sábado, janeiro 10, 2026

Oito dicas para lidar com ansiedade de crianças nas férias – 10/01/2026 – Equilíbrio

Com as férias escolares, as crianças ganham mais tempo para relaxar e se divertir. Mas o excesso de tempo livre também pode abrir espaço para um sentimento comum entre os pequenos: a ansiedade infantil.

Entre os principais gatilhos, estão a mudança brusca de rotina e o excesso de telas. Além disso, o estresse dos próprios pais pode gerar um desequilíbrio emocional nas crianças. Segundo especialistas, manter uma previsibilidade de atividades pode ajudar a reduzir a ansiedade dos filhos.

Uma das causas de ansiedade nas férias é a perda de estrutura: sem a escola e os horários fixos para refeições e tarefas, as crianças ficam sem referência. Por isso, manter uma rotina mínima faz toda a diferença.

“Não precisa ser uma agenda rígida, mas alguns pontos de ancoragem ao longo do dia, como horário para acordar, dormir, para fazer refeições e brincar. São pequenos rituais que funcionam como lembretes de previsibilidade”, afirma a psicóloga Natália Aguilar, especialista em psicologia da parentalidade.





Não precisa ser uma agenda rígida, mas alguns pontos de ancoragem ao longo do dia, como horário para acordar, dormir, para fazer refeições e brincar. São pequenos rituais que funcionam como lembretes de previsibilidade

Segundo Aguilar, criar esse ambiente mais previsível durante as férias ajuda as crianças a saber o que está por vir e a se sentirem mais seguras e relaxadas, reduzindo a ansiedade.

Nesse contexto, as telas devem ganhar um espaço definido, sem virar o centro do dia.

“As telas não precisam ser vilãs, porque nossa realidade não permite viver sem elas. Essa geração nem imagina um mundo assim”, explica a psicóloga.

O problema surge quando elas viram o único escape para tédio ou frustração, potencializando a dificuldade de lidar com emoções reais. A chave é o equilíbrio: telas como um recurso entre muitos, não o principal.

Para o psicanalista Artur Costa, professor sênior da ABPC (Associação Brasileira de Psicanálise Clínica), as brincadeiras são uma das formas mais potentes de aliviar a ansiedade infantil.

“O mais importante não é a brincadeira em si, mas a qualidade da presença dos pais enquanto as crianças brincam. Quando o adulto brinca de verdade sem celular e sem pressa, a criança sente uma real segurança emocional”, afirma.

Costa explica que as crianças regulam suas próprias emoções simplesmente observando como os adultos lidam com as situações do dia a dia. Ou seja, algumas dinâmicas familiares acabam aumentando a ansiedade das crianças.

É como um espelho emocional: se os pais estão irritados, exaustos ou ansiosos durante as férias, os pequenos absorvem isso, replicando o mesmo padrão.

“Cuidar do próprio estresse e de si próprio é uma forma direta de cuidar dos filhos. Pequenas pausas, divisão de tarefas, redução de expectativas irreais e respeitar os próprios limites ajudam bastante”, afirma o psicanalista.

“Um adulto emocionalmente regulado ensina pelo exemplo que o mundo é um lugar mais simples e deixa a criança segura. Uma criança segura é uma criança calma.”

Sinais de ansiedade nem sempre são verbais. Dificuldades para dormir, dores de barriga ou cabeça, apego excessivo e mudanças comportamentais, como agitação e angústia, devem ser pontos de atenção.

Diante desses sinais, é importante evitar frases como “isso é bobagem”, “não precisa ficar assim” e excesso de distrações para calar os sintomas da criança. Também é importante não minimizar ou invalidar os sentimentos.

“A correção passa exatamente pelo acolhimento emocional. Ouvir, validar, perceber o que a criança está sentindo. Isso vai ajudá-la a nomear o que sente. A ansiedade infantil não se combate com controle, ela se combate com vínculo, escuta e segurança afetiva”, diz Costa.

Aguilar recomenda uma escuta ativa dos pais, priorizando um diálogo sem julgamentos e sem a pressa de resolver tudo. O foco deve ser convidar a criança a nomear suas emoções, com perguntas abertas como “Como é sentir essa raiva?” ou “O que está acontecendo aí dentro?”. Esse tipo de troca cria pertencimento, validando sentimentos como experiências normais a serem atravessadas juntos, em vez de problemas a serem eliminados.

“As emoções não devem ser encaradas como problemas. Teremos adversidades na vida sendo crianças ou sendo adultos. O importante é atravessar essas adversidades com mais leveza. Crianças não se machucam tanto pelo trauma, mas por enfrentá-lo sozinhas”, diz Aguilar.

Quando os sintomas persistem ou passam a interferir na rotina, é importante buscar ajuda profissional. Nesses casos, a recomendação é explicar a situação com naturalidade para as crianças.

“Mamãe e papai não estão conseguindo ajudar sozinhos, vamos buscar uma pessoa que entende um pouco mais dos sentimentos para ajudar você”, sugere Aguilar.

  1. Cuide do seu próprio estresse

    Crianças absorvem e espelham emoções observando os pais. Faça pausas, divida tarefas e reduza expectativas irreais nas férias. Cuidar de si é cuidar do filho.

  2. Mantenha uma rotina mínima e previsível

    Estabeleça horários aproximados para acordar, comer, brincar e dormir, mas sem rigidez excessiva. Isso cria pontos de ancoragem para segurança emocional.

  3. Integre telas de forma equilibrada, sem proibições radicais

    Defina horários fixos para uso, priorizando brincadeiras e atividades reais. Telas não são vilãs, mas não devem ser o escape principal para tédio.

  4. Identifique sinais precoces

    Fique atento a insônia, dor de barriga, apego excessivo ou irritabilidade.

  5. Evite frases como “Isso é bobagem”. Diga: “Como é sentir isso? Eu também já senti”.

  6. Jogos de faz-de-conta, desenhos ou cozinhar juntos aliviam tensões. O mais importante é brincar de verdade, gerando segurança afetiva e vínculo.

  7. Evite superproteção e permita frustrações leves

    Não distraia com telas ou presentes excessivos –isso impede elaborar desejos. Frustrações também ajudam a construir resiliência emocional, segundo especialistas.

  8. Busque ajuda profissional se sintomas persistirem

    Se a ansiedade interferir na rotina por semanas, explique com naturalidade: “Vamos achar alguém que ajude com emoções”.

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