O cantor americano Willie Colón, pioneiro do trombone na salsa, compositor e astro da música latina, morreu, neste sábado (21), aos 75 anos. A família confirmou a notícia em comunicado na página oficial do artista no Facebook, sem divulgar a causa da morte.
“Embora lamentemos sua ausência, também nos alegramos com o dom atemporal de sua música e com as preciosas lembranças que ele criou e que viverão para sempre”, escreveu a família.
Nascido William Anthony Colón Román em 28 de abril de 1950, no Bronx, em Nova York, ele era filho de pais porto-riquenhos e abraçou sua herança cultural desde cedo, aprendendo espanhol com a avó Antonia.
Colón iniciou a carreira de seis décadas ainda adolescente. Aos 15 anos, assinou com a Fania Records, gravadora que promovia música salsa, e lançou seu primeiro álbum, “El Malo”, em 1967, aos 16, ao lado do lendário Héctor Lavoe. O disco vendeu mais de 300 mil cópias e marcou o início de uma parceria frutífera que definiu gerações.
A música de Colón combinava elementos de jazz, rock e salsa, incorporando ritmos da música tradicional de Cuba, Porto Rico, Brasil e África. A relação com o Brasil, em particular, se traduziu em versões em espanhol de clássicos como “Maracangalha” —que virou “Voso”— e “O Que Será”, como “Oh Que Será”, símbolo da salsa.
“Um tema abrangente e significativo na música de Colón, que bebe de diversas culturas e vários estilos diferentes, é a exploração das associações conflitantes que os porto-riquenhos têm com sua terra natal e com os Estados Unidos“, diz o texto da família.
“Ele usa suas músicas para retratar e investigar os problemas de viver nos EUA como porto-riquenho e também para destacar as contribuições culturais que os porto-riquenhos têm a oferecer.”
Seu amor pela música veio da infância. No ensino fundamental, tocava flauta e corneta. Aos 13, migrou para o trompete. Lavoe, mentor na dupla, incentivou inovações na instrumentação e estrutura das canções. Colón gravou dezenas de álbuns, como “La Gran Fuga” (1970) e “El Juicio” (1972).
Ele compôs um clássico da salsa com Lavoe em 1969, “Che Ché Colé”, do álbum Cosa Nuestra, fundindo a música afro-caribenha com ritmos porto-riquenhos.
Suas letras exploravam o conflito identitário dos porto-riquenhos nos Estados Unidos, retratando desafios da diáspora e celebrando contribuições culturais.
Ao longo de sua carreira, Colón lançou mais de 40 discos e vendeu 8 milhões de cópias mundialmente. Ele foi indicado a oito troféus do Grammy. Em 2004, recebeu o prêmio pela trajetória da Academia Latina de Artes e Ciências Fonográficas.
Ativista social de longa data, Colón foi membro da Comissão Latina sobre a Aids e da Fundação das Nações Unidas para Imigrantes, além de ter sido membro do conselho do Instituto do Caucus Hispânico do Congresso, de acordo com sua biografia no site da Filarmônica de Los Angeles.
Autor: Folha








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