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O cinismo de Moraes e Toffoli

O ministro Alexandre de Moraes aproveitou um caso sobre comportamento de magistrados em redes sociais para mandar recados e destilar todo seu cinismo, enquanto seu colega Dias Toffoli pegava as deixas e fazia o mesmo. Ambos estão enrolados no caso do Banco Master, mas acharam adequado sair em defesa do “juiz empresário”.

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Moraes disse que a profissão da magistratura é uma das mais restritas que existem, e o juiz, podendo basicamente só dar aulas e palestras, acaba sendo “atacado” até por simples palestras! Depois de enxugar minha lágrima, já comovido com a vitimização do ministro cuja família possui um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, algumas perguntas martelaram em minha cabeça.

Por exemplo: estaria Moraes enviando um recado direto ao colega Edson Fachin, sobre o tal código de conduta? Fachin até cancelou o almoço que teria com os ministros do Supremo para discutir o tema, ou seja, acho que entendeu o recado. Não venham “demonizar” palestras, até porque soa ridículo quando temos ministros… empresários!

Moraes e Toffoli não passam de dois cínicos, de hipócritas que mancham a imagem de qualquer instituição da qual fazem parte, ainda mais uma corte constitucional. Ambos são casos de polícia!

Foi aí que Toffoli entrou para dizer que vários juízes são fazendeiros. Adoraria uma lista, pois nunca ouvi falar disso. Mas sei de um que é grande fazendeiro em Mato Grosso e colega do Toffoli no STF. Estaria Toffoli mandando recado para Gilmar Mendes, para que ele saia com mais afinco na defesa de Moraes e do próprio Toffoli no caso Master?

Moraes disse ainda que agem de má-fé aqueles que repetem que ministro supremo pode julgar casos em que familiares estão em uma das partes. Deixando de lado que o próprio Moraes não se considera suspeito nem quando ele mesmo é a vítima no processo, vale lembrar da “solução” encontrada no Poder Legislativo: o nepotismo cruzado!

Para não dar tanta bandeira, um deputado contrata o filho do colega senador, que por sua vez contrata a sobrinha do deputado. No STF, vários cônjuges ou filhos possuem escritórios de advocacia que se “especializaram” em casos no Supremo, mas deve ser só coincidência. É puro mérito quando um escritório sai de 5 para 540 casos no STF justamente quando o pai se torna ministro!

Moraes também reclamou de juiz partidário, após Toffoli lembrar que isso é proibido por lei. Dando uma clara alfinetada em Ludmila Lins Grillo, que sofreu aposentadoria compulsória por “ausência” no tribunal, Moraes disse que se antes era vetado juiz usar camisa de candidato em praça pública, claro que isso se aplica também às redes sociais. Ufa!

VEJA TAMBÉM:

  • Banco Master, Moraes e o 8 de janeiro
  • Fachin de braços cruzados

Já pensou um juiz gritar por aí “nós derrotamos o lulismo”? Seria terrível para a imagem da magistratura, não? Ou o juiz ter como senha de acesso ao seu computador de trabalho “Bolso22”, já imaginou? Ainda bem que não temos casos assim, não é mesmo?

Enfim, Moraes e Toffoli não passam de dois cínicos, de hipócritas que mancham a imagem de qualquer instituição da qual fazem parte, ainda mais uma corte constitucional. Ambos são casos de polícia!

André Marsiglia resumiu bem: “O que mais me incomodou ontem não foram as falas de Moraes e Toffoli – deles nada se espera –, mas o silêncio constrangido e constrangedor dos demais ministros, sobretudo dos que se dizem dissidentes”. Até quando os “mudinhos de Bolsonaro” vão consentir com tanto absurdo?!

Autor: Gazeta do Povo

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