A prevalência de obesidade disparou no Brasil nos últimos 19 anos, com aumento de 118% na população adulta. O dado é o mais recente e consta do levantamento do Vigitel, braço do Ministério da Saúde que monitora a frequência de doenças crônicas no país, divulgado em janeiro.
Segundo o estudo, realizado em todas as capitais do país e no Distrito Federal, a frequência de adultos com obesidade saltou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. O resultado foi publicado em janeiro e mostra que a prevalência mais que dobrou, uma elevação de 118% (ou 13,9 pontos porcentuais).
O aumento foi verificado tanto em homens quanto em mulheres, com ligeira vantagem entre a população feminina, variando de 12,1% no primeiro ano para 26,7% no último ano da série. A variação na população masculina foi de 11,4% para 24,4%.
Os dados indicam um avanço contínuo e acelerado da obesidade na população adulta das capitais brasileiras ao longo das últimas duas décadas. Embora o levantamento extraia uma realidade apenas das capitais e do Distrito Federal, ele serve de parâmetro fundamental para monitorar o aumento da doença.
Outros estudos confirmam o aumento da obesidade em âmbito nacional. O Datafolha mostrou, em outubro do ano passado, que seis em cada dez brasileiros adultos estão com sobrepeso ou obesos. A pesquisa ouviu 2.008 brasileiros com idade média de 43 anos em todas as regiões do país.
Já um levantamento conduzido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), mostra o avanço acelerado do sobrepeso e da obesidade em parte das crianças.
Segundo o estudo, aos nove anos de idade o sobrepeso atinge 30% dos meninos e 28,2% das meninas, enquanto a obesidade chega a 14,1% entre meninos e 10,1% entre meninas. EmEm média, os indicadores de peso e IMC (Índice de Massa Corporal) permanecem acima do padrão de referência da OMS (Organização Mundial da Saúde) ao longo de toda a infância.
Para Maria Edna de Melo, médica-assistente do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP e membro da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), o aumento reflete a falta de acesso a alimentos saudáveis e uma mudança no comportamento alimentar.
“A gente tem alimentos ultraprocessados com uma inflação muito mais baixa e os alimentos in natura com uma inflação maior. Os investimentos do governo favorece o agro, em comodities, em contrapartida a gente tem uma diminuição nos investimentos de agricultura familiar”, diz.
“Isso é reflexo de uma geração que chega na vida adulta com grande exposição a telas, consumo exagerado de alimentos ultraprocessados e menor quantidade de atividade física não-programada’, avalia o médico Bruno Geloneze Neto, pesquisador do Centro de Pesquisas em Obesidade e Comorbidades da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professor da mesma universidade.
Os novos dados da Vigitel mostram que o aumento da obesidade não foi restrito a um perfil específico: além de ocorrer em ambos os sexos, também avançou em todas as faixas etárias e em todos os níveis de instrução.
Na série completa (2006-2024), a faixa etária de 35 a 44 anos registrou o maior aumento médio anual, com 0,82 ponto percentual ao ano. No período mais recente (2019-2024), a aceleração mais expressiva ocorreu entre adultos de 25 a 34 anos, com aumento médio de 1,31 ponto percentual por ano.
O grupo com ensino médio completo e superior incompleto apresentou o maior crescimento anual no recorte de escolaridade, com 0,87 ponto percentual de aumento por ano na série histórica.
O Brasil executa o Plano de Dant 2021-2030, que alinha as políticas de saúde do país a compromissos internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Uma das metas estabelecidas é deter o aumento da obesidade entre adultos, mantendo a prevalência em, no máximo, 20,3% (valor de 2019) até 2030. Conforme os dados, esse limite máximo já foi superado em 2020, quando a taxa atingiu 21,7%.
Em nota, o Ministério da Saúde afirma que investe em ações preventivas, como a estratégia Viva Mais Brasil, que recebeu R$ 340 milhões em políticas de promoção à atividade física na atual gestão.
A pasta também destaca que o Guia Alimentar para a População Brasileira fornece orientações baseadas em evidências científicas para promover uma alimentação saudável, considerando particularidades regionais, culturais e biológicas.
Autor: Folha








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