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Padilha diz que serviço para autismo deve ser ampliado – 02/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

Em entrevista concedida na véspera do Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira (2), o ministro Alexandre Padilha (Saúde) defendeu que os Centros Especializados de Reabilitação (CER), criados em 2012 e que hoje são referência em pelo menos 21 estados do país para o atendimento multidisciplinar de autistas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), foram a “primeira virada de página do verdadeiro abandono que existia enquanto rede de saúde estruturada no tema do transtorno do espectro do autismo e, eu diria até, para o tema das pessoas com deficiência como um todo”.

Os CERs são locais que concentram atenção ambulatorial e são especializados em reabilitação, diagnóstico, tratamento e adaptação para pessoas com deficiências física, intelectuais, visuais, auditivas e autismo.

O ministro reconhece que a rede, que enfrenta filas de espera para acesso em diversos estados, precisa “ter um avanço muito significativo ainda de ampliação de serviços”.

“Tem que ser visto pelo conjunto da rede do SUS com o mesmo grau de importância que às vezes tem um hospital, que às vezes tem um pronto-socorro, que às vezes tem outras estruturas mais consolidadas.”

Nesta quinta, o Ministério da Saúde anuncia a habilitação de 59 novos serviços, incluindo CERs (19 novos habilitados, indo para um total de 361), oficinas ortopédicas e transporte adaptado, com investimento de R$ 83,3 milhões.

Na avaliação do ministro, o CER avançou, sobretudo, ao financiar serviços que oferecem atenção integral —em vez de pagar pontualmente por serviços prestados, como era feito antes—, o que permite um atendimento unificado e que abarca comorbidades como o TDAH, bastante presentes nos casos de TEA, e ainda “traz o problema para a mesa”, permitindo que gestores de diferentes níveis de governo enxerguem os serviços ofertados pela rede como um todo.

Para Padilha, o passo seguinte é fortalecer, na atenção primária, o diagnóstico e a intervenção precoce, a partir da qualificação profissional, do uso da escala de rastreio M-CHAT e do Telessaúde. “A gente não consegue enfrentar e resolver o problema da demanda por CER investindo apenas no CER. Precisa investir, sobretudo, na atenção primária em saúde.”

O CER foi criado na sequência do lançamento da primeira versão do Plano Viver Sem Limite, em 2011. Até então, a prestação de serviços de saúde para autistas era realizada por instituições filantrópicas ou de forma pontual e fragmentada no país. Duas décadas e meio depois, segundo levantamento feito pela coluna Vidas Atípicas em 2025, 21 das 27 secretarias estaduais de saúde informaram utilizar já o CER como único serviço ou como estrutura combinada a iniciativas locais, ainda que atendendo a uma fração da demanda e da população autista estimadas.

Em setembro de 2025, o ministério lançou uma linha de cuidado de saúde unificada, reunindo pela primeira vez, numa única abordagem, as linhas da reabilitação (do CER) e da saúde mental. Na semana passada, fechou uma consulta pública para atualizar um guia de cuidado integral a pessoas autistas voltado para profissionais, sobre a implementação da nova linha de cuidado.

Postura do governo Trump sobre autismo

Questionado sobre a postura do governo de Donald Trump, de questionar a melhor evidência científica e associar casos de autismo à vacinação infantil e ao uso do paracetamol por grávidas, Padilha afirma que “isso é uma combinação de uma prática de um escárnio também com abandonos”.

“É uma visão de total descompromisso com as famílias que sofrem com esse tema, com as crianças que sofrem com esse tema do transtorno do espectro do autismo e com a sociedade como um todo (…) Primeiro, eles anunciaram que, em alguns meses, iriam dizer qual que era a causa do autismo. E, depois de alguns meses, vieram com essa história do estudo fajuto, já questionado, que tenta relacionar o paracetamol com o autismo.”

Padilha diz ainda que a posição do atual governo americano “guarda a mesma coerência com outras práticas do desprezo à vida”.

“Os Estados Unidos, hoje, vivem uma explosão de casos de sarampo que nunca teve. Mais de 90% dos casos de sarampo do continente americano estão concentrados na América do Norte. O nosso continente perdeu o certificado de continente livre do sarampo por conta da América do Norte”, afirmou o ministro.

Autor: Folha

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