Mesmo após décadas atrás das grades, os líderes das maiores facções criminosas do Brasil continuam dando as cartas dentro e fora das prisões, controlando com punho de ferro a disciplina de seus bandos e gerenciando tráfico de drogas e armas, assaltos, corrupção de agentes públicos e mais.
Uma intrincada rede de advogados, familiares, outros presos e criminosos, além de agentes públicos corrompidos, são alguns dos meios que geralmente servem para que, mesmo em presídios de segurança máxima e teoricamente sob vigilância ininterrupta, os chefões atrás das grades continuem dando ordens, recebendo informações e controlando o crime nas ruas Brasil afora.
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Quem são os principais líderes de PCC e CV presos
Comando Vermelho
Luiz Fernando da Costa, (Fernandinho Beira-Mar)
- Idade: 58 anos
- Pena: 309 anos
- Preso desde: 2001
“Beira-Mar” ascendeu ao crime organizado como um dos principais nomes do Comando Vermelho, posição que mantém até hoje, depois de estabelecer uma vasta rede de distribuição de drogas no Rio de Janeiro e passar a controlar diversos pontos de venda nos morros cariocas no início da década de 1990.
Condenado a 12 anos por tráfico de drogas ainda no início dos anos 1990, “Beira-Mar” permaneceu foragido até 1996, quando foi capturado em Belo Horizonte com quatro quilos de cocaína. Na ocasião, ele foi condenado a mais 12 anos de prisão por tráfico de drogas.
Em 1997, ele conseguiu escapar da prisão, dando um forte recado sobre o poder da facção ao Estado brasileiro. A liberdade dele terminou apenas em 2001, após a criação de uma força-tarefa que conseguiu prendê-lo em uma região de selva na Colômbia. Depois de preso, “Beira-Mar” negou relação com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Considerado um dos presos mais perigosos do Brasil inclusive entre os demais líderes de PCC e CV, o narcotraficante inaugurou o presídio de Catanduvas, em 2006, quando o modelo de segurança máxima sob gestão federal foi criado.
Fuga de Fernandinho Beira-Mar é um dos casos que marcam como o crime organizado desafia, há anos, o Estado brasileiro.
Márcio dos Santos Nepomuceno, (Marcinho VP)
- Idade: 55 anos
- Pena: 36 anos
- Preso desde: 1996
“Marcinho VP” foi condenado pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro a 36 anos de prisão em regime fechado, devido à participação em homicídios e associação criminosa. A pena foi aplicada com base em 18 anos para cada crime, totalizando 36 anos.
O narcotraficante é pai do cantor Oruan, que recentemente foi preso acusado pela polícia do Rio de envolvimento com o Comando Vermelho. A previsão para a soltura de “Marcinho VP” está fixada para outubro de 2026, caso não ocorram novas condenações ou processos que possam estender o tempo de prisão.
Marcinho VP pode ser solto no segundo semestre de 2026.
Sendo assim, eventual nova acusação ou condenação durante o cumprimento da pena poderá alterar esse prazo, aplicando o limite máximo de 40 anos previsto na legislação atual. Em novembro do ano passado, o Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro solicitou à Justiça a prisão preventiva de Marcinho VP, de Marco Antônio Pereira, o “My Thor” e de Cláudio José Fontarigo, o “Claudinho da Mineira”, por adotarem medidas para atrasar o andamento de um processo por homicídio que tramita há quase 23 anos.
No pedido, o MP alega que as medidas evidenciam “a intenção de obstruir a Justiça, adiar o julgamento e assegurar a liberdade de ‘Marcinho VP’, que deverá concluir o tempo máximo legal de reclusão em 2026, quando completará 30 anos de prisão.”
Arnaldo da Silva Dias (Naldinho)
- Idade: 45 anos
- Pena: 81 anos
- Preso desde: 2005
“Naldinho” está entre os sete presos apontados como lideranças do Comando Vermelho transferidos do sistema prisional do Rio de Janeiro para o federal no final do ano passado, após pedido do governo carioca na esteira da operação policial que deixou 121 mortos no Complexo da Maré, Penha e Vila Cruzeiro.
“Naldinho” integra o Conselho Permanente do CV — formado por uma dezena de chefes do tráfico presos em Bangu, que têm a palavra final sobre decisões do grupo no Rio — e, segundo a Polícia Federal (PF), atua como uma espécie de relações públicas da facção. A Polícia Federal interceptou mensagens do narcotraficante para que comparsas nas ruas “segurassem sete dias sem guerras e roubo” por conta de uma reunião do G20 no Rio.
No comunicado enviado a um comparsa, o criminoso ainda escreveu que “um representante das autoridades no Rio” havia procurado um integrante da facção para pedir o período de trégua. A investigação da PF, no entanto, disse não ter identificado a autoridade citada no texto.
PF interceptou mensagens do narcotraficante Naldinho para que comparsas nas ruas “segurassem sete dias sem guerras e roubo” por conta de uma reunião do G20 no Rio.
Marco Antônio Pereira Firmino da Silva (My Thor)
- Idade: 55 anos
- Pena: 35 anos
- Preso desde: 2000
Preso desde maio de 2000, “My Thor” controla o tráfico em favelas como Santo Amaro e Tavares Bastos, no Catete, na zona sul do Rio. Conhecido entre policiais como “bandido da machadinha” pela forma como decapitava suas vítimas, o criminoso está no cárcere até hoje.
Em 2016, ele foi acusado de ordenar, dentro da cadeia, o resgate do irmão, Nicolás Pereira de Jesus, o “Fat Family”, que estava detido no Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. “Fat Family” foi morto três meses depois do resgate.
Roberto de Souza Brito (Irmão Metralha)
- Idade: 52 anos
- Pena: 50 anos
- Preso desde: 2012
Silvano, que é cadeirante desde 2000, quando foi baleado em um confronto com rivais, foi preso em 2012 em Salvador durante uma operação conjunta das polícias civis da Bahia e do Rio de Janeiro. Ele é considerado um dos “donos” do Complexo do Alemão, o maior reduto do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
PCC
Marcos Willians Camacho (Marcola)
- Idade: 57 anos
- Pena: 338 anos
- Preso desde: 1999
“Marcola” é o chefão máximo do PCC e ascendeu ao primeiro escalão da facção no começo dos anos 2000, com o assassinato ou afastamento de outras lideranças históricas dentro da cadeia. Estabeleceu formas de aumentar a renda do grupo com o tráfico de drogas internacional, criou códigos de conduta mais rígidos nas ruas e na cadeia e articulou ataques coordenados contra o Estado.
Foi condenado por assalto a banco nos anos 1990, por atentados contra a polícia em 2006 e pelo assassinato, em 2003, do juiz Antonio José Machado Dias, o Machadinho, da Vara de Execuções Penais de Presidente Prudente, onde ele cumpria pena.
Marcola é a estratégia do PCC em torno de ataques coordenados contra o Estado.
Gilberto Aparecido dos Santos (Fuminho)
- Idade: 57 anos
- Pena: 26 anos
- Preso desde: 2020
“Fuminho” começou no mundo do crime nos anos 1990, quando atuou como ladrão de banco ao lado de Marcola. Posteriormente, fortaleceu a presença do PCC na Baixada Santista e morou na Bolívia por pelo menos 10 anos. A ideia foi aumentar o controle da organização sobre a cadeia produtiva, o que facilitaria o envio de drogas e armas para o Brasil.
Ele foi preso em Moçambique em 2020, após ficar foragido por 20 anos. Depois, foi extraditado para o Brasil. A hipótese é de que ele estava na África com o objetivo de construir uma rede de distribuição de drogas na Europa. Apesar de nunca ter sido oficialmente da liderança da organização criminosa, Fuminho sempre atuou como uma espécie de conselheiro e braço direito de Marcola.
Roberto Soriano (Tiriça)
- Idade: 51 anos
- Pena: 124 anos
- Preso desde: Início dos anos 2000
Soriano era considerado pelo MP-SP o número 2 do PCC, abaixo apenas de Marcola, até 2024. Naquele ano, rebelou-se contra o líder e acabou oficialmente expulso do bando — e jurado de morte. O que fez a amizade se converter em rivalidade foi o vazamento da gravação de um diálogo entre Marcola e um policial penal federal na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO).
Na ocasião, Marcola classificou “Tiriça” como um “psicopata”. A declaração foi usada por promotores durante o julgamento de Soriano. O criminoso acabou condenado a 31 anos e 6 meses de prisão, em 2023, por ser o mandante do assassinato da psicóloga Melissa de Almeida Araújo, que atuava no presídio federal de Catanduvas.
“Tiriça” também foi condenado por ser apontado como o mandante do assassinato do agente penitenciário federal Alex Belarmino de Souza, em Cascavel (PR), no ano de 2016, a 41 anos de cadeia. “Andinho” e “Vida Loka”, outros dois chefões do alto escalão do grupo criminoso atrás das grades, ficaram ao lado de “Tiriça” na disputa interna pelo controle da facção e também foram expulsos.
Wanderson Nilton de Paula Lima (Andinho)
- Idade: 42 anos
- Pena: 705 anos
- Preso desde: 2002
“Andinho” ficou conhecido como o sequestrador do PCC, e atuava também como um dos principais financiadores de ações do grupo. Ele é apontado pelo Ministério Público como um dos principais líderes da facção criminosa ao lado de “Marcola”, “Vida Loka” e “Tiriça”, responsável por atentados contra jornais, assassinatos de agentes públicos e rebeliões em cadeias.
Após juntar-se a “Tiriça” e “Vida Loka” contra “Marcola”, acabou banido e isolado do grupo criminoso que ajudou a consolidar e expandir, mas ainda detém grande influência sobre criminosos da organização.
Abel Pacheco de Andrade (Vida Loka)
- Idade: 50 anos
- Pena: 80 anos
- Preso desde: 2000
Natural do Paraná, Abel Pacheco está condenado a mais de 70 anos de prisão por crimes diversos. Recentemente, ele tentou obter o indulto natalino – perdão da pena -, mas teve o pedido negado.
Conhecido como “Vida Loka”, ascendeu no PCC pelas mãos de “Marcola”. No início dos anos 2000, ele já havia se tornado um dos sete integrantes da Sintonia Fina Geral, a alta cúpula da facção.
Segundo o MP-SP, cabia ao criminoso repassar a ordem de “Marcola” para outros integrantes da cúpula. Também ficou responsável por formar a chamada Sintonia dos Gravatas, composta por advogados ligados à facção, além da célula que levanta endereço de autoridades para ordenar ataques.
Autor: Gazeta do Povo







