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Motorista do Samu, era apaixonado por salvar vidas – 14/12/2025 – Cotidiano

A história se repetia praticamente todos os dias: José Eduardo Borelli Azevedo chegava do trabalho e dizia à mãe, Maria Lurdes, a Lurdinha, para que se preparasse. Tinha muita coisa a contar sobre o turno do qual acabava de sair enquanto motorista do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

“Ele passava relatório. Eu escutava das 7h às 19h tudo o que tinha acontecido. Sabia quem havia sido internado, quem havia morrido”, conta a mãe.

José Eduardo era apaixonado pela profissão, especialmente por salvar vidas.

Nascido em 1983 em Bauru, no interior de São Paulo, desde cedo demonstrou facilidade com a língua portuguesa. Havia razões para isso: a mãe era professora da disciplina em colégios da cidade e em cursos preparatórios.

Mas gostava mesmo é de adrenalina.

Em certa ocasião, ainda criança, pegou escondido um avião de aeromodelismo que a família tinha em casa e tentou controlá-lo sozinho pelo controle remoto. Não deu certo, a hélice atingiu sua perna e foi direto para o hospital.

“Ele ficou muito machucado. Era muito arteiro”, lembra a mãe, hoje com 75 anos.

Tirou de letra a carteira de habilitação porque o pai, dono de autoescola, sempre ensinou orgulhosamente o filho a dirigir.

O interesse pela aventura o acompanhou ao longo da vida. Já mais velho, contava os dias para ir ao rancho da família e passar horas dirigindo a moto que tinha comprado para fazer trilhas.

“Lá eram mais de 200 ranchos e ele conhecia todo mundo. Andava para todo canto e ainda ajudava o pessoal de um lado para o outro com sua moto”, afirma Lurdes.

José Eduardo chegou a cursar biologia durante um tempo, mas não concluiu. Também trabalhou com retroescavadeira e até deu aulas de apoio para motoristas recém-iniciados no maquinário.

Tornou-se motorista do Samu quando passou em concurso público, já mais velho, na mesma cidade onde nasceu.

Sempre buscou se aperfeiçoar. Passava horas na internet em busca de informações sobre o procedimento do serviço de urgência em grandes cidades, como Belo Horizonte ou Curitiba.

Alguns anos depois foi transferido à Unidade de Transporte de Pacientes, que leva e traz pessoas que fazem tratamentos em outras cidades. Descobriu um novo mundo, conta a mãe.

“Ele era muito apegado aos pacientes, com quem sempre tirava fotos, e à equipe de enfermeiros.”

José morreu em 27 de novembro, vítima de uma hemorragia gastrointestinal. Sem filhos, deixou a mãe, Maria Lurdes, a irmã Viviane, o cunhado Marcelo, a sobrinha Amélia, amigos e uma infinidade de pacientes que ajudou a salvar.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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