A troca de comentários entre a atriz Paolla Oliveira e uma cirurgiã plástica nas redes sociais acendeu o debate sobre a lipoaspiração púbica, procedimento indicado para reduzir a gordura localizada na região do monte pubiano ou monte de vênus. Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que a cirurgia é considerada segura.
A discussão começou após a cirurgiã plástica Pamella Andrade publicar um vídeo no Instagram usando o corpo de Paolla Oliveira como exemplo ao falar sobre a lipoaspiração púbica, dando a entender que a atriz teria se submetido ao procedimento. Paolla, no entanto, negou ter realizado a cirurgia.
De acordo com Carine Gonzaga, professora da Unit (Universidade Tiradentes), em Aracaju, a lipoaspiração púbica, também conhecida como lipoaspiração do púbis ou do monte de vênus, consiste na retirada de gordura da região localizada acima da vulva. O procedimento é indicado para pessoas que se incomodam com um volume mais acentuado no local, muitas vezes perceptível em roupas justas ou biquínis, e pode ser realizado tanto por mulheres quanto por homens.
Segundo a médica, no caso de pacientes com vagina, a indicação também pode levar em conta a proporcionalidade entre o monte pubiano e os grandes lábios. Isso porque em algumas situações, a gordura retirada pode ser reaproveitada como enxerto nos grandes lábios, com o objetivo de devolver volume, reduzir a exposição do clitóris e dos pequenos lábios e tornar a vulva mais harmônica.
A cirurgiã plástica Cristiane Gusmão, especialista em cirurgia plástica estética e íntima no Hospital Master de Cirurgia Plástica, em Goiânia, afirma que a procura é majoritariamente feminina e motivada por questões estéticas. Ainda assim, homens com acúmulo de gordura na região também podem se beneficiar da cirurgia, já que a retirada do volume pode gerar a percepção visual de aumento do órgão genital masculino.
Gonzaga destaca que ainda existe tabu em torno das cirurgias íntimas, mas reforça que se trata de um procedimento comum e há procura “à medida que as mulheres se sentem mais livres para buscar bem-estar e aceitação do próprio corpo”.
Ela explica que a cirurgia é simples, não exige repouso prolongado e tem recuperação considerada tranquila. A lipoaspiração púbica pode ser feita com anestesia local e sedação, embora a raquianestesia —a mesma utilizada em cesarianas— proporcione mais conforto. Em ambos os casos, o pós-operatório costuma ser rápido e com pouco desconforto.
A médica acrescenta que o procedimento pode impactar positivamente a autoestima e a vida sexual, já que o bem-estar físico e emocional influencia diretamente a libido. Mulheres que se sentem desconfortáveis com a aparência da região íntima podem acabar mais inibidas durante as relações, e a cirurgia pode ajudar a reduzir esse bloqueio.
Como qualquer intervenção cirúrgica, há riscos. Gusmão aponta possíveis complicações como infecção, hematomas ou irregularidades no contorno, mas ressalta que, quando bem indicada e realizada por um profissional capacitado, a lipoaspiração púbica é considerada segura. Reações alérgicas ao anestésico local podem ocorrer, como em qualquer cirurgia, mas são incomuns, segundo Tárik Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Para o cirurgião plástico Otávio Machado de Almeida, do Hospital Nove de Julho, trata-se de um procedimento rotineiro dentro da cirurgia plástica, sem diferenças relevantes em relação à lipoaspiração realizada em outras áreas do corpo.
Ele explica que a técnica consiste na infiltração de anestésico local na região com excesso de gordura, seguida da aspiração por meio de cânulas, que podem estar conectadas a um aspirador convencional ou associadas a tecnologias como ultrassom, laser ou vibração, usadas para facilitar a quebra da gordura antes da retirada.
Nassif ressalta que o acúmulo de gordura logo acima do púbis é difícil de eliminar apenas com emagrecimento ou exercícios físicos. Mesmo pacientes magros podem apresentar esse volume localizado, que tende a diminuir apenas com a lipoaspiração. Segundo ele, quando realizada de forma isolada, a lipoaspiração do púbis pode ser ambulatorial, sem necessidade de internação hospitalar.
Na prática clínica, porém, o procedimento costuma ser associado a outras cirurgias de contorno corporal, como lipoaspiração de abdôme, costas ou abdominoplastia. Nessas situações, a redução do monte pubiano já é feita de rotina, embora também possa ser realizada isoladamente quando essa é a principal queixa do paciente, explica Nassif.
Autor: Folha








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