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PL prepara palanque com apoio a Flávio Bolsonaro nos estados

Após se consolidar no início deste ano eleitoral como principal opositor à reeleição de Lula, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passa a articular a construção dos palanques estaduais para a campanha em todo o país. O Partido Liberal prioriza candidaturas próprias para a disputa nos estados, seja para o cargo de governador ou de senador.

A estratégia — com a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso na Papudinha, em Brasília — assegura a presença de Flávio nos palanques de estados-chave. Por outro lado, a mudança de rumo coloca em risco alianças regionais com governadores de centro-direita, além de mostrar a autonomia do PL em relação aos partidos do Centrão.

As articulações foram intensificadas nas últimas semanas, depois que Flávio retornou ao país de uma agenda internacional ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Palanque goiano terá Morais e Gayer

No final de fevereiro, o PL lançou a pré-candidatura ao governo de Goiás do senador Wilder Morais (PL-GO) em evento com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Na semana anterior, o senador Morais havia visitado o ex-presidente Jair Bolsonaro e saiu de lá confirmando a disputa ao cargo no Executivo estadual.

Antes disso, existia a expectativa de apoio ao vice-governador Daniel Vilela (MDB-GO), aliado do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD-GO), com a formação de uma chapa ao Senado entre o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) e a primeira-dama Gracinha Caiado (União-GO). Cada estado brasileiro elegerá dois senadores na votação de outubro.

Com a decisão do ex-presidente Bolsonaro, o PL descarta a aliança com Caiado e aposta no palanque goiano encabeçado por Morais e Gayer. O aceno ao centro veio com a filiação de Ana Paula Rezende, filha do ex-governador emedebista Iris Rezende, que morreu em 2021. Ela foi lançada como pré-candidata a vice-governadora na chapa pura ao lado de Wilder Morais.

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Composição entre PL e PSD é semelhante no Paraná

No estado do Paraná, o entrave com o PSD é semelhante. O acordo costurado entre o PL e o governador Ratinho Junior (PSD-PR) corre risco de ser rompido caso o paranaense seja lançado por Gilberto Kassab como pré-candidato a presidente.

Após descartar os rumores sobre o suposto convite ao senador Sergio Moro (União-PR) para integrar a sigla, o PL cogita lançar o presidente estadual da legenda, deputado federal Fernando Giacobo, como pré-candidato ao governo para liderar a chapa pró-Flávio no Paraná. A informação foi confirmada por Giacobo à Gazeta do Povo.

“Sim, existe essa possibilidade, caso o governador saia para presidente”, disse o parlamentar. Na corrida pelo Senado paranaense, Filipe Barros (PL-PR) será o candidato da legenda com apoio de Flávio Bolsonaro. 

O trio de governadores de Kassab ainda tem o presidenciável gaúcho Eduardo Leite (PSD-RS). No Rio Grande do Sul, o PL não possui histórico de alianças com Leite e confirmou a pré-candidatura dos deputados federais Luciano Zucco (governo) e Ubiratan Sanderson (Senado), com a companhia de Marcel Van Hattem (Novo-RS) na chapa ao Senado.

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Nikolas Ferreira articula candidatura do PL em estado decisivo nas urnas

Em Minas Gerais, o PL resiste a apoiar o vice-governador Mateus Simões (PSD-MG), que assume o cargo no final deste mês com a saída do cargo do presidenciável Romeu Zema (Novo-MG). No ano passado, Simões migrou do Novo para o PSD, com a condição de apoiar o governador mineiro na corrida pelo Planalto durante a campanha no “estado-pêndulo”.

Apesar de Zema ser cotado como vice de Flávio, pelos votos decisivos de Minas Gerais nas últimas eleições presidenciais, o PL deu início às articulações por uma candidatura própria ao governo mineiro e ao Senado, sob comando do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O jovem parlamentar é visto como o candidato ao governo ideal para a campanha do filho 01 do ex-presidente Bolsonaro, mas descarta a possibilidade e deve se consagrar como um dos maiores puxadores de votos nas eleições à Câmara Federal.

“Estamos em construção para um nome [ao governo]. Não queremos que o estado caia, de novo, na mão do PT. A eleição em Minas Gerais é decisiva, o estado mostrou isso nas últimas eleições. Quem ganha em Minas, ganha no país. […] Ele [Jair Bolsonaro] me deu a liberdade para construir tanto o governo quanto o Senado”, disse Nikolas após a visita ao ex-presidente na Papudinha.

Segundo as anotações de Flávio Bolsonaro sobre os cenários estaduais, que foram divulgadas pela imprensa, o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, é cotado como pré-candidato ao governo pelo PL, e o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) — presidente da sigla em Minas — pode disputar uma das vagas ao Senado.

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As articulações do PL nos maiores colégios eleitorais do país

São Paulo

  • Apoio à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos); disputa com o PSD pela indicação do candidato a vice na chapa do governador.
  • Pré-candidato ao Senado do PL segue indefinido; apoio ao pré-candidato Guilherme Derrite (PP).

Minas Gerais

  • Nikolas Ferreira articula nomes para o governo e para o Senado.
  • Presidente da sigla em Minas, Domingos Sávio (PL) pode ser o candidato ao Senado.

Rio de Janeiro

  • Pré-candidato ao governo: Douglas Ruas (PL).
  • Senado: Cláudio Castro (PL) e Márcio Canella (União Brasil).

Bahia

  • Apoio ao pré-candidato ao governo do estado ACM Neto (União Brasil).
  • Pré-candidato ao Senado: João Roma (PL).

Paraná

  • Candidato próprio ou apoio ao nome do PSD, a depender da decisão de Ratinho Jr. de ser candidato a presidente.
  • Pré-candidato ao Senado: Filipe Barros (PL).

Rio Grande do Sul

  • Pré-candidato ao governo: Luciano Zucco (PL).
  • Pré-candidatos ao Senado: Marcel Van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL).

Pernambuco

  • Apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD).
  • Aguarda a troca de partido do ex-ministro Mendonça Filho, cotado para a corrida ao Senado.

Ceará

  • Apoio ao pré-candidato ao governo do estado Ciro Gomes (PSDB).
  • Pré-candidato ao Senado: Alcides Fernandes (PL).

Pará

  • Indefinição sobre candidato ou apoio ao governo do estado.
  • Deputado federal Éder Mauro é cotado ao Senado.

Santa Catarina

  • Disputa à reeleição ao governo com Jorginho Mello (PL).
  • Chapa pura do PL para o Senado com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni.

Goiás

  • Pré-candidato ao governo: Wilder Morais (PL).
  • Pré-candidato ao Senado: Gustavo Gayer (PL). 

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PL confirma chapa em oposição a Eduardo Paes no Rio

No berço eleitoral da família Bolsonaro, o PL anunciou a chapa encabeçada pelo partido com apoio da federação União Progressista, modelo que pode ser repetido em outros estados, por favorecer o protagonismo de Flávio. O secretário fluminense das Cidades, Douglas Ruas (PL-RJ), foi anunciado como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro.

A chapa ao Executivo terá o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP-RJ) como pré-candidato a vice-governador. Atual governador, Cláudio Castro (PL-RJ) foi confirmado como pré-candidato ao Senado, acompanhado por Márcio Canella (União-RJ) na segunda vaga.

“A participação do governador Cláudio Castro, do senador Flávio Bolsonaro e de diversas lideranças do PL, PP e União neste anúncio é uma demonstração clara de que estamos alinhados e unidos em torno de um projeto”, afirma o senador Bruno Bonetti (PL-RJ), presidente carioca da sigla. A chapa foi articulada em oposição à pré-candidatura do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD-RJ), que terá o apoio do MDB e do PT, garantindo assim o palanque para Lula no estado.

No ano passado, o nome do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ) ganhou força no grupo político de Castro, que chegou a nomear o vice-governador Thiago Pampolha (MDB-RJ) ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), abrindo caminho para o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) assumir o cargo no ano eleitoral.

Mas o governador e Bacellar romperam as relações políticas por divergências após o deputado assumir provisoriamente o comando do estado. A situação foi agravada pela prisão de Bacellar, suspeito de vazar a operação contra o ex-deputado estadual TH Jóias, investigado por ligações com o Comando Vermelho. 

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PL busca alianças com outras siglas para campanha de Flávio no Nordeste          

Nos principais colégios eleitorais do Nordeste, o PL costura alianças com outras siglas para construção do palanque na região, onde o presidente Lula tem eleitorado fiel com peso no resultado nas vitórias petistas no país. Para isso, o partido deve apoiar nomes de peso como ACM Neto (União-BA) e Ciro Gomes (PSDB-CE) nos maiores estados do Nordeste.

Na Bahia, o PT planeja lançar uma dupla de candidatos ao Senado para reforçar a campanha pela reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner (PT-BA) são pré-candidatos, formando a dobradinha de ex-governadores petistas no estado.

Assim, o PL procura costurar uma aliança com o União Brasil para a campanha de Flávio no estado, na companhia do vice-presidente nacional da sigla e pré-candidato ao governo, ACM Neto. Em troca, o cacique baiano pode apoiar a pré-candidatura ao Senado de João Roma (PL-BA), ex-ministro da gestão Bolsonaro.

No Ceará, o partido do presidente Lula também buscará a reeleição. O governador petista Elmano de Freitas deve polarizar a disputa com Ciro Gomes, que deixou o PDT para retornar ao PSDB.

Ex-candidato a presidente de centro-esquerda e crítico do governo Bolsonaro, Ciro Gomes tem o apoio de partidos da centro-direita e chegou a ensaiar uma aliança com o PL. Após as declarações de Michelle Bolsonaro, o partido recuou, mas as negociações com o ex-governador cearense podem ser retomadas. O deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE) pode compor a chapa tucana, ocupando uma das vagas como candidato a senador.

No estado de Pernambuco, a tendência é de polarização de centro-esquerda na disputa entre a governadora Raquel Lyra (PSD-PE) e o prefeito de Recife, João Campos (PSB). O jovem surge como o novo rosto da esquerda com apoio de Lula, assim o PL deve apoiar a reeleição de Lyra.

Segundo as anotações de Flávio, o partido de Bolsonaro espera a migração do deputado federal e ex-ministro Mendonça Filho do União Brasil para o PL. Assim, a sigla passaria a ter um nome de peso para a disputa pernambucana.

Autor: Gazeta do Povo

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