O Brasil assumiu, na semana passada, a posição de país com maior interesse de buscas por mpox. O volume de pesquisas sobre a doença também superou o de outras enfermidades e foi três vezes maior do que o de gripe e cinco vezes superior ao de dengue, segundo o Google Trends.
Dados da plataforma também indicam que, em fevereiro, as buscas pela doença atingiram um pico. O tema já havia registrado alto volume de interesse em anos anteriores, como em 2022, quando o Brasil registrou a oitava morte pela doença e passou a figurar como o país com maior número de óbitos no surto então em curso no mundo.
O ano também foi o maior período de transmissão, quando houve um pico de 10 mil casos no país.
Além de 2024, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) decidiu manter o nível máximo de alerta em relação à epidemia de mpox ao redor do mundo.
Para Juvêncio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis, administrado pelo Einstein Hospital Israelita, o aumento na procura por informação se explica pela divulgação recente dos casos da doença no país e pela preocupação com uma condição ainda pouco conhecida pela população.
Veja as 12 perguntas feitas no Google sobre mpox com maior crescimento nos sete dez dias:
O que é mpox?
É uma doença viral infecciosa causada pelo vírus mpox, anteriormente conhecido como vírus da varíola dos macacos (monkeypox, em inglês). A OMS anunciou a mudança de nome no fim de 2022. Entre as preocupações estavam reduzir o estigma associado à nomenclatura anterior e adotar um termo de uso mais simples e padronizado em diferentes línguas.
Tem vacina para mpox?
Sim. Mas, em nota, o Ministério da Saúde diz que, por ora, não há indicação de vacinação em massa.
A pasta também afirma que o cenário atual de mpox no Brasil não indica, neste momento, uma situação de crise. Segundo o ministério, o SUS (Sistema Único de Saúde) está preparado para o diagnóstico, tratamento e monitoramento dos casos, com investigação epidemiológica e rastreamento de contatos.
O Ministério da Saúde afirma que realizou a aquisição emergencial da vacina para pessoas que vivem com HIV/Aids e que possuem CD4 (célula de defesa que coordena o sistema imunológico contra infecções) entre 100 e 200 células, usuários de PrEP e profissionais de saúde que manipulem amostras do vírus.
Mpox tem cura?
Sim. Segundo o infectologista Renato Kfouri, na maioria dos casos a evolução é de cura espontânea. Ele ressalta, porém, que há vacinas, ainda em quantidade limitada, com eficácia em torno de 80%, atualmente direcionadas a grupos de maior risco, como profissionais de saúde que atendem casos, vacinação pós-exposição, profissionais do sexo, pessoas vivendo com HIV e trabalhadores de laboratório que manipulam o vírus.
Furtado acrescenta que o principal fator associado à gravidade é o comprometimento do sistema imunológico. “Pessoas imunodeprimidas, por diferentes razões, podem evoluir para formas graves e até fatais”, diz.
Como a mpox é transmitida?
A principal forma de transmissão é o contato próximo entre pessoas. A mpox pode ser transmitida por contato pele a pele, de boca a boca ou de boca a pele, além de ocorrer em situações de proximidade, como conversar de perto ou respirar próximo de uma pessoa infectada. A transmissão sexual também pode ocorrer.
A OMS também menciona a transmissão por materiais contaminados, como roupas, lençóis e toalhas.
Furtado afirma que a transmissão por animais é possível, mas não costuma ser a via principal em áreas urbanas. “Nas cidades, o mais comum é a transmissão de pessoa a pessoa”, diz.
Quantos casos de mpox no Brasil?
O Brasil registrou 88 casos de mpox desde o início de 2026, a maioria em São Paulo, segundo dados do Ministério da Saúde. A pasta afirma que, em geral, os casos são leves ou moderados. Até o momento, não há registro de óbitos.
De acordo com o ministério, entre 1º de janeiro e 20 de fevereiro houve uma redução de 64% no número de casos em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 244 casos.
Quais os sintomas da mpox?
Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Se evoluir para a chamada fase eruptiva, surgem também lesões na pele que podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas de mão e do pé e mucosa.
Mpox pode matar?
Segundo Furtado, a mpox pode levar a óbito, mas o risco é maior em pessoas com imunossupressão importante. Em julho de 2022, quando o Brasil confirmou a primeira morte pela doença, então chamada de varíola dos macacos, tratava-se de um homem de 41 anos, de Minas Gerais, com comorbidades e baixa imunidade.
Mpox, onde surgiu?
O vírus mpox foi identificado pela primeira vez em 1958, na Dinamarca, quando pesquisadores documentaram o patógeno em primatas levados da África para o país, daí a doença ter sido chamada por muito tempo de “varíola dos macacos”.
Após a erradicação da varíola, em 1980, a mpox passou a ocorrer de forma contínua em países das regiões da África Central, Oriental e Ocidental.
Mpox é varíola?
A mpox era anteriormente chamada de varíola dos macacos, mas não é a mesma doença que a varíola humana, declarada erradicada em 1980 após uma campanha global de vacinação.
Como prevenir mpox?
As principais medidas são evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença e não tocar em objetos usados por pessoas infectadas.
O Ministério da Saúde também recomenda adotar medidas de higiene, como lavar as mãos com frequência e, em caso de sintomas ou suspeita de contato próximo com casos suspeitos ou confirmados, procurar uma unidade de saúde para avaliação clínica e manter isolamento até orientação médica.
Mpox é grave?
Segundo Kfouri, em adultos e jovens saudáveis, complicações em geral não são comuns. Ele afirma que as formas graves costumam estar associadas a quadros respiratórios, infecções de pele e, em alguns casos, manifestações neurológicas.
Mpox pode virar pandemia?
Para Furtado, é difícil que a mpox se transforme em uma pandemia, principalmente pela menor facilidade de transmissão, já que não é uma doença transmitida por via aérea.
O que tende a ocorrer, segundo ele, são surtos em diferentes partes do mundo, como o registrado em meados de 2024 na República Democrática do Congo, que se espalhou para países vizinhos.
Autor: Folha








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