
Ainda antes do amanhecer, sob o céu escuro do Rio de Janeiro, na última terça-feira, 7 de abril, participantes se reuniram aos pés do Cristo Redentor para o lançamento do 100º box da editora Minha Biblioteca Católica (MBC). O evento foi aberto com a celebração da Santa Missa, marcando o início da programação.
A escolha do local acompanhou o caráter simbólico da ocasião. Ao longo da manhã, o encontro reuniu influenciadores, artistas e missionários do meio católico, enquanto o céu se abria lentamente com o nascer do sol. Na noite anterior, o monumento havia sido iluminado em vermelho, em referência ao marco da editora.
Considerado o principal cartão-postal do Brasil e uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, o Cristo Redentor serviu como cenário para uma mensagem que, segundo os organizadores, ultrapassa o evento em si: tornar visíveis os tesouros da fé católica por meio da beleza e da experiência cultural.
Fundada em 2018, a Minha Biblioteca Católica consolidou-se como um clube de assinatura voltado à publicação e distribuição de obras da espiritualidade cristã. O modelo combina livros físicos com conteúdos de apoio, como guias de leitura, marca-páginas, itens devocionais e serviços digitais integrados.
A proposta editorial reúne tanto a republicação de obras clássicas quanto a circulação de títulos menos difundidos no Brasil. Estruturado em coleções contínuas, o projeto busca permitir que o assinante construa, ao longo do tempo, uma biblioteca física.
O 100º box traz a tradução inédita de Cristo Rei, do padre americano Joseph Husslein (1873–1952), obra centrada na realeza de Cristo, tema central da tradição cristã.
Além do conteúdo, o lançamento se destacou pelo projeto gráfico. A edição apresenta acabamento refinado, com detalhes em dourado e identidade visual marcante, sintetizando um dos pilares da MBC: o resgate da beleza no meio cultural.
A capa do box comemorativo foi desenvolvida pelo artista plástico Cláudio Paschoal. Inspirada na tradição iconográfica cristã, a arte se baseia no conceito da Etimasia — o “trono preparado”, associado à segunda vinda de Cristo.
Entre os elementos presentes na composição estão o trono vazio, o livro dos Evangelhos e o manto vermelho, símbolos ligados à figura de Cristo e ao seu sacrifício. A pomba representa o Espírito Santo, compondo uma referência trinitária. A cruz aparece acompanhada dos instrumentos da Paixão — coroa de espinhos, lança e esponja —, enquanto o monograma Chi Rho remete às primeiras representações cristãs.
A composição inclui ainda anjos em atitude de reverência, o mundo sob o trono — indicando o reinado universal de Cristo — e círculos concêntricos em azul, associados à ideia de eternidade. A moldura em vermelho e dourado reforça a relação entre sacrifício e realeza. Ao redor da capa, está a inscrição da sequência Victimae paschali laudes (“Louvado seja o Sacrifício Pascal”).
Em um cenário frequentemente marcado pela simplificação visual, a editora adota uma linha editorial centrada na riqueza simbólica, na densidade estética e na referência à tradição. A proposta ultrapassa o consumo imediato e incentiva a formação de uma biblioteca sólida, com obras duráveis e enraizadas na herança cultural.
De acordo com a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, lançada no final de 2024, o país perdeu quase 7 milhões de leitores entre 2021 e 2024. Ao todo, 53% dos entrevistados afirmaram não ter lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa — a primeira vez em que o número de não leitores superou o de leitores na série histórica.
Nesse cenário, iniciativas como a da Minha Biblioteca Católica buscam não apenas resgatar a beleza e a durabilidade das obras, mas também fomentar a formação intelectual e espiritual, incentivando o interesse pela leitura, especialmente entre os jovens, em um mundo cada vez mais digital.
Autor: Gazeta do Povo








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