande parte, de espaço fiscal limitado. Este é um novo mundo difícil. Navegá-lo exige uma mudança de mentalidade.
- A Sixth of Humanity: Independent India’s Development Odyssey [Um sexto da humanidade: a odisseia do desenvolvimento da Índia independente], por Devesh Kapur e Arvind Subramanian
Neste livro envolvente, Kapur, um destacado cientista político, e Subramanian, ex-economista-chefe do governo indiano, analisam a história moderna da Índia. Eles observam que, após a independência em 1947, a Índia “empreendeu quatro grandes transformações de desenvolvimento: reconstruir o Estado, forjar uma nação, desenvolver a economia e reconstruir a sociedade… Crucialmente, isso deveria ser realizado sob uma democracia baseada no sufrágio universal”.
Foi uma empreitada colossal. Como ela se saiu? Minha resposta seria: “muito melhor do que se poderia imaginar e não tão bem quanto poderia ter sido”. Para chegar à sua própria resposta, leia este livro.
- Abundance: How We Build a Better Future [Abundância: como construir um futuro melhor], por Ezra Klein e Derek Thompson
Este é um livro importante, tão relevante para a política da Europa (incluindo o Reino Unido) quanto para a dos Estados Unidos. Argumenta-se que abandonamos o otimismo de livre mercado de Ronald Reagan (e Margaret Thatcher).
Mas o que foi colocado no lugar é uma política da escassez: direita e esquerda compartilham o desejo de impedir que as coisas aconteçam —imigração e importações, no caso da direita reacionária; crescimento econômico em si, no caso de boa parte da esquerda progressista.
O que precisamos, em vez disso, é de uma política da abundância. Os governos devem ser incentivados a fazer com que coisas positivas aconteçam.
- Can Europe Survive? The Story of a Continent in a Fractured World [A Europa pode sobreviver? A história de um continente em um mundo fraturado], por David Marsh
Marsh é um dos observadores mais bem informados da Europa. Ex-jornalista do Financial Times e particularmente especialista na Alemanha, ele descreve as crises que hoje confrontam a União Europeia e o continente em termos de “quatro questões centrais —energia, defesa, indústria e dinheiro”.
O livro adota um tom otimista, mas deixa claro quão desafiador será para a Europa prosperar no mundo atual. Para isso, argumenta Marsh, é necessário ao menos uma parceria estreita entre a UE e o Reino Unido, além de uma aliança funcional de ambos com os Estados Unidos.
- The Great Global Transformation: National Market Liberalism in a Multipolar World [A grande transformação global: liberalismo de mercado nacional em um mundo multipolar], por Branko Milanovic
Milanovic declara que “nacionalismo, ganância e propriedade definem a era do neoliberalismo e continuarão a definir o período do que chamei aqui de ‘liberalismo de mercado nacional’, provavelmente ainda mais, porque todos os três —especialmente o fator nacionalista— estão se fortalecendo globalmente”.
A criação de novas formas de propriedade também cria novas formas de poder de mercado. A necessidade de criar mais propriedade, por sua vez, é impulsionada pela ganância humana. A ganância alimenta o nacionalismo, cujo objetivo é garantir que a riqueza nacional seja protegida e ampliada.
Milanovic, em suma, enxerga o mundo por uma lente marxista. Isso torna seu pensamento ao mesmo tempo intrigante e original.
- 1929: The Inside Story of the Greatest Crash in Wall Street History [1929: os bastidores do maior colapso da história de Wall Street], por Andrew Ross Sorkin
Em 1929, a exuberância capitalista dos “loucos anos vinte” terminou no Grande Crash. Neste livro soberbo, Andrew Ross Sorkin, do New York Times, traz o grande drama à vida ao contar as histórias dos protagonistas. O livro é ao mesmo tempo uma história magnífica e uma narrativa exemplar. Mas também oferece uma lição sóbria e ainda relevante.
“O crash de 1929 poderia ter sido evitado?”, pergunta Sorkin. “A resposta curta é sim… [Mas] a resposta longa é que teria sido necessária quase uma presciência divina para olhar além dos incentivos de curto prazo para ganhar dinheiro e focar nas consequências de longo prazo.”
- The Fractured Age: How the Return of Geopolitics Will Splinter the Global Economy [A era fraturada: como o retorno da geopolítica vai fragmentar a economia global], por Neil Shearing
Neste livro convincente, Shearing, economista-chefe da Capital Economics, argumenta que estamos caminhando rumo ao que ele chama de “era fraturada” há quase duas décadas. Donald Trump é produto dessa fratura, não sua causa.
Os pontos de inflexão foram, segundo ele, a crise financeira de 2007-09 e a ascensão da China. Com ou sem Trump, “as próximas décadas serão marcadas”, argumenta, “por uma rivalidade crescente entre superpotências e pelo fraturamento das relações entre EUA e China”. Em suma, a globalização está chegando ao fim. É uma previsão tristemente plausível.
- The Growth Story of the 21st Century: The Economics and Opportunity of Climate Action [A história do crescimento no século 21: a economia e a oportunidade da ação climática], por Nicholas Stern
Desde a publicação do seminal Stern Review sobre a economia da mudança climática, em 2006, o autor está entre os pensadores mais influentes do mundo sobre o tema. Neste livro importante, ele atualiza essa análise. Sua história é de conquista, esperança e perigo.
A conquista é uma revolução tecnológica que transformou as perspectivas antes incertas de energia limpa, abundante e barata em realidade; a esperança é um futuro que ofereça prosperidade e um ambiente estável; e o perigo é que a insensatez humana rejeite essa conquista e destrua essa esperança.
- Breakneck: China’s Quest to Engineer the Future [Em ritmo vertiginoso: a corrida da China para projetar o futuro], por Dan Wang
Wang, pesquisador do Hoover History Lab em Stanford, é um canadense de origem chinesa que viveu e trabalhou tanto nos Estados Unidos quanto na China.
Neste livro excelente, ele descreve o contraste entre as duas superpotências cuja “competição… definirá o século 21”: uma elite americana, composta majoritariamente por advogados, que se destaca na obstrução, e uma elite tecnocrática chinesa, formada principalmente por engenheiros, que se destaca na construção.
Cada superpotência, sugere, “oferece uma visão de como a outra poderia ser melhor, se apenas seus líderes e povos se dispusessem a olhar além de um relance passageiro”. No momento, temo que os EUA estejam imitando a repressão chinesa sem igualar sua eficiência —o pior dos dois mundos.




