O Peru declarou estado de emergência na fronteira com o Chile e anunciou que reforçará os controles aduaneiros com militares em previsão de uma onda de migrantes indocumentados, assim como para enfrentar a criminalidade, segundo um decreto que o governo aprovou nesta sexta-feira (28).
A medida será mantida por 60 dias e vigorará nos distritos fronteiriços de Palca, Tacna e La Yarada-Los Palos, na região de Tacna (sul), diante de uma eventual chegada de dezenas de migrantes que buscam sair do Chile ante a possibilidade de uma vitória do candidato presidencial de extrema-direita José Antonio Kast, que prometeu expulsar os indocumentados.
O objetivo do estado de emergência servirá também “para enfrentar a criminalidade e outras situações de violência”, indica a norma.
“A Polícia Nacional do Peru mantém o controle da ordem interna, com ações de apoio das Forças Armadas”, acrescenta.
O ministro do Interior peruano, Vicente Tiburcio, viajou para a fronteira em Tacna, de onde declarou à rádio RPP que “o estado de emergência vigorará por 60 dias” a partir de 29 de novembro.
Cerca de 50 soldados do exército serão deslocados “imediatamente” para o posto fronteiriço peruano Santa Rosa, indicou o ministro.
Outros 50 efetivos do exército se juntarão nos primeiros dias de dezembro, acrescentou.
O canal peruano rádio Tacna divulgou cedo imagens de migrantes com crianças nos braços na estrada perto da passagem fronteiriça.
Mais cedo, o ministro chileno de Segurança, Luis Cordero, disse que “ocorreu uma concentração de pessoas migrantes que desejam abandonar o país e tiveram dificuldades em sua entrada no Peru”.
O ministro chileno não especificou o número de migrantes aglomerados no local.
O ultraconservador Kast, favorito para vencer o segundo turno de 14 de dezembro no Chile contra a esquerdista Jeannette Jara, promete expulsar os 330.000 imigrantes indocumentados, em sua maioria venezuelanos, aos quais vincula com a onda de insegurança.





