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Missão Artemis 2: a redondona, a redonda e a redondinha – 07/04/2026 – O Mundo É uma Bola

“Tendo a Lua aquela gravidade aonde o homem flutua. Merecia visita não de militares, mas de bailarinos e de você e eu.”

Lembrei-me dessa parte de canção composta por Herbert Vianna e Tetê Tillett e lançada em 1991 em álbum dos Paralamas do Sucesso.

Por que a lembrança? Porque a Lua está em evidência nestes dias devido à missão Artemis 2, voo tripulado da Nasa, a agência espacial dos EUA, para contornar o satélite da Terra. A espaçonave Orion tem três militares entre os quatro tripulantes.

Misteriosa desde eras remotas, a Lua tem suas influências: afeta as marés por meio da força gravitacional, é elemento presente nos mapeamentos astrológicos e mexe constantemente com o imaginário das pessoas.

Românticos gostam de namorar sob o a luz do luar, supersticiosos escolhem a fase em que ela se encontra para cortar o cabelo e até adjetivo dela se criou: lunático, que teria se originado na Idade Média por haver a crença de que atitudes instáveis provinham dos estágios lunares.

Atualmente, chama-se de lunático quem é irracional, divagante ou amalucado. Na última acepção encaixa-se Deyverson, o impagável Deyvinho (ex-Palmeiras e Atlético-MG), um dos personagens pitorescos do futebol brasileiro, atualmente atuando no Equador.

A Lua me fez citar Deyverson, porém ao pensar nela veio-me logo a pergunta natural a quem escreve sobre o que escrevo. Dá para jogar futebol lá?

A resposta direta, e não preciso ser astrônomo para dá-la, é “não”. O homem nem sequer pisa em seu solo poeirento desde 1972, na missão Apollo 17, então bater uma bolinha está fora de cogitação.

Hipoteticamente é possível, caso um dia consigamos habitá-la? Na teoria, é. Só que seria uma prática que se assemelharia minimamente ao jogo que conhecemos. Como a gravidade da Lua é um sexto da terrestre e sua atmosfera é escassa, um chute duraria mais de um minuto para ser completado e faria a bola percorrer distância superior a quatro campos de futebol.

Seria uma partida disputada o tempo todo em câmera lenta, com os jogadores movimentando-se languidamente e uniformizados não com camisas, calções, meias e chuteiras e sim trajes espaciais pesadíssimos, com capacetes, botas e suporte de oxigênio.

Inviável por ora, talvez um dia aconteça, já que há planejamento para que ocorra pouso na superfície da Lua ainda nesta década.

Isso feito, organizar uma partida de “luabol” ou “futelua” levará tempo, não será de bate-pronto: não terá campo, não haverá traves, nada de VAR –alguém que adora a chatésima tecnologia notará a ausência do miserável.

Entretanto basta haver uma redonda de 70 cm de circunferência na bagagem de quem alunissar na redonda de circunferência de 10,9 mil km para um pontapé inicial imediato.

Penso no esporte mais popular do mundo e uso redonda para aludir à bola de futebol, a minha preferida. É preciso dar crédito a uma outra, a redondinha, que teve seu momento de protagonismo na redondona. Aliás, não só a uma, mas a duas.

Bolas de golfe, com circunferência de 134 milímetros e peso de 45,9 gramas, receberam na Lua tacadas do astronauta Alan Shepard, comandante da Apollo 14, em 1971. Uma percorreu 22 metros; a outra, 37 metros.

Para o site golfe.esp.br, “um pequeno slice para um golfista, mas um grande salto para o esporte”.


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Autor: Folha

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