A gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pretende deixar a GCM (Guarda Civil Metropolitana) cada vez mais parecida com uma polícia. O próprio prefeito não esconde o desejo e usa em suas entrevistas a expressão “polícia municipal” para se referir à Guarda.
O passo mais recente foi alterar o nome da Iope (Inspetoria de Operações Especiais) para Romu (Ronda Ostensiva Municipal), criada pela primeira vez pelo então prefeito Paulo Maluf em 1993, com o nome Rondas Municipais. A mudança de Nunes foi feita por decreto em 19 de janeiro.
O prefeito já tentou alterar o nome da GCM para Polícia Municipal, mas viu a Justiça paulista barrar a proposta no ano passado.
Procurada, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana disse que a decisão é uma reorganização administrativa para modernizar a estrutura da GCM e fortalecer a segurança urbana.
“A Ronda Ostensiva Municipal substitui a Inspetoria de Operações Especiais, assumindo seu efetivo e recursos, para atuar em ações ostensivas e táticas de maior complexidade, com foco na prevenção de crimes, controle da desordem urbana, apoio a operações integradas e resposta rápida a situações críticas”, disse a pasta.
A gestão Nunes criou, no mesmo decreto da Romu, a Iate (Inspetoria de Ações Táticas Especiais) em substituição à Inspetoria de Ações Integradas. O objetivo é que os agentes atuem “em ocorrências de alta complexidade, como em áreas de risco elevado, grandes emergências e crises”.
A Iope, criada em 2009 por Gilberto Kassab (PSD), tinha como principal atribuição atuar no perímetro da cracolândia, com abordagens, apreensões de drogas e deslocamento de usuários de um ponto para o outro. Seus integrantes já se vestiam no estilo militar, com boinas escuras, diferentemente da maior parte da Guarda Civil Metropolitana, que usa boné.
Na terça-feira (3), Nunes publicou um vídeo em que divulga o carro a ser usado pela equipe da Romu. A viatura é do tipo SUV, pintada com cores escuras, assim como de tropas de elite da PM paulista. O prefeito aparece na imagem ao lado do secretário de Segurança Urbana de SP, Orlando Morando, chefe da GCM.
Maluf nunca omitiu que sua pretensão ao criar a Romu era formar uma tropa semelhante à Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), unidade de elite da Polícia Militar paulista sob responsabilidade do governo estadual. Antes de ser prefeito, Maluf foi governador.
Matéria da Folha em setembro de 1993 apontou os diferenciais da Rota de Maluf, que contava com veículos mais robustos, armas longas e trajes mais próximos aos usados por policiais militares. As mudanças também passavam por aulas de treinamento de tiro e ensino de técnicas de abordagem como as adotadas pela PM.
À época, o coordenador da Guarda Civil Metropolitana, o coronel Luiz Gonzaga de Oliveira, justificou a iniciativa como necessária para o crescimento da tropa. “O prefeito quer ampliar os serviços da Guarda. Isso só será possível com o aumento no número de policiais e de viaturas”.
Candidato à prefeitura em 2016, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) chegou a aventar a possibilidade de recriar a unidade. Ele acabou sendo derrotado na disputa eleitoral.
O modelo Romu não vingou na capital e foi descontinuado, mas criou moda e passou a ser adotado em diversos municípios da Grande São Paulo, onde permanece em atuação.
Autor: Folha








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