A Novo Nordisk lançou nos Estados Unidos nesta segunda-feira (5) o primeiro comprimido para perda de peso à base de GLP-1, hormônio que regula o apetite e a glicemia, com a promessa de que investimentos em fabricação evitarão a escassez que marcou a versão injetável.
A empresa afirmou que os médicos já podem prescrever a nova versão oral do Wegovy e os pacientes podem retirá-la em mais de 70 mil farmácias dos Estados Unidos.
A dose inicial do comprimido diário custa US$ 150 (cerca de R$ 810) por mês para pacientes sem cobertura de seguro. A maior dose, associada a uma perda de peso mais acentuada, deve chegar ao mercado até o fim da semana por US$ 300 mensais (cerca de R$ 1.620). Para quem tem plano de saúde oferecido pelo empregador, o preço parte de US$ 25 (cerca de 135) por mês.
Ao introduzir o comprimido à base do princípio ativo semaglutida, a fabricante dinamarquesa visa evitar um obstáculo que reduziu as vendas de seus dois principais medicamentos injetáveis, Ozempic e Wegovy: produzir medicamento que consiga acompanhar a demanda dos pacientes.
O comprimido Wegovy foi aprovado pela agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) no mês passado para tratar a obesidade e reduzir o risco cardiovascular, iniciando uma nova fase da era de perda de peso com GLP-1 com uma versão que não requer injeção.
O comprimido Wegovy está sendo fabricado integralmente em um centro de produção em Clayton, na Carolina do Norte, que está na metade de uma expansão de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 21,6 bilhões), segundo a empresa.
A Novo Nordisk está contando com o pesado investimento em fabricação para evitar uma repetição do que aconteceu quando não conseguiu acompanhar a demanda por seus outros medicamentos à base de semaglutida, Ozempic e Wegovy. A FDA os designou em escassez por mais de dois anos, abrindo a porta para farmácias de manipulação produzirem versões mais baratas e sem marca e conquistarem uma parcela considerável do mercado. Também visa evitar perder terreno para seu principal concorrente, Eli Lilly, que está buscando aprovação regulatória para seu próprio comprimido de perda de peso GLP-1.
A Eli Lilly tem constantemente ultrapassado a liderança da Novo Nordisk no mercado de injetáveis para perda de peso com seu medicamento à base de tirzepatida, Zepbound. Agora está enfatizando a conveniência de seu comprimido experimental, orforglipron, que —ao contrário do Wegovy— não vem com limitações sobre comer e beber.
Embora ambas as empresas estejam oferecendo o mesmo preço para suas doses mais baixas, a Novo Nordisk colocou as maiores doses do comprimido Wegovy com um desconto de US$ 100 (cerca de R$ 540) em relação às doses maiores de orforglipron que a Eli Lilly anunciou publicamente para pacientes que pagam em dinheiro.
“Sentimos que esse era o preço certo, aproximadamente US$ 5 [cerca de R$ 37] por dia para uma introdução a um GLP-1 oral”, disse Moore, da Novo Nordisk, sobre o custo da dose mais baixa.
Ele enfatizou quanto peso os participantes em um ensaio clínico perderam —14% na dose mais alta ao longo de 64 semanas, ou uma estimativa de 17% se todos tivessem permanecido no protocolo de tratamento— o que é comparável à versão injetável. “Eficácia semelhante à injeção em um comprimido”, disse Moore.
A Novo Nordisk espera que seu comprimido alcance milhões de pessoas a mais com obesidade que optaram por não experimentar uma injeção de GLP-1. “Talvez fosse porque elas simplesmente não se viam tratando sua doença com uma injeção”, disse Moore.





