O crescimento do emprego nos Estados Unidos desacelerou mais do que o esperado em dezembro, em meio à cautela das empresas com contratações diante das tarifas de importação e do aumento dos investimentos em inteligência artificial.
A economia dos EUA abriu 50 mil vagas no mês, abaixo da expectativa de 60 mil dos economistas consultados pela Reuters, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês), do Departamento do Trabalho, nesta sexta-feira (9). A taxa de desemprego, contudo, caiu para 4,4% durante o mês.
Os resultados do payroll, métrica favorita do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) para avaliar o mercado de trabalho, reforçam as expectativas de que a instituição deixará a taxa de juros inalterada neste mês.
Os dados fornecem o panorama mais completo do mercado de trabalho dos EUA em vários meses, após os relatórios de novembro e outubro terem sido fortemente impactados pela paralisação do governo norte-americano.
O payroll indica que o setor de empregos permaneceu no que economistas e autoridades classificam como modo ‘não contratar, não demitir’ e confirma um quadro de crescimento econômico com fraca geração de vagas.
O mercado de trabalho perdeu um impulso considerável no ano passado, em grande parte devido às políticas agressivas de comércio e imigração do presidente Donald Trump, que, segundo economistas e autoridades, reduziram tanto a demanda quanto a oferta de trabalhadores.
O relatório desta sexta-feira também mostrou que a criação de vagas em novembro foi revisada para baixo, a 56 mil postos. A expectativa entre economistas era de que 64 mil vagas seriam abertas no mês.
A taxa de desemprego de novembro também foi revisada, para 4,5%, em relação aos 4,6% informados anteriormente.
A previsão em uma pesquisa da Reuters com economistas era de que a taxa de desemprego tivesse diminuído para 4,5% em dezembro.
A forte moderação no crescimento do emprego começou em 2024. O Escritório de Estatísticas do Trabalho estimou que foram criados cerca de 911 mil empregos a menos nos 12 meses até março de 2025 do que o informado anteriormente. A agência publicará sua revisão no próximo mês, com o relatório de emprego de janeiro.
Economistas afirmam que a queda inesperada do desemprego reforça o argumento para que o Fed pause o ciclo de cortes de juros em sua próxima reunião, no fim deste mês.
“O Fed provavelmente manterá o patamar [de juros] por enquanto, com o mercado de trabalho mostrando sinais tentativos de estabilização”, disse Lindsay Rosner, chefe de investimentos em renda fixa multissetorial da Goldman Sachs Asset Management. “Esperamos que o Fed permaneça em espera por enquanto, mas ainda prevemos dois cortes para o resto de 2026.”
A enorme maioria dos investidores (95%) também aposta em uma manutenção do atual patamar no encontro do Fed de janeiro, segundo a ferramenta CME FedWatch.
Após a divulgação do relatório, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de curto prazo subiram ligeiramente , refletindo a taxa de desemprego menor que a esperada para dezembro. O rendimento de dois anos, que acompanha as expectativas para a política monetária, subiu 0,03 pontos percentuais para 3,52%.
O Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) cortou sua taxa de juros de referência em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75%, em dezembro.
Em coletiva após a divulgação do corte, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a taxa estava bem posicionada para aguardar novos dados da economia norte-americana.
“Estamos agora dentro de uma ampla faixa de estimativas de neutralidade e bem posicionados para observar como a economia evolui”, disse Powell.
TRUMP PUBLICA DADOS ANTES DE DIVULGAÇÃO OFICIAL
Donald Trump antecipou dados parciais de emprego de dezembro no Truth Social, oferecendo a traders um vislumbre de informações sensíveis para os mercados financeiros.
Na noite de quinta-feira (8), por volta das 22h20, Trump publicou um gráfico indicando a criação de 654 mil empregos no setor privado desde janeiro de 2025. Os dados só seriam divulgados oficialmente às 8h30 desta sexta-feira e funcionaram como uma prévia do desempenho do mercado de trabalho no último trimestre do ano, já que os números de novembro foram posteriormente revisados e o dado de dezembro era inédito.
O payroll está entre os indicadores econômicos mais acompanhados por investidores, sobretudo por seu impacto no mercado de títulos do Tesouro dos EUA, avaliado em cerca de US$ 30 trilhões.
Segundo investidores, a postagem passou despercebida por Wall Street, mas gerou críticas. “É sem precedentes. Nenhum governo jamais vazou números tão importantes para o mercado. Nenhum país sério faz isso”, escreveu Justin Wolfers, professor de economia da Universidade de Michigan, na rede social Bluesky.
Tradicionalmente, o presidente do Conselho de Assessores Econômicos recebe os dados antes da divulgação oficial para que o chefe do Executivo tenha tempo de preparar uma resposta. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário.
Com Reuters e Financial Times




