Diferentemente do habitual, o Flamengo, na derrota por 2 x 0 para o Corinthians na decisão da Supercopa Rei, não teve o domínio da bola e do jogo. O Corinthians, em vez de marcar mais atrás para contra-atacar, como é o comum nos times que enfrentam o Flamengo, pressionou e não deixou o Flamengo ficar com a bola e trocar passes. O Corinthians mereceu a vitória, pois criou as mais claras chances de gols. Dorival Júnior foi brilhante.
Será que o Corinthians consegue manter uma boa regularidade em um campeonato longo e de pontos corridos como o Brasileirão? Falta mais qualidade ao elenco, mesmo com vários excelentes jogadores. O jovem Bidon tem jogado muito bem. Será que vai evoluir?
Surgiram no futebol brasileiro, desde os anos 50, vários jovens brilhantes que não evoluíram, por inúmeros motivos: técnicos, físicos, emocionais e outros. Para ser um craque, não basta ter talento. É necessário ousadia, vontade de se superar a cada jogo, disciplina, saber conviver com os elogios, a fama, as críticas e tantas outras situações.
O Fluminense ganhou mais um clássico, desta vez por 1 x 0, contra o Botafogo, com mais um gol de John Kennedy. Ele, que teve um grande e promissor início de carreira, quando parecia que se tornaria um craque, piorou, ficou um tempo fora do Fluminense e agora voltou atuando bem. O que teria ocorrido? Não basta parecer craque. É preciso ser craque.
Gerson, na vitória do Cruzeiro por 1 x 0 contra o Betim, teve novamente apenas uma boa atuação, muito abaixo da expectativa. Durante sua carreira, Gerson saiu e voltou ao Brasil algumas vezes, com atuações irregulares. Nos seus melhores momentos, foi titular da seleção brasileira. Por que alternou tanto? Seria desconcentração, falta de gana para se superar?
Se Gerson voltar a brilhar, terá boas chances de ir ao Mundial, pois não existe um bom reserva para Bruno Guimarães, posição em que Gerson atuou contra o Betim. Ele poderia até fazer um trio com Bruno e Casemiro.
Gabigol repetiu a fraca atuação e foi substituído no último jogo do Santos. Ele teve grandes momentos no Flamengo, foi idolatrado e bastante bajulado, mas caiu de produção no próprio Flamengo e foi para o banco. O mesmo aconteceu no Cruzeiro, quando teve atuações apenas razoáveis. Nos últimos tempos, Gabigol passou a atuar muito parado, esperando a bola no pé. Ele criou um personagem famoso e o futebol no campo ficou para trás.
A humildade não é o desconhecimento do que somos, e sim o reconhecimento do que não somos. O craque precisa ter consciência crítica de que só vai brilhar se participar de um ótimo conjunto. Até Pelé sabia disso.
Há atletas de todos os tipos psicológicos, os autoconfiantes que crescem na adversidade e os mais vulneráveis que não suportam as críticas e as vaias. Há também os individualistas, narcisistas que adoram serem bajulados. Precisam demais da aprovação do outro.
Antes de dizerem que um jogador está em má forma técnica ou física, os treinadores deveriam investigar os fatores emocionais. Ansiedade, depressão e outros distúrbios psicológicos são frequentes.
Recentemente, vários campeões em outros esportes pararam de atuar para cuidar da saúde mental. Somos todos frágeis.
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Autor: Folha








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