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Municípios se unem para ampliar acesso à saúde – 20/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

Municípios do interior do Brasil têm se organizado em redes para reduzir deficiências de atendimento à saúde, em uma estratégia batizada de planificação.

Na prática, conjuntos de cidades se unem e discutem o que cada uma tem de melhor a oferecer em seus serviços de saúde. A partir disso, combinam o que será realizado em cada lugar, em uma espécie de troca, e como será o fluxo de suas populações entre as cidades. O modelo é adotado entre regiões de saúde, conforme preconiza o SUS (Sistema Único de Saúde).

Um dos modelos está no Ceará, precisamente na Região Metropolitana do Cariri, no sertão do estado. A área é composta por 45 municípios, três deles de grande porte: Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. Nesses municípios, concentram-se os atendimentos de maior complexidade, como os de especialidades, por exemplo, e moradores de cidades menores, como Granjeiro –que tem 4.800 habitantes– viajam até os municípios maiores para realizar as consultas. O transporte é providenciado pelas administrações municipais.

A estratégia reduziu em nove pontos percentuais a mortalidade infantil entre 2023 e 2024, caindo de 11 para 10,1 a cada mil nascidos vivos na Região Metropolitana do Cariri, segundo dados do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). O objetivo é abaixar esse índice para um dígito.

Segundo Maria José Evangelista, assessora técnica do Conass responsável pela coordenação da iniciativa, a estratégia tem reduzido desigualdades nas pequenas cidades, um velho problema nesses locais.

“O paciente do sertão tinha dificuldade para conseguir sobretudo especialista. Com a planificação, viaja até a cidade grande e passa por todos os médicos em um único dia, por vezes com até 12 profissionais diferentes”, explica.

Para isso, os profissionais de saúde da atenção primária de cada município são treinados para fazer triagens precisas de cada paciente de sua região, segmentando em grupos com condições crônicas ou agudas. Doenças crônicas, como diabetes, e gestantes estão entre as prioridades, explica Maria.

O treinamento também ensina os profissionais a entenderem a condição do paciente e orientá-lo conforme a condição física e financeira dele, o que se chama na saúde de autocuidado apoiado.

“Dessa forma, as pessoas se aproximam da saúde, porque recomendamos fazer o melhor possível com sua condição. A melhor alimentação disponível, o exercício físico que é capaz de executar” diz Maria.

O Brasil tem atualmente cerca de 460 regiões de saúde, estruturadas no modelo de Redes de Atenção à Saúde, conceito do sanitarista e professor Eugênio Vilaça. Nem todas adotam o modelo de planificação, mas o objetivo é expandir a estratégia nos próximos anos.

Para Thais Junqueira, superintendente da Umane, que apoia o projeto, a planificação deixa um legado que se mantém ao longo do tempo.

“Uma vez que esse conhecimento fica determinado, é muito difícil você dar um passo para trás. O método fica absorvido, impacta e marca a política pública. A gente sabe que governos vão e vem, mas as equipes ficam e sustentam a linha de frente do SUS”, afirma.

Ela destaca que, no modelo tripartite, a atenção primária é responsabilidade dos municípios, enquanto os estados assumem as especialidades. “Com o modelo, independente da divisão, o importante é que toda a região seja atendida”, diz Thais.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Autor: Folha

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