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Moraes brinca com a decisão de mandar Bolsonaro à Papuda

Na mesma noite em que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, fez um comentário sarcástico sobre a decisão. Para uma plateia de estudantes de Direito em São Paulo, Moraes afirmou que já tinha feito “o que tinha de fazer” nesta quinta-feira (15), arrancando risadas e aplausos dos presentes.

A fala do magistrado integrou seu discurso como paraninfo dos formandos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual ele também é formado. Ao comentar que nenhum dos oradores respeitou seu limite de tempo, Moraes fez ironia de sua própria autoridade, dizendo que quase teve de “tomar uma atitude”.  

“Ninguém cumpriu os três minutos. O que quase tive de tomar algumas medidas. (SIC) (Risos.) Mas eu me contive, hoje né. Acho que hoje eu já fiz o que tinha que fazer…”, declarou.

A plateia de estudantes compreendeu ao que o ministro se referia e aplaudiu. Moraes aguardou o fim da salva de palmas para prosseguir falando.

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Para o jurista André Marsiglia, a declaração do ministro escancara a perseguição contra Bolsonaro. “Horas depois de determinar a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, Moraes insinua, durante formatura, que não puniria alunos porque já havia punido o suficiente por aquele dia. Se isso não é perseguição, não sei então o que poderia ser”, analisou.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também comentou em suas redes sociais. “Moraes é um narcisista que se deleita com os aplausos por sua tirania. Seu ego inflado é massageado toda vez que exala sua soberba por seu autoritarismo e ganha risos, simpatia e apoio de uma claque ideológica que vibra com a perseguição dos seus adversários”, escreveu.

O STF sempre diz que Moraes fala apenas nos autos. O gabinete de Moraes no STF foi procurado para confirmar e comentar o acontecido, mas não respondeu. O espaço segue aberto para manifestações.

Bolsonaro foi transferido na quinta para o batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança aconteceu após sucessivas reclamações das condições da sala de Estado-maior da PF, onde cumpria pena desde novembro do ano passado.

Fonte: Gazeta do Povo

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