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Você sabia que o infarto em mulheres costuma se manifestar não como uma dor no peito irradiada para o braço, mas como dor de estômago, queimação, náusea ou dor no pescoço, entre outros sintomas?
Pois é, eu também não, até ler a respeito na semana passada. A repórter Geovana Oliveira mostrou que, apesar de as doenças cardiovasculares serem a maior causa de morte de mulheres no Brasil, elas são subdiagnosticadas e subtratadas —segundo a própria Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Outra reportagem, de 7 de março, contou como mulheres chegam a passar duas décadas buscando tratamento para dor pélvica. Elas recebem diagnósticos de depressão e dor psicológica quando, na verdade, têm algo totalmente físico, como endometriose ou adenomiose.
Não é de hoje que a medicina muitas vezes ignora ou não sabe tratar sintomas e doenças associadas ao corpo do sexo feminino. Em “Unwell Women: a journey through medicine and myth in a man-made world”, publicado em 2021, a historiadora inglesa Elinor Cleghorn traçou um panorama milenar de ignorância sobre a saúde das mulheres.
Houve um tempo em que achava-se, por exemplo, que as doenças femininas eram causadas pela movimentação do útero dentro do corpo. Como se o órgão se desprendesse e passeasse pelas entranhas causando todo tipo de caos no caminho.
A própria gestação era considerada um mistério insondável —tanto é que o aborto, durante séculos, só era punido se acontecesse após o “quickening”, ou seja, quando a mulher passa a sentir os movimentos do feto.
A própria formação médica mantém lacunas de tratamentos importantes para a saúde feminina como, por exemplo, o cuidado em aborto. Uma pesquisa da Unicamp feita entre 2015 e 2017 com 400 residentes de ginecologia e obstetrícia mostrou que menos da metade desses profissionais sabia administrar corretamente o misoprostol, remédio considerado seguro e eficaz para induzir não apenas abortamento, mas partos.
Chocante, porém, é que essas manifestações de misoginia estrutural continuem atreladas ao cotidiano de saúde feminina. Como mostrou a reportagem sobre a subnotificação de problemas cardiológicos, isso pode ser fatal.
Uma mulher para conhecer
Elena Garro (1916-1998)
Escritora mexicana, é considerada uma das precursoras do realismo fantástico e contemporânea de homens que tiveram muito mais reconhecimento, como Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges.
É considerada uma “escritora maldita”, criticada por posições políticas polêmicas —como críticas a intelectuais de esquerda no México— e muitas vezes lembrada apenas por ter sido casada com o poeta Octavio Paz.
Embora não se considerasse abertamente feminista, sua obra é permeada de noções de liberdade para as mulheres.
Autor: Folha








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