Introdução
Enquanto milhares de paranaenses enfrentam dificuldades para pagar contas básicas, existe uma despesa pública que poucos param para calcular: o custo real das Câmaras Municipais do Paraná. Os números são impressionantes e ajudam a explicar por que serviços essenciais como saúde, educação e infraestrutura seguem deficientes em tantas cidades. Em Curitiba, por exemplo, mais de R$ 30 milhões anuais são destinados apenas para manter os gabinetes dos 38 vereadores funcionando – um orçamento superior ao de municípios inteiros. Essa realidade não é exclusiva da capital e merece ser exposta com transparência total.
O Retrato do Privilégio: Números que Chocam
Curitiba: Quando o Custo Político Supera o Investimento em Saúde
A Câmara Municipal de Curitiba opera com 38 vereadores, cada um recebendo subsídio mensal de R$ 25.077,96. Apenas em salários, o gasto ultrapassa R$ 950 mil mensais, totalizando R$ 11,4 milhões por ano. Mas o verdadeiro impacto está nas verbas de gabinete: R$ 44.000,00 mensais por vereador para contratar assessores, somando R$ 1,6 milhão por mês ou quase R$ 20 milhões anuais.
Segundo dados do Portal da Transparência de Curitiba (https://transparencia.curitiba.pr.gov.br/), o custo total anual da Câmara com salários e verbas de gabinete supera os R$ 30 milhões. Para dimensionar esse valor: em 2023, a Prefeitura de Curitiba destinou R$ 28 milhões para manutenção de TODAS as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade.
Londrina e Maringá: O Padrão se Repete no Interior
Em Londrina, segunda maior cidade do estado, 19 vereadores recebem subsídio de R$ 19.678,42 mensais, totalizando R$ 373 mil por mês só em salários. A verba de gabinete individual é de R$ 37.800,00 mensais, gerando um custo adicional de R$ 718 mil por mês. Anualmente, conforme dados disponíveis em https://transparencia.londrina.pr.gov.br/, o gasto total ultrapassa R$ 13 milhões.
Maringá apresenta números similares: 21 vereadores com subsídio de R$ 20.696,54 e verba de gabinete de R$ 39.312,00 mensais por parlamentar (fonte: https://transparencia.maringa.pr.gov.br/).
O Custo Real: O Que Esse Dinheiro Poderia Fazer?
Em Ponta Grossa, o orçamento anual para conservação e manutenção de vias foi de aproximadamente R$ 20 milhões (https://transparencia.pontagrossa.pr.gov.br/). O custo da Câmara Municipal local, com seus 15 vereadores, consome uma fração significativa desse valor que deveria tapar buracos e melhorar o trânsito.
A pergunta crucial é: esse investimento em “representação política” retorna em melhorias proporcionais para a população? Enquanto faltam remédios nas UBSs, escolas carecem de infraestrutura e ruas permanecem sem pavimentação, bilhões de reais alimentam uma estrutura que muitas vezes parece desconectada das reais necessidades do cidadão.
Três Soluções Práticas para o Controle Cidadão
1. Transparência Real, Não Apenas Formal
A Lei de Acesso à Informação (LAI) garante nosso direito a informações públicas. Os portais de transparência existem, mas frequentemente são confusos e pouco intuitivos. A solução: exigir da sua Câmara Municipal um “Painel do Cidadão”, onde todos os gastos – do cafezinho à passagem aérea – estejam em planilhas abertas e compreensíveis.
Como fazer: Registre pedidos formais via LAI, envie e-mails para a ouvidoria da Câmara, cobre em redes sociais. Sem transparência efetiva, não há controle social possível.
2. Teto Salarial Vinculado à Realidade Local
Atualmente, o subsídio dos vereadores está atrelado ao salário dos deputados estaduais, criando uma bolha inflacionária desconectada da economia municipal. A proposta: Projetos de Lei de Iniciativa Popular que vinculem o salário dos vereadores a um múltiplo do salário mínimo ou a um percentual do orçamento de educação e saúde.
Se os representantes não propõem o limite, cabe ao povo fazê-lo através dos mecanismos democráticos disponíveis.
3. Voto Consciente com Fiscalização Permanente
O voto não pode ser um cheque em branco de 4 anos. Crie um “Questionário do Cidadão” para os candidatos nas próximas eleições:
- “Você reduziria a verba de gabinete em 30% para investir em creches?”
- “Publicará sua agenda e votações semanalmente?”
- “Abre mão do auxílio-moradia?”
Grave as respostas, divulgue, cobre. O mandato é um contrato com compromissos claros.
Seu Desafio: Transforme Indignação em Ação
A mudança começa individualmente, mas se multiplica coletivamente. Aqui está seu desafio:
AÇÃO IMEDIATA (5 minutos): Acesse o portal da transparência da sua cidade. Busque “Remuneração de Vereadores” ou “Verba de Gabinete”. Anote nomes e valores.
AÇÃO COLETIVA: Compartilhe seus achados nas redes sociais, marcando a Câmara Municipal. Publique: “[Cidade] – Vereador(a) [Nome] – R$ [Valor]”. Informação pública é direito de todos.
AÇÃO DE LONGO PRAZO: Compartilhe este artigo com três pessoas que se importam com sua cidade. Quando milhares de cidadãos expõem dados simultaneamente, a pressão social se torna inescapável.
Conclusão
Um Paraná forte e justo não se constrói com políticos vivendo em bolhas de privilégios enquanto serviços essenciais definham. Constrói-se com cidadãos que não têm medo de pegar a calculadora, abrir o portal da transparência e perguntar em alto e bom som: “Isso aqui vale o meu suor?”. O custo do privilégio político está exposto. Agora, cabe a cada um de nós decidir se continuaremos apenas reclamando ou se começaremos a medir, questionar e cobrar. Quando fazemos isso, o jogo muda.
E você, o que R$ 10 milhões a mais no orçamento da sua cidade poderiam fazer? Uma nova escola? Mais médicos? Mais segurança? Compartilhe nos comentários e vamos transformar reflexão em ação.
Fontes e Referências:
- Portal da Transparência de Curitiba: https://transparencia.curitiba.pr.gov.br/
- Portal da Transparência de Londrina: https://transparencia.londrina.pr.gov.br/
- Portal da Transparência de Maringá: https://transparencia.maringa.pr.gov.br/
- Portal da Transparência de Ponta Grossa: https://transparencia.pontagrossa.pr.gov.br/
- Lei de Acesso à Informação (LAI) – Lei Federal nº 12.527/2011
Sou Leandro Cazaroto e tenho a convicção de que a informação clara e acessível é a base para uma cidadania ativa e consciente. Quando os cidadãos estão bem informados, tornam-se agentes transformadores de sua própria realidade, capazes de participar de forma qualificada das decisões que moldam nosso futuro. Acredito que é através do conhecimento, da transparência e do diálogo baseado em fatos que construiremos um Paraná mais justo, desenvolvido e com oportunidades para todos. Essa não é apenas uma visão, mas um compromisso diário com a verdade e com o poder que cada pessoa tem de fazer a diferença. Quer acompanhar esse trabalho? Siga-me nas redes sociais e junte-se a essa jornada por um Paraná mais forte e conectado.

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