A Otan, a aliança militar ocidental, deverá lançar nos próximos dias uma nova missão no Ártico para ampliar a capacidade de vigilância e presença militar na região, segundo cinco autoridades ouvidas pela agência de notícias Reuters. A iniciativa ocorre em um contexto de tenssão entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aliados europeus relacionadas à Groenlândia.
Batizada de “Arctic Sentry”, a operação deverá ser anunciada ainda nesta semana durante a reunião de ministros da Defesa da aliança em Bruxelas, na Bélgica, ainda segundo a agência. De acordo com três diplomatas europeus, um oficial militar e uma pessoa familiarizada com o tema, a missão deverá incluir exercícios militares, reforço de monitoramento e o envio de navios, aeronaves e drones à região.
Autoridades afirmam que o foco inicial não deverá ser o envio de grandes contingentes, mas sim o uso mais eficiente dos recursos que a Otan já mantém na região. Um representante da aliança disse que a iniciativa faz parte dos esforços para fortalecer a dissuasão e a defesa no Ártico, especialmente diante da atividade militar da Rússia e do crescente interesse da China na região.
A expectativa é que a missão entre em operação em breve. Na semana passada, a Otan informou que havia iniciado o planejamento da iniciativa após conversas em Davos entre Trump e o secretário-geral da organização, Mark Rutte, que ajudaram a aliviar tensões relacionadas à ambição do presidente americano de adquirir a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
Autoridades destacam que nenhuma decisão final foi tomada e que os planejadores militares ainda trabalham em diferentes opções. O general da Força Aérea dos EUA, Alexus Grynkewich, afirmou na segunda-feira (9) que os preparativos estão na “fase final”.
Durante visita a Luxemburgo, Grynkewich disse que receberia um novo relatório do Comando Conjunto da Otan em Norfolk, nos EUA. Segundo ele, caso a avaliação seja positiva, a aliança poderá anunciar ainda esta semana como pretende avançar com a missão no Ártico.
Embora tenha amenizado o discurso nos últimos dias, Trump ameaça anexar a Groenlândia sob o argumento de que a região é essencial para a segurança dos EUA. Diversos países enviaram pequenos contingentes à ilha em resposta às falas do republicano: França, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Holanda e Reino Unido se uniram à Dinamarca, que tem o maior efetivo, de cerca de 120 militares.
Autor: Folha




















