Nos dias que se seguiram à captura do presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, pelas forças militares dos Estados Unidos em uma operação em um complexo em Caracas no sábado (3), dirigentes de toda a MLB (Major League Baseball, a liga profissional norte-americana de beisebol) se mobilizaram para verificar a segurança de jogadores, técnicos e olheiros em todo o país, enquanto tentavam entender como a operação e suas consequências poderiam afetar a próxima temporada e o World Baseball Classic (o Mundial da modalidade).
Pessoas ligadas ao esporte ainda estavam coletando informações, mas entrevistas com executivos, olheiros e agentes sugeriam um status quo instável em um país marcado por relações conturbadas com os Estados Unidos há muitos anos.
Após uma pausa de quatro dias, a Liga Venezuelana de Inverno tinha previsão de retomar os jogos nesta quarta-feira (7).
Apesar das preocupações iniciais, olheiros internacionais estavam otimistas quanto à realização do dia de assinatura de contratos para jovens promessas amadoras em 15 de janeiro. A participação da Venezuela no World Baseball Classic em março ainda é esperada.
Um representante da MLB se recusou a comentar sobre a situação na Venezuela. A MLB tem mantido diálogo com as equipes desde que o presidente Donald Trump impôs uma proibição de viagens à Venezuela no ano passado, segundo fontes da liga e das equipes.
Após a FAA (Administração Federal de Aviação) implementar restrições de voo no espaço aéreo caribenho no fim de semana, vários executivos —que, assim como todas as fontes que falaram com o The Athletic, solicitaram anonimato para poderem falar livremente sobre a situação— expressaram alívio na segunda-feira (5) com a rápida remoção das restrições, permitindo que jogadores e treinadores deixassem o país a tempo para o início da pré-temporada no próximo mês.
Como dirigentes da MLB recomendaram que as equipes não comentassem publicamente sobre a situação, segundo fontes, vários jogadores contatados pelo The Athletic também se mostraram cautelosos em comentar a deposição de Maduro.
Diante da incerteza, conversas com dirigentes do beisebol revelaram uma persistente preocupação com uma nação que desempenha um papel vital no cenário do esporte. Havia 63 venezuelanos em elencos da liga principal no dia da abertura da temporada de 2025, um total superado apenas pela República Dominicana entre os estrangeiros. Alguns dos jogadores mais proeminentes do esporte, incluindo o nove vezes All-Star José Altuve, que joga pelo Houston Astros; o MVP da Liga Nacional de 2023, Ronald Acuña Jr., que joga pelo Atlanta Braves; e a estrela em ascensão Jackson Chourio, do Milwaukee Brewers, são venezuelanos.
Os dirigentes da MLB têm prestado mais atenção ao país desde que Trump decretou a proibição de viagens em junho passado. Em agosto, uma equipe juvenil da Venezuela teve sua entrada negada nos Estados Unidos para um torneio de beisebol na Carolina do Sul. O processo para admitir a Venezuela na Little League World Series exigiu que jogadores e dirigentes da equipe viajassem à Colômbia para entrevistas de visto, com a assistência do senador David McCormick, republicano da Pensilvânia, e a aprovação pessoal do secretário de Estado, Marco Rubio.
Em dezembro, a Confederação Caribenha de Beisebol Profissional optou por transferir seu campeonato de inverno da Venezuela para Guadalajara, no México. Em seguida, veio a operação de sábado, com Maduro e sua esposa, Cilia Flores, detidos e levados para Nova York para serem julgados por acusações de narcoterrorismo e importação de cocaína.
Para muitos que trabalham nos escritórios da MLB, o fim de semana foi gasto enviando mensagens de texto e fazendo ligações. Dirigentes do Boston Red Sox disseram ter confirmado o paradeiro de um grupo que incluía o outfielder Wilyer Abreu, o primeira base Willson Contreras e o catcher Carlos Narváez. O catcher do Kansas City Royals, Salvador Perez, trocou mensagens com dirigentes da equipe, que também entraram em contato com o terceira base Maikel Garcia e um treinador de infield, José Alguacil.
“Confirmamos que todos estão bem”, disse o gerente geral do Royals, J.J. Picollo, em uma teleconferência com repórteres na segunda-feira. “Todos estão saudáveis, sem ferimentos. As famílias estão bem.”
O técnico do Astros, Joe Espada, conversou com Altuve e seu auxiliar técnico, Omar Lopez, que estava comandando um time na Liga Invernal Dominicana. Altuve, o jogador venezuelano em atividade mais premiado, esteve em Houston neste inverno, disse Espada.
López comandará a seleção de seu país quando o World Baseball Classic retornar em março. Os venezuelanos fazem parte de um grupo que inclui a República Dominicana, Israel, Holanda e Nicarágua, e jogarão no LoanDepot Park, em Miami.
“A única coisa que vou dizer é o seguinte: não somos pessoas ruins”, disse López durante uma entrevista no mês passado. “Somos pessoas boas. Somos nobres. Somos humildes. Deixem-nos ser felizes. Só isso.”
Autor: Folha






