quinta-feira, janeiro 8, 2026

O nome do jogo é Cuba – 06/01/2026 – Elio Gaspari


Donald Trump conseguiu o imaginável (sequestrou Nicolás Maduro) e o inimaginável (a vice chavista, Delcy Rodríguez, assumiu a Presidência da “República Bolivariana”, prometendo priorizar “uma relação respeitosa e equilibrada” com os Estados Unidos). Vice virando casaca não é novidade, mas a calma bolivariana surpreendeu. Num de seus primeiros atos, Delcy Rodríguez expulsou dois diplomatas franceses depois que o presidente Emmanuel Macron expressou sua preferência pela oposicionista María Corina Machado, que acabou de ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

Na esteira da captura de Maduro, Trump ameaçou o presidente colombiano, Gustavo Petro, voltou a reivindicar a Groenlândia e soltou uma frase críptica: Cuba não vale uma invasão porque seu regime comunista está pronto “para cair”. Há 67 anos presidentes americanos acham que o governo cubano está prestes a cair. Fidel morreu, e seu irmão Raul completou 94 anos.

A Venezuela tem petróleo, e a Colômbia tem um presidente de esquerda, mas a joia da coroa que Trump busca é Cuba. Derrubar o regime dos irmãos Castro é coisa que vários presidentes americanos perseguiram. Um regime comunista a 145 km da Flórida justifica malquerenças, mas, para Trump, um empresário do setor imobiliário, lá está um tesouro, maior do que todos os butins dos piratas que vicejavam no Caribe nos séculos passados.

Cuba Libre hospeda um patrimônio imobiliário estimado em centenas de bilhões de dólares. Livres do castrismo, empresários americanos e cubanos teriam a porta aberta para operações de ganha-ganha. Ganhariam as famílias que perderam propriedades ao serem indenizadas, ganhariam as famílias que vivem em propriedades confiscadas, indo para imóveis com escritura passada em cartório. Ganhariam os empresários interessados em fazer negócios imobiliários na ilha. Finalmente ganhariam os americanos interessados em comprar uma casa ensolarada a uma hora e meia de voo.

Trump está de olho em Cuba pelo prestígio político que o triunfo lhe daria e pelos negócios que viriam junto. Quando ele diz que o regime está pronto “para cair”, certamente baseia-se em informações de seus serviços secretos. Nas últimas semanas ele deu diversas pistas mostrando que armava alguma para Maduro. Deu no que deu.

Um projeto cubano seria também do agrado de Marco Rubio, seu secretário de Estado, um político da Flórida, filho de cubanos que deixaram a ilha. Houve tempo em ele dizia que seus pais fugiram do castrismo. Era mentira, eles deixaram Cuba durante o governo do sargento Fulgencio Batista, deposto por Fidel em 1959.

Cuba é um tema tóxico para os presidentes americanos. No dia 22 de novembro de 1963, o chefe das operações especiais da Central Intelligence Agency estava reunido em Paris com um cubano que mataria Fidel. A conversa foi interrompida por uma notícia vinda de Dallas. John Kennedy foi substituído pelo vice. Lyndon Johnson morreu em 1973 convencido de que havia o dedo cubano no tiro de Lee Oswald.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Source link

Destaques da Semana

Temas

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas

spot_imgspot_img