A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta (15), a terceira fase da Operação Coffee Break, que mira um esquema suspeito de fraudes em licitações para a compra de livros e materiais educacionais envolvendo a ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As primeiras fases foram realizadas no ano passado e envolveram, ainda, o empresário Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha.
De acordo com a autoridade, o objetivo desta fase é aprofundar as investigações do esquema. A apuração aponta que Carla Ariane Trindade e Bittar teriam atuado como facilitadores de contratos envolvendo a Life Tecnologia Educacional, aproximando a empresa de gestores públicos e participando da prospecção de negócios. Ambos negaram as acusações.
Nesta etapa da operação, diz a Polícia Federal, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo, além da execução de medidas de constrição patrimonial autorizadas judicialmente.
A Gazeta do Povo procurou a Life Tecnologia Educacional e aguarda retorno.
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A operação desta quinta (15), diz a Polícia Federal, dá continuidade à ação em que foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Distrito Federal e Paraná. Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.
A investigação apura contratos que somam R$ 111 milhões com prefeituras da região de Campinas (SP), incluindo Hortolândia, Sumaré, Limeira e Morungaba. Em alguns casos, segundo a PF, os livros sequer haviam sido adquiridos pela empresa quando já constavam em contratos assinados com os municípios, indicando o direcionamento e a montagem artificial das licitações.
O esquema, apontam os investigadores, seria liderado pelo empresário André Gonçalves Mariano e envolveria agentes públicos municipais, que facilitavam editais, atas de preços e pagamentos. A PF identificou indícios de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, pagamentos fracionados e doleiros para ocultar a origem dos valores desviados.
Carla Ariane, ex-nora de Lula, é apontada pela Coffee Break como peça central do esquema de tráfico de influência em Brasília, para facilitar contratos superfaturados de materiais educacionais. Alvo de busca e apreensão, o empresário Kalil é irmão de Fernando Bittar, um dos donos do sítio de Atibaia, investigado pela Operação Lava Jato.
Há evidências de que parte dos pagamentos foram feitos em dinheiro vivo, em sacolas plásticas, com valores estimados em R$ 10 milhões entregues em espécie a partir de doleiros.
Ainda não há divulgação completa de todos os nomes envolvidos. O destino dos recursos desviados — em termos de imóveis, contas no exterior, criptomoedas — ainda está em levantamento.
O que disseram os investigados
Na época em que a operação foi deflagrada, em novembro, a defesa de Kalil negou que ele tenha recebido dinheiro da Life Tecnologia Educacional para fazer lobby junto ao governo. Os advogados da ex-nora de Lula também negaram as acusações e disseram que não se manifestariam até ter conhecimento do conteúdo da investigação.
Da mesma forma, a defesa de Mariano disse em nota que ele “não cometeu os crimes que lhe foram imputados e não integra – muito menos lidera – qualquer organização criminosa”.
Autor: Gazeta do Povo





