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O peso invisível dos impostos no bolso do brasileiro

Há verdades simples que não precisam de gráficos para serem compreendidas. Uma delas é esta: quando o governo cresce demais, é o cidadão comum que paga a conta. No Brasil, poucas coisas afetam tanto a vida das famílias quanto os impostos — e poucas são tão invisíveis no dia a dia. Diferentemente do aluguel ou da conta de luz, os tributos se escondem nos preços, nos salários achatados e nas oportunidades que nunca chegam a existir.

Os números apenas confirmam o que o brasileiro já sente no bolso. Entre 2022 e 2025, a arrecadação de tributos cresceu fortemente. Mesmo depois de descontada a inflação, cada brasileiro passou a pagar cerca de R$ 2.060 a mais por ano em impostos. Em valores nominais, o aumento chega a R$ 4.420 por pessoa. Isso não é um detalhe estatístico. É uma escolha política com consequências reais.

Colocando isso em termos simples: uma família com pai, mãe e dois filhos passou a entregar mais de R$ 1.400 por mês ao Estado apenas para cobrir o aumento da carga tributária. Não foi uma decisão da família. Não foi uma escolha livre. Foi dinheiro retirado compulsoriamente do orçamento doméstico.

Diferentemente do aluguel ou da conta de luz, os tributos se escondem nos preços, nos salários achatados e nas oportunidades que nunca chegam a existir

Esse valor poderia ser usado para matricular seus filhos em uma escola privada, para pagar pelo plano de saúde, para uma alimentação mais saudável ou uma moradia mais digna. Poderia estar sendo poupado, investido ou usado para dar mais segurança ao futuro da família. Em vez disso, foi absorvido por um Estado cada vez maior, mais caro e mais distante das necessidades reais da população — um Estado que cobra mais, mas entrega pouco.

E os efeitos não param nas famílias. Quando os impostos sobem demais, o capital foge, o emprego desaparece e a esperança vai junto. Cada vez mais empresas brasileiras estão deixando o país e se instalando no Paraguai e no Uruguai, atraídas por um custo de produção mais baixo, regras mais simples e tributos significativamente menores. Não é ideologia. É matemática. O investimento vai para onde é mais fácil e barato produzir. Quando o Estado sufoca o empreendedor, este parte em busca de melhores oportunidades em outros países.

Não há nada de errado em financiar o funcionamento do Estado. O erro começa quando o governo passa a acreditar que o dinheiro que arrecada lhe pertence — e não às pessoas que o produziram. O problema não é o tamanho do sonho brasileiro. É o tamanho do Estado que se colocou no caminho desse sonho.

A questão central não é técnica. É moral. É justo exigir cada vez mais de quem trabalha, produz e sustenta o país? É justo empurrar empresas para fora, empregos para longe e famílias para o limite?

O debate tributário não é abstrato. Ele acontece todo mês, na mesa da cozinha, quando o brasileiro decide o que cortar, o que adiar e o que sacrificar. No fim das contas, a escolha é simples — e profundamente humana: mais Estado e mais tributos, ou mais liberdade?

Essa é a decisão que define o futuro do Brasil.

Autor: Gazeta do Povo

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