
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou, no Instagram, que os lucros e dividendos de sua empresa, o Instituto Iter, que realiza cursos na área jurídica, serão destinados ao dízimo na igreja, obras sociais e ações na área de educação. Ele anunciou a decisão no último dia 8, durante um culto de domingo na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo.
Mendonça, que também é pastor na igreja, pregava sobre Abraão, que fazia tendas e altares nos lugares onde passava. “Ao mesmo tempo em que parava e construía uma tenda, ele construía um altar de adoração a Deus”.
“À luz desse texto, eu com a minha esposa e sob as bênçãos dos meus filhos, decidimos que a nossa parte do Instituto Iter será para consagração de um altar a Deus. Tudo aquilo que um dia eu e a Janey fizermos por direito… nós nunca tivemos participação de lucro e resultado. Tudo que ganhei até hoje ali foi para dar aula. Mas tudo que o vier possivelmente a dar de lucro e resultado, vou separar 10% para o dízimo e os 90% restantes serão investidos em obras sociais e educação. Nada será tomado para mim.”
Disse depois que ficaria incomodado com Deus e com a igreja se subisse no púlpito e se sentisse “vulnerável diante dos homens”. “Esse compromisso que faço é mais por meu papel como pastor da igreja, para dar testemunho da igreja. As tendas que Deus vai me dar são do meu salário do Supremo e da minha atividade estrita como professor. Qualquer participação de lucro e resultado será o meu altar diante de Deus, e como testemunho perante a sociedade de que um servo de Deus abre mão de tesouros na Terra para juntar tesouros no Céu”, afirmou mais adiante.
O anúncio, durante a pregação e depois nas redes sociais, ocorre em meio à discussão, no STF, sobre a implementação de um código de ética para os ministros, e a questionamentos sobre seus rendimentos por meio de empresas. Pela Lei Orgânica da Magistratura, juízes podem ser acionistas ou cotistas de empresas, mas não gestores.
Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo neste domingo (15) mostrou que dos atuais 10 ministros do STF, nove têm empresas com parentes, a maioria escritórios de advocacia, institutos de educação e estudos jurídicos e no ramo imobiliário.
Na última quinta (8), Dias Toffoli se afastou da relatoria do inquérito do Banco Master após a revelação de que a Maridt, empresa de que é sócio com os irmãos, era dona de um resort no Paraná e vendeu participação para um fundo ligado ao pastor Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro, ambos investigados pelo ministro.
Após a saída de Toffoli, Mendonça assumiu a relatoria do caso, por sorteio.
No culto, no dia 8 – antes, portanto, da mudança de relatoria no caso Master – Mendonça disse que ficou “triste e aborrecido” com a publicação de reportagens sobre o Iter e se perguntou se o sonho seria “mal interpretado pela sociedade” e como a igreja encararia as críticas. Mais adiante, informou que 10% dos lucros e dividendos seriam dizimados e os outros 90% para obras sociais e educação.
“Me seria lícito auferir resultados de possíveis lucros que o instituto desse. Não estou dizendo que não é lícito. É lícito. Mas pesa sobre mim duas coisas. Uma delas é a posição que ocupo hoje na esfera pública. A segunda delas e mais importante, é a posição como ministro do Evangelho”, disse.
Contou que teve o sonho de fundar o Iter após seu mestrado na Espanha, em 2013, com a finalidade de capacitar gestores públicos. A organização da empresa, continuou, ocorreu depois que ele ingressou no STF, em 2021.
Acrescentou depois que todos são sujeitos a erros e equívocos, “mas hoje eventuais tropeços do André, do ministro e do pastor, repercutem em toda a igreja. E eu preciso dar bom testemunho. Eu tenho um compromisso com Deus, meus irmãos, que se um dia for para eu dar mau testemunho, que Deus me leve antes”, afirmou.
Autor: Gazeta do Povo








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