quarta-feira, fevereiro 4, 2026
20.8 C
Pinhais

Open English cria assistente de IA sem demitir professores – 04/02/2026 – Economia

O avanço a galope da inteligência artificial assustou a Open English em um primeiro momento. Tendo o ensino online de inglês com professores nativos como negócio-chave, a possibilidade de a tecnologia substituir a força de trabalho humana limaria o diferencial competitivo da companhia. Mais aplicativos, menos olho no olho.

Não é mais essa a percepção da empresa. “As pessoas ainda querem pessoas”, diz Andrés Moreno, CEO da Open English. “Então incluímos a IA nas salas de aula sem perder a conexão humana.”

A solução leva o nome de Jenny. É uma espécie de professora-assistente, que fará testes de pronúncia e sugestões individualizadas de exercícios para cada aluno. Ela estará de standby nas aulas ao vivo com os professores da companhia, que seguirão à frente do ensino.

Não fizemos demissões. Entendemos, depois de vários testes, que a conexão professor-aluno é o que mantém os alunos interessados e engajados no curso. Continuamos investindo fortemente nas equipes e nas operações de aulas ao vivo, mas turbinando os professores com a ferramenta de IA”, diz Moreno.

O objetivo é acelerar o processo de aprendizado e aumentar o engajamento dos alunos. Jenny atende especialmente aos alunos mais tímidos, diz o CEO, que podem praticar de forma individual com o chatbot antes de falar em público durante uma aula em grupo.

Ele dá o exemplo de um exercício clássico de turmas iniciantes: nomear coisas que estão em uma cozinha. Em vez de todos os alunos da turma repetirem “a maçã é vermelha” um de cada vez –”o que torna a aula um pouco entediante”, diz ele– a pronúncia é testada individualmente com Jenny. Quando ela tiver trabalhado e corrigido todos, o professor volta à cena e apresenta o próximo exercício.

Os professores, afirma, seguem atentos aos exercícios praticados com a IA para se certificar da qualidade do ensino.

“Essa ferramenta é útil em sistemas educacionais da América Latina, que têm grande demanda pelo ensino de inglês, mas esbarram no custo e na acessibilidade em cidades remotas. O ensino individualizado ou em turmas de até quatro alunos é caro, especialmente no modelo presencial, enquanto os que apostam apenas em aplicativos não são muito eficientes”, diz Moreno.

O modelo FluentIA foi testado no final de 2025 com mil alunos da Open English e teve 96% de aprovação, segundo a empresa.

Agora, ele será implementado primeiro na rede pública de ensino do governo de São Paulo através do Prontos pro Mundo, um programa de intercâmbio que leva mil alunos para estudar no Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, Irlanda e Austrália. O anúncio foi feito em entrevista coletiva nesta quarta-feira (4) em evento na capital paulista.

O contrato de R$ 150 milhões visa capacitar 70 mil alunos da rede. Os estudantes elegíveis ao programa terão acesso ao modelo FluentIA a partir de 11 de fevereiro.

Presente em 26 países e com mais de 3 milhões de alunos matriculados, a companhia tem como carro-chefe o ensino para crianças de 8 a 15 anos e para adultos, inclusive através de parcerias com empresas que objetivam a capacitação de seus funcionários. O faturamento não foi revelado.

O modelo de negócios B2G, ou Business-to-Government (negócio para governo), já foi testado pela Open English em outros países da América Latina, como Colômbia, Uruguai, Chile e El Salvador. Não se trata de uma reformulação da estratégia de mercado da companhia. É um caminho para crescimento do produto em um cenário de competição acirrada com outras empresas do segmento de idiomas.

O Prontos pro Mundo visa combater a evasão escolar. Os alunos poderão fazer as aulas nas salas de informática das escolas no contraturno.

O programa ainda custeia as despesas com o intercâmbio, desde gastos para a emissão de passaporte e visto até hospedagem, passagens aéreas e bolsa-auxílio para a compra de vestuário de inverno. Na edição passada, o investimento público para o programa foi de R$ 120 milhões, e a Secretaria de Educação entregou chips com internet para todos os 70 mil selecionados.

A pauta é cara para Moreno, ele próprio um imigrante. O executivo nasceu em Caracas, na Venezuela, e é radicado nos Estados Unidos –estando, então, com os dois pés fincados em cada lado da tensão geopolítica iniciada pelo governo Donald Trump no início de janeiro.

Ele se soma ao coro de venezuelanos que acreditam que a guinada em direção à democracia na Venezuela não seria possível sem a intervenção norte-americana, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.

“Entendo que essa é uma opinião controversa. Mas sendo venezuelano e tendo visto por 25 anos como foi difícil essa transição… O envolvimento dos Estados Unidos foi crítico para mudar a conversa.”

Ele é otimista sobre o futuro do país sul-americano –sobretudo, acredita que os venezuelanos que fizeram parte da diáspora deverão voltar para Caracas para “adicionar valor e reconstruir o país” quando a democracia foi restituída. As oportunidades de negócios também serão relevantes, inclusive para a Open English, que até agora viu como inviável a venda de qualquer produto por lá devido à derrocada do poder de compra da população.

A entrada na Venezuela, porém, só será viável em um ambiente de “estabilidade, com instituições sólidas e confiáveis, um sistema judiciário, sistema eleitoral”.

Moreno vê paralelos entre o sentimento dos venezuelanos sob Maduro e o de latinos nos EUA que temem a repressão a imigrantes. Quando Donald Trump revogou o status de proteção temporária (TPS) para países como Venezuela, seu tio foi atingido.

“Ele mora nos Estados Unidos há mais de cinco anos, a esposa é professora. Têm filhos, alguns nascidos lá. Agora enfrenta a possibilidade de ter que sair. Isso não é os Estados Unidos.”

Por outro lado, afirma que a cruzada contra imigrantes tem fundamentos na criminalidade e insegurança econômica. “Acredito que essas coisas são como um pêndulo que foi para o extremo. Devemos achar algum equilíbrio nos próximos meses, porque essa não é a política mais inteligente nem para os Estados Unidos, que perdem pessoas valiosas para a economia.”

RAIO-X | Open English

Fundação: 2007

Faturamento: Não revelado

Funcionários: Mais de 1.500 profissionais globalmente, sendo 200 no Brasil, e 2.000 professores nativos

Principais concorrentes: Wizard, Native Camp, Cultura Inglesa

Principais mercados: Brasil, Estados Unidos e México

Autor: Folha

Destaques da Semana

BC – Comunicado N° 44.666 de 04/02/2026

Divulga o resultado de leilões de swap Autor

Claude afirma que não terá anúncios e tira sarro do ChatGPT, que terá publicidade

A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic provocou a...

polícia pede internação de adolescente e indicia adultos

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação...

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas