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O que saber antes de comprar medicamentos online – 28/02/2026 – Equilíbrio e Saúde

Desde que o boom dos GLP-1 começou, os medicamentos para obesidade não têm sido prescritos apenas em clínicas. Os pacientes têm ido às compras nos Estados Unidos. De acordo com uma pesquisa de novembro com 1.350 americanos, cerca de uma em cada quatro pessoas que tomam GLP-1 estava obtendo esses medicamentos de sites, spas médicos ou centros de medicina estética, em vez de médicos de atenção primária ou especialistas.

Com frequência, esses estabelecimentos vendem cópias de baixo custo de medicamentos para obesidade. São versões manipuladas feitas por farmácias que medem e dissolvem ingredientes de medicamentos, criando seu próprio produto injetável.

No início deste mês, a Hims & Hers, uma grande provedora online de medicamentos para obesidade, anunciou que venderia uma versão manipulada da pílula Wegovy por cerca de US$ 100 (R$ 514) a menos por mês do que a versão oficial vendida pela Novo Nordisk.

A Hims retirou este produto do mercado dois dias depois, depois que reguladores federais levantaram preocupações. O episódio mostra o dilema que muitos americanos estão enfrentando: acesso mais barato, mas com menos garantias sobre o que estão realmente recebendo.

Por isso, o jornal americano New York Times decidiu perguntar a especialistas se importa onde você obtém medicamentos para obesidade.

O QUE É UM MEDICAMENTO GLP-1 MANIPULADO?

A lei federal americana permite a manipulação quando há escassez de um medicamento ou quando um paciente precisa de uma formulação especial. No entanto, após vários anos de oferta limitada, a FDA (a Anvisa dos EUA) diz que a escassez de GLP-1 acabou.

Desde então, muitos spas médicos e empresas de telemedicina continuaram a vender medicamentos manipulados, dizendo que essas versões personalizadas são necessárias.

Essas empresas tendem a vender versões ligeiramente alteradas. Por exemplo, misturando ingredientes como vitamina B12 ou a molécula NAD+ ou doses personalizadas que as empresas farmacêuticas não vendem.

Críticos argumentam que essas modificações são ajustes superficiais, e a Novo Nordisk processou empresas que produzem semaglutida manipulada —o genérico do Ozempic e Wegovy— “sob o falso pretexto de personalização”.

Medicamentos GLP-1 manipulados podem ser mais baratos e mais fáceis de obter, já que muitas seguradoras de saúde relutam em cobrir as versões de marcas mais caras. Mas esses medicamentos copiados também vêm com mais incertezas, diz Amy Sheer, médica especialista em obesidade da University of Florida Health, já que não são aprovados pela FDA.

Embora os reguladores supervisionem o processo de manipulação, os critérios são geralmente mais leves do que para medicamentos aprovados.

Portanto, remédios manipulados enfrentam padrões mais baixos de segurança, qualidade e eficácia.

A FDA enviou cartas de advertência a farmácias de manipulação sobre produtos GLP-1 que não foram produzidos em condições estéreis ou tinham menos semaglutida do que o prometido. Recentemente, uma manipuladora da plataforma de telemedicina Hims & Hers foi notificada por ter uma potencial infestação de insetos em suas instalações.

Em nota, a Hims escreveu que “a segurança do paciente e a conformidade regulatória são fundamentais para a forma como operamos”.

Medicamentos manipulados às vezes podem levar a complicações sérias, como overdoses de GLP-1. Mas esses problemas parecem ser raros.

Para muitos pacientes, o maior risco é mais simples: dinheiro desperdiçado e perda de peso estagnada por causa de um medicamento mal feito ou falso, segundo Goutham Rao, chefe do departamento de medicina de família e saúde comunitária do University Hospitals Cleveland Medical Center.

Esse risco pode ser reduzido usando uma farmácia estabelecida ou empresa de telemedicina com reputação a zelar, diz Rao, em vez de recorrer a marketplaces online.

Em um estudo de 2024, pesquisadores compraram GLP-1 em redes sociais e de farmácias ilegais, e receberam medicamentos rotulados incorretamente, contaminados e com dosagem errada, quando os produtos de fato eram entregues.

Em uma prática médica típica, os pacientes tomam medicamentos GLP-1 como parte de um plano de tratamento mais amplo, diz Juliana Simonetti, diretora do programa de medicina da obesidade da University of Utah Health.

Por exemplo, os médicos usam exames laboratoriais para avaliar complicações relacionadas ao peso e oferecem orientação dietética e de exercícios para evitar problemas como desnutrição. Consultas regulares de acompanhamento também são importantes para gerenciar efeitos colaterais e aumentar as doses ao longo do tempo.

Esse monitoramento próximo pode ser importante porque, em casos raros, medicamentos GLP-1 podem causar problemas sérios na vesícula biliar e no pâncreas, segundo Emily Hill Bowman, médica de atenção primária da Nebraska Medicine.

À medida que os pacientes perdem peso, os médicos também podem recalibrar outras prescrições para evitar, por exemplo, que os níveis de tireoide disparem ou que a pressão arterial caia demais.

Em contraste, obter GLP-1 de sites ou spas médicos pode deixar os pacientes gerenciando esses riscos por conta própria, afirma Sheer, porque eles podem ser transferidos entre diferentes provedores ou ter um acompanhamento irregular.

Algumas empresas de telemedicina também operam como serviços de assinatura. Esse modelo pode criar conflitos de interesse, diz Sheer, onde a mesma empresa avalia os pacientes e vende medicamentos a eles, quando outra opção de tratamento poderia ser mais apropriada.

A telemedicina pode ampliar o acesso, diz Simonetti, mas quando o cuidado é majoritariamente distante e o acompanhamento é limitado, pode levar a prescrições inadequadas, suporte insuficiente ao paciente e respostas mais lentas a sinais de alerta.

Medicamentos GLP-1 são uma ferramenta, mas não um substituto para o cuidado adequado da obesidade, diz Simonetti. “Não se trata apenas do peso. Trata-se de melhoria da saúde”, afirma.

O QUE VOCÊ DEVE FAZER SE ESTIVER TOMANDO MEDICAMENTOS GLP-1 MANIPULADOS?

Se você vai obter GLP-1 de um serviço de telemedicina ou spa médico, pergunte de onde vêm os medicamentos, quem ajuda a gerenciar os efeitos colaterais e com que rapidez você pode entrar em contato com um provedor, diz Sheer. Respostas vagas a essas perguntas básicas podem sinalizar problemas.

Certifique-se de que o médico saiba quais outros medicamentos você está tomando e estabeleça um plano real de acompanhamento para ajustar esses medicamentos e sua dose de GLP-1, afirma Sheer.

Além disso, busque orientação contínua sobre dieta e exercícios, já que a perda de peso rápida sem outras mudanças no estilo de vida pode prejudicar a força e a saúde geral.

Mais importante, envolva seu médico de atenção primária e leve seu medicamento manipulado à sua próxima consulta. Mesmo que o provedor online ou spa médico ofereça serviços de acompanhamento, seu médico ainda pode monitorar seus exames, oferecer suporte de estilo de vida, gerenciar efeitos colaterais e ficar atento a complicações sérias, diz Simonetti.

Além disso, seu médico pode ser capaz de direcioná-lo a uma farmácia de manipulação mais confiável ou dizer se você está pagando demais.

“Avise seu médico. Ficamos felizes em ajudar de qualquer forma que pudermos”, diz Bowman.

Autor: Folha

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