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Palmeiras, nu em praça pública – 21/01/2026 – Marcelo Bechler

O Palmeiras enfrentou o Novorizontino no que poderia ser um irrelevante jogo da quarta rodada de campeonato estadual. Acontece que colocou em campo seis titulares, quatro deles na defesa, e sofreu um 4-0. Pior derrota desde a chegada de Abel Ferreira e também a pior desde 2015 (5-1 para a Chapecoense).

Depois do jogo, o treinador subiu o tom e disse que “quando somos uma equipe competitiva, estamos preparados para ganhar de qualquer time do mundo. Quando somos uma equipe que não compete e não se mobiliza, como foi hoje, podemos perder para um time da quinta divisão. Foi o que aconteceu hoje”. Deixemos de lado a licença poética de menosprezar o Novorizontino, que estará, neste ano, em sua quinta temporada seguida na Série B, não na quinta divisão.

Abel quer o time competitivo e mentalizado, são marcas de um Palmeiras super resultadista dos últimos anos. Cinco semifinais de Libertadores, com dois títulos, dois Brasileiros, cinco finais de Paulista e três troféus. O sucesso do método é inegável, mas que tem faltado futebol também parece.

Em 2025, o Palmeiras teve apenas a sétima maior posse de bola no Brasileirão, foi o 13° em passes certos, mas foi o primeiro em tentativas de bola longa. Seguindo com a metralhadora de números, foi o segundo time que mais teve posse de bola perto da área rival e também o segundo que menos deixou a bola perto de sua área (o Flamengo foi o líder nos dois aspectos).

Não quero cobrar de Abel Ferreira fazer do Palmeiras o novo Barcelona. Pessoalmente prefiro o jogo atrativo e sedutor de quem quer usar a bola para envolver o rival, mas é totalmente irrelevante minha predileção pessoal. Admito que o técnico português montou uma máquina de competir à sua maneira: poucos passes, bola longa, atacantes que têm velocidade para bolas em profundidade e também força para disputar corpo a corpo com os zagueiros rivais. O treinador não opta por defensores super construtores, mas, sim, super defensores. Sua ideia é não permitir muito ao adversário quando se defende e se impor com muitos duelos físicos quando ataca.

O problema é que esse modelo tem funcionado contra o “baixo clero” no Brasil. Ano passado, o Palmeiras só venceu dois confrontos dos 12 contra os seis mais bem colocados no torneio nacional. Perdeu a Libertadores sem dar um chute a gol e com quase 200 passes a menos que o Flamengo. Agora, diante do Novorizontino, encarou um adversário que lhe deu a bola, mas negou espaços para cruzamentos ou bolas longas. Basicamente, obrigou o Palmeiras a tocar e tocar até errar, deixando-o nu em praça pública e expondo a falta de ideias do time verde.

Abel não vai conseguir mentalizar seus jogadores para todas as partidas. Nem sempre o Palmeiras vai poder guerrear e competir com toda a gana que marca essa equipe. O Campeonato Paulista deveria servir como pré-temporada para os grandes e deveríamos estar vendo um time que se mostrou tão carente de futebol buscar novas alternativas. Quando Luighi e Benedetti falham em saídas de bola que geram gols, não se vê intenção em sair jogando melhor e erros naturais de um início de desenvolvimento de ideia de jogo. São erros e nada mais.

Seria aceitável o 4-0 para o Novorizontino, esquecível numa terça-feira de janeiro, se algo estivesse sendo construído. Não está. Abel quer, de novo, um time mentalizado e competitivo. Não quer um time que jogue mais futebol. Veremos se será o bastante em 2026.

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Autor: Folha

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