quinta-feira, janeiro 8, 2026

O custo real do atraso: quanto o Paraná perde por ano com logística defasada?

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A imagem do grão saindo do campo e chegando aos mercados internacionais é a cara do Paraná. No entanto, essa trajetória enfrenta obstáculos que se traduzem em um prejuízo bilionário para a economia do estado. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) traz um número impactante: a ineficiência logística custa ao Paraná a impressionante cifra de R$ 1,6 bilhão por ano. Isso significa que, se a infraestrutura de transportes fosse adequada, esse valor seria injetado de volta na economia estadual, impulsionando mais investimentos, empregos e desenvolvimento. O gargalo está no caminho do produto até o porto: o custo logístico interno representa 62% das despesas totais para exportar uma tonelada de carga para a Ásia. É um preço alto pago pela dependência de uma rede com pontos críticos em estradas, ferrovias e portos.

Desvendando o Prejuízo Bilionário: O Estudo da FIEP

O cálculo apresentado pela FIEP é um diagnóstico claro da situação. Hoje, um produtor paranaense gasta cerca de US$ 97 para exportar uma tonelada de produto para mercados asiáticos. A análise detalhada mostra que a maior fatia desse custo, US$ 60 (ou 62%), é consumida apenas pelo transporte interno – o trajeto do interior do estado até o porto de Paranaguá. O transporte marítimo internacional, por sua vez, responde por 38%.

O estudo projetou o cenário com uma logística eficiente. Se houvesse uma rede intermodal bem integrada, com estradas em boas condições, ferrovias eficientes e portos ágeis, esse custo total poderia cair para US$ 82 por tonelada. Considerando o volume total exportado pelo Porto de Paranaguá, essa economia por tonelada se multiplica, resultando no potencial de R$ 1,6 bilhão anuais que deixam de ser perdidos para a ineficiência. Esse não é um valor abstrato; é dinheiro que deixa de circular nas cooperativas, nas indústrias e no comércio do Paraná.

Os Gargalos que Oneram a Produção Paranaense

Essa perda monumental não acontece por acaso. Ela é o resultado da soma de vários gargalos crônicos que estrangulam a competitividade paranaense:

  • Dependência Rodoviária e Infraestrutura Deficiente: O Brasil tem uma das maiores participações do custo de transporte no faturamento das empresas entre países comparáveis, em parte pela forte dependência do modal rodoviário. Estradas em mau estado aumentam o desgaste de veículos, o consumo de combustível e o tempo de viagem, encarecendo diretamente o frete. No Paraná, essa é uma realidade diária para caminhoneiros e embarcadores.
  • Saturação e Atrasos Portuários: O Porto de Paranaguá, vital para o estado, sofre com problemas comuns no país. Em 2024, os custos com demurrage (taxas por atraso na liberação de cargas) em portos brasileiros atingiram US$ 2,3 bilhões. Além disso, cancelamentos de escalas de navios portacontêineres em portos como Paranaguá cresceram quase 50% em um ano, um claro sintoma de terminais abarrotados. Para cargas de alto valor, como café e manufaturados, um navio que cancela a escala causa um prejuízo enorme na cadeia produtiva.
  • Falta de Integração Intermodal: A escassa integração com o modal ferroviário sobrecarrega as rodovias. Projetos como a ampliação da malha ferroviária e a sinergia com a Ferroeste são apontados como urgentes para equilibrar a matriz de transporte e reduzir custos. Uma distribuição mais equilibrada entre modais é uma das chaves para a eficiência logística nacional.
  • Burocracia e Lentidão em Novos Investimentos: Novos terminais portuários privados, essenciais para ampliar a capacidade, ainda enfrentam entraves de licenciamento no litoral paranaense. Especialistas apontam que, no Brasil, o processo para construir um terminal portuário pode levar de 7 a 10 anos, um prazo incompatível com o crescimento da demanda.

Caminhos para uma Logística Mais Competitiva

Reverter esse quadro e resgatar os bilhões perdidos exige ação estratégica em múltiplas frentes. As soluções passam por:

  1. Investimento em Manutenção e Expansão da Malha Rodoviária: Priorizar a conservação e a duplicação de rodovias estaduais estratégicas para o escoamento da produção, especialmente no Oeste e Sudoeste do estado.
  2. Aceleração dos Projetos Ferroviários: Dar prioridade política e agilidade à expansão e modernização da malha ferroviária, integrando-a eficientemente aos corredores de exportação.
  3. Eficiência Portuária e Novos Terminais: Além de buscar maior eficiência operacional em Paranaguá, é crucial desburocratizar e liberar a construção dos portos privados previstos, ampliando a capacidade de recebimento e embarque de cargas.
  4. Modelos de Parceria com a Iniciativa Privada: Concessões rodoviárias e ferroviárias bem estruturadas, bem como Parcerias Público-Privadas (PPPs), são mecanismos fundamentais para atrair os grandes investimentos necessários, como visto em estados vizinhos.

Conclusão

O custo de R$ 1,6 bilhão ao ano é mais do que um número; é um termômetro da urgência com que o Paraná precisa tratar sua infraestrutura logística. Cada dia de atraso na modernização de estradas, ferrovias e portos significa mais riqueza sendo desperdiçada. Transformar essa realidade é um projeto de estado que demanda planejamento de longo prazo, investimentos maciços e vontade política para desburocratizar e executar. Melhorar a logística não é um gasto, mas o investimento mais estratégico que o Paraná pode fazer para garantir seu crescimento sustentável e sua posição competitiva no cenário nacional e global. O futuro econômico do estado depende diretamente das escolhas feitas hoje para destravar seu fluxo de produção.

E você, qual a sua perspectiva sobre esse desafio?

  1. Na sua opinião, qual o gargalo logístico mais crítico para o Paraná hoje: as estradas, as ferrovias ou a capacidade portuária?
  2. Como a logística defasada impacta o dia a dia do seu negócio ou da sua região?
  3. Que medida concreta você acredita que deveria ser a prioridade absoluta dos governos para começar a reverter esse quadro?

Compartilhe este artigo para ampliar esse debate fundamental para o futuro da economia paranaense.


Sou Leandro Cazaroto e tenho a convicção de que a informação clara e acessível é a base para uma cidadania ativa e consciente. Quando os cidadãos estão bem informados, tornam-se agentes transformadores de sua própria realidade, capazes de participar de forma qualificada das decisões que moldam nosso futuro. Acredito que é através do conhecimento, da transparência e do diálogo baseado em fatos que construiremos um Paraná mais justo, desenvolvido e com oportunidades para todos. Essa não é apenas uma visão, mas um compromisso diário com a verdade e com o poder que cada pessoa tem de fazer a diferença.

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