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Muitos alunos que aprendem pouco – 22/02/2026 – Opinião

É inegável que, desde o final do século 20, o Brasil promoveu enorme avanço no acesso à educação. Contudo a quantidade de alunos nas escolas não foi acompanhada por qualidade na aprendizagem, um dos principais fatores do desenvolvimento humano e do crescimento econômico de um país.

Entre 1980 e 2021, a taxa da população entre 25 anos e 55 anos que havia concluído o ensino fundamental e o médio, respectivamente, saltou de 20% para quase 80% e de 10% para pouco mais de 75%, segundo pesquisa de 2022 de Guilherme Lichand, professor da Universidade de Stanford.

Note-se que essa evolução foi tardia. A porcentagem do país no ensino médio em 2021 era similar a dos Estados Unidos e do Canadá nos anos 1980 e foi alcançada pelo vizinho Chile em 2005 —quando a do Brasil rondava os 50%.

Levantamento da série histórica do Pisa realizado pela Folha, porém, mostra que o nível de aprendizagem é baixo e pouco avançou. Em leitura, a nota do país na avaliação internacional de jovens de 15 anos passou de 396 para 410 entre 2000 e 2022, ano da edição mais recente. Em matemática, o aumento foi maior, indo de 334 a 379 no período.

No entanto a média da OCDE ronda os 500 pontos em ambas as disciplinas, enquanto o Chile foi de 410 para 448 em leitura e de 384 para 412 em matemática.

O próprio atraso brasileiro na escolarização impacta o aprendizado. Pesquisas mostram que o nível educacional dos pais é fator importante na formação dos alunos. Mas o país apresenta outros problemas que poderiam ser enfrentados com melhorias de gestão e políticas públicas.

O gasto por aluno na educação superior aqui é similar ao da média da OCDE, mas na básica é menos da metade. Nações que alcançam bons resultados no setor investem maciçamente no ensino fundamental e médio —neste caso, também valorizando o ensino técnico, o que não se dá no Brasil.

É preciso, portanto, rever o financiamento público das universidades, com parcerias privadas e contribuição de alunos dos estratos mais abastados.

A formação e capacitação contínua dos professores também é imprescindível, assim como a expansão do modelo de ensino integral, que contribui para a melhoria da aprendizagem.

Por fim, para mover a máquina da educação adiante, é preciso articulação entre as três esferas de governo para reduzir as discrepâncias regionais.

Só assim o acesso à escola será revertido em melhor qualidade de vida para os alunos e no desenvolvimento do país.

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Autor: Folha

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