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Musk aposta que seu conglomerado pode vencer Wall Street – 09/02/2026 – Economia

A SpaceX, empresa de foguetes e satélites de Elon Musk e a joia da coroa de seu império empresarial, tem pouco em comum com a xAI, o negócio de inteligência artificial e mídia social que consome muito dinheiro do bilionário.

Por isso, muitos ficaram intrigados quando Musk disse nesta semana que estava fundindo as empresas.

A razão que ele deu parecia ter menos a ver com as sinergias de negócios que os investidores adoram e mais com a ficção científica que ele adora.

A SpaceX, explicou Musk, vai transferir data centers de IA para o espaço sideral, onde poderão se expandir e desfrutar de energia solar ilimitada, evitando as burocracias humanas que atrasam o progresso.

Pelo menos, esse é o plano. Mas por trás da visão fantástica de Musk, há razões terrenas para acreditar que um conglomerado de foguetes, satélites, IA e mídia social com sonhos de levar a indústria de tecnologia para o espaço não é tão desajeitado quanto parece.

Embora os conglomerados industriais tenham caído em desuso nas últimas décadas, os conglomerados de tecnologia demonstraram que diferentes negócios podem ser agrupados de forma eficaz.

A verdadeira questão é se as ideias de Musk estão alguns passos à frente demais da realidade.

“Se você tirar Elon Musk da equação, é uma jogada estranha de se fazer”, disse Eric Talley, professor da Faculdade de Direito de Columbia especializado em direito corporativo, governança e finanças. “Mas ele parece ser o mestre das jogadas estranhas e tem uma capacidade invejável de desafiar a gravidade quando se trata dessas coisas.”

As empresas da Alphabet incluem o Google, que gera dezenas de bilhões de dólares por meio de seu negócio de busca, o YouTube e a Waymo, a empresa de carros autônomos que está avançando em algumas cidades norte-americanas. A Amazon agora opera negócios tão variados quanto computação em nuvem e a franquia de filmes de James Bond. E a Microsoft, há muito a fabricante dominante de software pessoal e empresarial, também é dona do LinkedIn e da empresa de videogames Activision Blizzard.

Até a Tesla, a montadora de veículos elétricos que Musk dirige, adquiriu um negócio de energia solar no qual ele detinha uma participação de 20%. (O negócio solar da Tesla dá prejuízo, no entanto, e ficou para trás em relação à Sunrun e outras empresas em número de instalações.)

Há também um propósito comercial mais concreto para a fusão: adicionar a xAI fortalece a SpaceX antes de possíveis planos de abrir capital este ano. O acordo avaliou a SpaceX em US$ 1 trilhão, acima dos US$ 800 bilhões em dezembro, e a xAI em US$ 250 milhões. E Musk espera levantar até US$ 50 bilhões por meio da oferta pública inicial.

Além de estender uma mão financeira à xAI, a SpaceX vai abocanhar uma fatia do boom da IA. Investidores têm despejado dinheiro ansiosamente em startups de IA que acreditam que vão revolucionar a indústria de tecnologia, e ao incorporar a xAI, a SpaceX pode oferecer um gostinho dessa nova riqueza a potenciais investidores.

Embora especialistas alertem que atualmente existem limitações técnicas e físicas, Musk previu em um memorando para funcionários e investidores esta semana que construir data centers no espaço se tornaria a forma de menor custo para alimentar a IA dentro de dois a três anos. Não está claro como Musk, que frequentemente faz previsões ousadas e imprecisas sobre quando novas tecnologias surgirão, chegou a essa conclusão.

“Essa eficiência de custos por si só”, ele escreveu, “permitirá que empresas inovadoras avancem no treinamento de seus modelos de IA e no processamento de dados em velocidades e escalas sem precedentes, acelerando descobertas em nossa compreensão da física e invenção de tecnologias que beneficiem a humanidade.”

Mas mesmo em um mundo tecnológico que tem sido mais receptivo a grandes empresas que fazem muitas coisas diferentes, a nova SpaceX é incomum. Fusões tipicamente unem negócios do mesmo setor, disse Justus Parmar, CEO da Fortuna Investments e investidor da SpaceX. Sua empresa anteriormente recusou um investimento na xAI porque a Fortuna já havia investido na OpenAI, uma empresa focada exclusivamente em IA, mas Parmar disse que estava animado em conseguir uma participação na xAI por meio da fusão.

A fusão de Musk do X, sua plataforma de mídia social, com a xAI no ano passado traz outro negócio para a SpaceX. Após adquirir o X, antigo Twitter, em 2022, Musk revogou a maioria das regras de moderação de conteúdo do site e restabeleceu milhares de contas banidas. E o Grok, o chatbot da xAI, lançou-se em discursos antissemitas e introduziu companheiras de IA sensuais.

Musk já enfrentou críticas de alguns analistas e acionistas da Tesla de que está se espalhando demais, contribuindo para a queda nas vendas e nos lucros da montadora. Ele comanda a SpaceX e a xAI, bem como várias startups menores, incluindo a Neuralink, fabricante de interfaces cerebrais, e a Boring Company, uma empresa de túneis.

Também há preocupações de que Musk não consultou alguns investidores antes da fusão, o que é incomum em negócios de grande valor. “Quando você investe com Elon, ele não se importa com o que você quer”, disse Ross Gerber, investidor da xAI. “Ele vê você como um participante sortudo de seu sucesso.”

Mas o acordo ainda pode funcionar, dizem os investidores, em grande parte por causa do histórico empresarial de Musk. O bilionário deu a volta por cima na Tesla quando era uma pequena empresa à beira da falência em 2008, embora seu lucro tenha diminuído nos últimos trimestres. E muitos investidores estão ansiosos por qualquer coisa que lhes dê uma fatia da bonança da IA.

A SpaceX e a xAI também podem compartilhar alguns recursos de engenharia e usar sua força combinada para negociar acordos com fornecedores de componentes importantes, como os chips de computador especializados usados para alimentar a IA.

Alguns investidores dizem que esperam que Musk expanda ainda mais o negócio, fundindo a SpaceX e a Tesla. Ele já entrelaçou alguns aspectos entre elas, instalando o Grok em veículos Tesla e usando aço desenvolvido pela SpaceX para construir Cybertrucks, mas analistas alertam que haveria desafios legais significativos para uma união. O status de Musk como maior acionista em ambas as empresas provavelmente provocaria processos por conflitos de interesse.

“É inconcebível que possamos ver uma fusão entre a Tesla e a nova SpaceX? Eu não descartaria isso, se a alternativa for navegar por todos esses conflitos de interesse”, disse Talley.

Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.

Autor: Folha

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