Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste domingo (15) mostra que 71% dos brasileiros defendem o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa apenas um. Apesar do apoio majoritário da população, estudos recentes de entidades patronais apontam que a mudança pode gerar aumento de custos para empresas, pressão sobre preços e impactos no nível de emprego formal no país.
Segundo o instituto, o apoio à mudança cresceu em relação à pesquisa anterior, em que 64% defendiam a redução da jornada semanal. Hoje, 27% são contrários ao fim da escala 6×1 e 3% não opinaram.
O Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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Embora o apoio popular seja elevado, estudos setoriais e especialistas são pessimistas com o real resultado da medida – considerada populista por ser proposta em pleno ano eleitoral. A redução da jornada sem diminuição proporcional de salários e sem compensação às empresas, como já adiantou o governo – pode elevar significativamente o custo do trabalho, especialmente em setores que dependem de escalas contínuas, como comércio, serviços e indústria.
Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que mudanças na jornada atual poderiam elevar entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões por ano os custos das empresas com trabalhadores formais no Brasil, o que representa um aumento de até 7% na folha de pagamentos. Segundo a entidade, esse impacto poderia afetar a competitividade das empresas e reduzir a capacidade de geração de empregos formais.
Levantamentos de entidades ligadas ao comércio também apontam efeitos relevantes. Análise da Fecomércio indica que a redução da jornada sem aumento equivalente de produtividade pode gerar alta de 22% nos custos operacionais, retração de contratações e repasse de preços ao consumidor, já que empresas precisariam contratar mais trabalhadores para manter o mesmo nível de operação.
Outro estudo apresentado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) também sustenta que a mudança pode provocar aumento de despesas trabalhistas, impacto sobre preços e redução do emprego formal, especialmente em pequenas e médias empresas, que possuem menor capacidade de absorver custos adicionais.
A análise aponta que, dos 57,8 milhões de empregos formais, 31,5 milhões seriam diretamente impactados pela mudança, sendo 93% dos trabalhadores do varejo e 92% dos empregados do atacado que trabalham acima de 40 horas semanais. A adequação à nova jornada, afirma a CNC, pode custar R$ 122,4 bilhões ao ano ao comércio e R$ 235 bilhões no setor de serviços. O repasse ao consumidor, aponta, pode chegar a 13%.
O próprio levantamento do Datafolha mostra que a percepção sobre os efeitos econômicos da medida não é consensual. Entre os entrevistados, 39% acreditam que o fim da escala 6×1 teria impacto positivo para as empresas, enquanto o mesmo percentual avalia que a mudança teria consequências negativas para os negócios.
Autor: Gazeta do Povo



















