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Piercing nos dedos, como de North West, não são indicados – 07/03/2026 – Equilíbrio

Quando a filha de Kim Kardashian, North West, 12, foi fotografada em Roma, em agosto de 2025, usando piercing nos dedos, uma onda de críticas tomou as redes sociais —muitas delas direcionadas à mãe, por permitir a perfuração. Como resposta, West lançou sua primeira música, “Piercing on My Hand”, em fevereiro deste ano, dizendo “eu quero mais piercings e tatuagens”. A faixa já ultrapassa 1,5 milhão de reproduções no Spotify.

A perfuração, porém, é desaconselhada por profissionais de saúde e piercers profissionais ouvidos pela Folha. Por ser um parte do corpo que está em contato constante com produtos e sujeira, os riscos envolvem inflamações e infecções, além de traumas causados por enroscos em objetos do dia a dia. Em casos mais graves, pode afetar as articulações ou até ossos dos dedos.

A assistente administrativa Diana Herbst, 29, colocou um piercing no dedo quando tinha 18 anos. A motivação foi puramente estética. “Eu achava bonito e gosto bastante de anéis. Então em vez do anel, decidi colocar algo mais fixo.”

No início, ela não se arrependeu da decisão. O problema surgiu quando o furo começou a ficar cada vez mais roxo.

“Não cicatrizava nunca. Então todo produto de limpeza e creme entravam no furo. Começou a ficar roxo ao redor e muito inchado”, diz.

Metamorfo Piercer foi quem colocou a joia em Diana, sua melhor amiga. À época, estava no início da carreira, mas já iamginava que o resultado não daria certo. Hoje, com 12 anos de experiência, ele não oferece mais esse tipo de perfuração.

“Entre os piercers profissionais é um consenso: não se faz. A mão está sempre em contato com alguma superfície. É uma área que a gente lava o tempo todo, coloca no bolso, pega objetos. Todo esse atrito acontece em cima de uma ferida aberta, que tem um corpo estranho, que está tentando cicatrizar e numa das partes do corpo que mais tem contaminação. É um erro perfurar ali”, diz.

André Fernandes, presidente da Associação de Piercers Profissionais do Brasil (APPBR) e proprietário do estúdio Millennium Piercing, em São Paulo, afirma que perfurações nos dedos não são recomendadas.

“Ter um piercing desses nunca vai funcionar. Não existe joia desenhada para essa região e também porque é uma parte do corpo que sofre atritos constantemente. Então a chance de dar certo é praticamente zero”, afirma.

Segundo Fernandes, o piercing deixou de ser uma prática amadora, comum nos anos 1990, quando se usavam joias de baixa qualidade e pouca técnica, para adotar padrões mais rigorosos de materiais, esterilização e acompanhamento do cliente.

“Hoje o procedimento exige joias apropriadas, equipamentos de esterilização hospitalar e orientação detalhada de cuidados antes e depois da perfuração. A cicatrização pode levar de seis meses a um ano, e o profissional precisa acompanhar o cliente nesse período para evitar complicações”, explica.

Mesmo com esses cuidados, Fernandes diz que todo piercing envolve riscos, já que se trata de uma ferida aberta. “A escolha correta da joia, da técnica e da região do corpo é essencial.”

Para a dermatologista Sylvia Ypiranga, membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), mesmo materiais considerados seguros não são totalmente inofensivos.

“Nenhum material é completamente neutro para o organismo. Sempre existe alguma probabilidade de reação inflamatória”, diz.

Isso ocorre porque a pele funciona como a primeira linha de defesa do organismo contra agentes externos. “A pele é uma barreira mecânica que separa o meio externo do interno. Quando se faz um piercing, essa barreira é rompida.”

Entre as complicações mais comuns estão infecções bacterianas, reações alérgicas ao metal e problemas de cicatrização. Em alguns casos, pode surgir uma queloide, uma cicatriz elevada e endurecida que cresce além do local da perfuração. Outra possível consequência é a fibrose, uma cicatriz endurecida interna que pode interferir no movimento das mãos.

Também pode ocorrer o chamado granuloma piogênico, uma lesão inflamatória que se forma quando o organismo tenta isolar o corpo estranho, criando uma espécie de “carne esponjosa” no local.

A perfuração também cria uma abertura permanente na pele, que pode funcionar como porta de entrada para bactérias. Nos dedos, isso é especialmente preocupante porque a região possui muitas articulações e pequenas estruturas ósseas, diz a médica.

Segundo a dermatologista Bhertha Tamura, doutora em dermatologis pelo Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), se houver infecção bacteriana, a situação pode “complicar bastante”.

“Se a infecção atinge os nervos, a lesão pode ser definitiva. Você pode ter também limitação de movimento ou alteração da sensibilidade, que pode ser duradoura ou pode até ser irreversível. Se a infecção alcança o osso, isso é um quadro bem severo, e geralmente exige tratamento com antibióticos fortes”, afirma.

As especialistas afirmam que alguns grupos devem evitar piercings. Entre eles estão pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes em quimioterapia, transplantados ou usuários de medicamentos imunossupressores, além de indivíduos com doenças crônicas que dificultam a cicatrização, como diabetes e artrite reumatoide.

Também entram nessa lista pessoas com histórico de queloide ou cicatrização anormal, alergia a metais e quem apresenta doenças de pele ativas na região onde a perfuração seria feita.

Para quem decide fazer o procedimento, a recomendação é reduzir ao máximo os riscos. O primeiro deles é evitar perfurar as mãos. “Para diminuir o dano, faça em outro lugar que não seja nas mãos”, diz Ypiranga.

Entre os cuidados básicos estão procurar um profissional qualificado, garantir que o procedimento seja realizado com material esterilizado e manter higiene rigorosa durante a cicatrização, com sabão neutro e um isotônico para hidratar as células de cicatrização.

Diana, que colocou piercing nos dedos aos 18, conta que, com o tempo, o inchaço e a alteração de cor se espalharam pelo dedo.

“Pensei que meu dedo fosse cair. Então eu acabei tirando”, afirma. “Hoje, eu oriento a não colocar.”

Autor: Folha

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